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Construtora MSF recorre à proteção dos credores

Autor: Redação

A MSF Engenharia apresentou na semana passada no Tribunal de Comércio de Lisboa um pedido de proteção de credores, visando a sua viabilização. A construtora terá três meses de salários em atraso e alguns trabalhadores já se despediram com justa causa para acederem ao subsídio de desemprego.

Os principais credores da empresa, que se movia próximo do universo do ex-BES, são o Novo Banco e o BCP, escreve o Expresso.

Segundo a publicação, que se apoia num comunicado da empresa, a decisão de apresentar um pedido de protecção de credores “foi tomada face às dificuldades que tem enfrentado, com a destruição do setor da construção em Portugal, acrescidas pelos enormes sobrecustos que incorreu com os contratos que tem no Qatar”.

A MSF refere que os grandes atrasos na execução das obras no Qatar “são reconhecidamente da responsabilidade dos clientes” e adianta que “as reclamações ainda não foram atendidas”.

A construtora acrescenta que o Processo Especial de Revitalização (PER) foi assinado pelo Novo Banco e BCP, numa “declaração de vontade das partes em iniciarem negociações conducentes à revitalização por meio da aprovação de um plano de recuperação”.

Nesse sentido, a empresa refere que espera conseguir dotar-se “dos meios financeiros necessários" para a realização da sua atividade, salvaguardando os interesses da sua comunidade empresarial.

De referir que o passivo da MSF ronda os 300 milhões de euros, sendo esta uma empresa histórica do setor – está entre as 10 maiores construtoras portuguesas e operando em 12 países.

Depois da Soares da Costa e Opway, ambas em PER, da Teixeira Duarte, que invocou o estatuto de empresas em reestruturação para agilizar despedimentos, da Somague, que registou salários em atraso, e da Edifer e Monte Adriano, absorvidas pelo fundo Vallis, é a vez da MSF a sofrer as consequências da crise.