Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Compra de imóveis pela Fidelidade investigada pela Autoridade da Concorrência

Propriedade da Fidelidade, que é por sua vez dona do grupo Luz Saúde. / Hospital da Luz
Propriedade da Fidelidade, que é por sua vez dona do grupo Luz Saúde. / Hospital da Luz
Autor: Redação

A Autoridade da Concorrência (AdC) decidiu abrir uma investigação aprofundada à compra dos fundos Saudeinveste e IMOFID, por parte da Fidelidade - dona do grupo Luz Saúde - à Caixa Geral de Depósitos (CGD). O regulador receia que o negócio promovido pela Fidelidade (detida em 85% pela chinesa Fosun e em 15% pela Caixa) possa gerar entraves ao funcionamento do mercado de cuidados privados de saúde, sendo que o grupo de cuidados de saúde é já proprietário do Hospital da Luz, tendo ainda outra unidades por todo o país. E os fundos fechados no centro da operação são também proprietários de imóveis em várias regiões do país.

"Na análise desta operação de concentração, considerou-se a sua dimensão vertical, uma vez que parte dos ativos imobiliários em causa são utilizados, em regime de arrendamento, por operadores hospitalares privados concorrentes da Luz Saúde, empresa que integra o grupo Fidelidade, que passará a deter a gestão dos referidos Fundos Imobiliários", explica a Autoridade da Concorrência numa nota publicada no site.

A AdC decidiu dar início a esta investigação aprofundada "por considerar que, perante os elementos recolhidos até ao momento, não se pode excluir que a referida operação de concentração resulte em entraves significativos à concorrência efetiva no mercado, uma vez que se identificou a possibilidade de vir a ocorrer um encerramento do mercado aos operadores concorrentes da Luz Saúde que dependem daqueles ativos imobiliários", acrescenta o regulador.

Depois de concluídas as diligências da investigação aprofundada, e dentro do que determina a Lei, a entidade liderada por Margarida Matos Rosa poderá decidir:

  • Não se opor à concretização do negócio, se vier a concluir que a operação de concentração, tal como notificada ou na sequência de alterações entretanto introduzidas pela Fidelidade (os chamados compromissos ou remédios), não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência nos mercados em causa; ou
  • Proibir o negócio, se vier a concluir que a operação de concentração é suscetível de criar entraves significativos à concorrência nos mercados em causa, com prejuízos para os utentes das unidades de cuidados de saúde hospitalares privadas.

Esta é, tal como recorda a AdC, a segunda investigação aprofundada a operações de concentração que o regulador decide desde o início do ano, depois de ter passado a investigação aprofundada, em maio, à operação que envolve a aquisição do Hospital São Gonçalo de Lagos (HSGL) pelo Grupo Particular do Algarve (Grupo HPA), também esta relacionada com a prestação de cuidados de saúde por privados.