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Rede 5G: o que é, para que serve e quais os impactos para a saúde

A quinta geração de redes móveis permitirá um desempenho muito superior face ao 4G, em termos de fluxo de dados, capacidade e velocidade da resposta da rede.

Photo by Frederik Lipfert on Unsplash
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Autor: Redação

Rede 5G: o que é, para que serve e quais os impactos para a saúde? O 5G está nas bocas do mundo e promete revolucionar o mundo digital. Isto porque a implementação da quinta geração de redes móveis vai mudar a forma como comunicamos: trará mais velocidade, menos latência (menor tempo de resposta), menos falhas e interferências, multiplicando exponencialmente o número de dispositivios conectados em simultâneo. Novos avanços na realidade virtual, na utilização de veículos autónomos, cidades inteligentes e até a monitorização médica remota são outras das novidades que este passo evolutivo poderá representar. Ainda assim, e apesar de todo o seu potencial, as novas redes estão envoltas em controvérsia, nomeadamente sobre a segurança da própria tecnologia e os efeitos para a saúde.

O que é e para que serve o 5G

A Autoridade Nacional de Comunicaçãos (ANACOM) publicou recentemento o guia digital “Rumo ao 5G”, no qual apresenta uma breve explicação sobre o que é esta tecnologia e que serviços vai permitir, e o quadro legal e conjunto de boas práticas necessária para a implementação célere das redes. Neste guia, a ANACOM sublinha que a evolução e implementação do 5G será gradual, e que as gerações móveis anteriores irão manter-se em funcionamento.

A nova geração de redes móveis irá permitir um desempenho muito superior face ao 4G, em termos de fluxo de dados, capacidade e velocidade da resposta da rede - tem uma velocidade de transmissão que pode alcançar os 10 Gbps, 10 vezes superior à tecnologia atual.

Além de melhorar a nossa experiência de utilização das redes móveis (internet mais rápida), espera-se que o 5G venha a impulsionar o desenvolvimento da indústria (por exemplo: agilização da logística, realidade aumentada e controlo de robots); cuidados de saúde à distância (por exemplo: monitorização de doentes e cirurgias remotas); melhorias na prestação de serviços públicos; do setor automóvel (carros conectados, carros autónomos); da agricultura (agricultura de precisão); cidades inteligentes; e do setor da energia.

Como evoluíram as comunicações móveis

Tal como explica a ANACOM, as comunicações móveis digitais tiveram início nos anos 90, com o surgimento da segunda geração móvel (2G), que permitiu a massificação das comunicações de voz e possibilidade de se enviarem mensagens curtas de texto (SMS). Em 2000, surge a terceira geração móvel (3G), e com a ela a introdução dos serviços de dados (acesso à internet móvel). Inicialmente as velocidades eram limitadas, tendo sido reforçadas nos anos seguintes.

Com a procura crescente por serviços de dados mais rápidos, surgiu naturalmente a quarta geração móvel (4G) e, com ela, a massificação do acesso à internet. E agora, num mundo em constante mudança, surge a quinta geração móvel (5G).

O 5G é perigoso para a saúde?

Uma das questões levantadas é se o 5G pode ser perigoso para a saúde, nomeadamente por causa das ondas eletromagnéticas. Num artigo explicativo sobre o tema, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) refere o 5G faz uso da radiação eletromagnética, com um efeito semelhante às redes móveis 2G, 3G e 4G para o corpo humano e que, por isso, não haverá risco para a saúde.

“O 5G em Portugal irá usar sobretudo duas faixas de frequência: 700 MHz e 3,6 GHz. A primeira é inferior às frequências utilizadas nas tecnologias móveis atuais e a segunda, embora mais elevada, não coloca os utilizadores em risco. Os alarmismos não se justificam. Até porque estudos verificaram que quanto mais elevadas são as frequências, menor é a penetração das ondas no tecido humano: a pele atua como um filtro para as ondas eletromagnéticas com frequências mais elevadas. Quanto mais elevadas as frequências, menor é a penetração das ondas, reduzindo a exposição dos órgãos internos”, diz a Deco.

Sobre o aumento do número de antenas, a associação também aponta um esclarecimento: “Com o 5G, a paisagem urbana será marcada por novas antenas em toda a parte: prevê-se um número muito maior de antenas e de estações de base, mais próximas do solo e dos utilizadores, o que tem gerado ondas de pânico junto de alguns grupos da população. Nas zonas urbanas, o 5G irá utilizar faixa de frequências mais elevada e, consequentemente, as ondas terão menor alcance. Serão, por isso, necessárias mais antenas e estações de base. No entanto, mais antenas e menor distância não significa maior exposição às radiações eletromagnéticas: as múltiplas antenas 5G serão mais pequenas e irão operar com níveis de potência mais baixos”.

O biólogo e conselheiro da ONU Eric van Rongen, que estuda os efeitos da radiofrequência para a saúde e é um dos responsáveis do ICNIRP (Comissão Internacional de Proteção de Radiação Não-Ionizante), explicou recenteamente ao Público que “a partir de estudos com frequências mais altas, não se detetou nenhum efeito adverso à saúde”. “O nível de exposição será muito semelhante ao das redes 3G e 4G”, confirma Van Rongen.

Uma vez que as redes 5G não estão a ser usadas em massa, não se podem fazer estudos de impacto, segundo conclui também um relatório de 2019 publicado pelo Parlamento Europeu. No documento é dito que, apesar dos investigadores considerarem que essas ondas não constituem uma ameaça para a população, os estudos feitos até ao momento não abordaram ainda a exposição constante que 5G introduziria.

Rui Aguiar, investigador na área de 5G no Instituto de Telecomunicações, disse também ao jornal Público que “sem evidências de risco, não faz sentido usar o princípio da precaução e travar a inovação”, nomeadamente porque os estudos feitos até ao momento “não mostram que a radiação causa o aumento das doenças, apenas que existe uma correlação”. “Há imensas causas possíveis para isto. A vida na maioria dos países mudou totalmente (...) vivemos com mais stress, mais sedentários, fazemos menos exercício, há mais poluição”, frisou o especialista.