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Grandes obras públicas só devem chegar ao terreno em 2020 ou 2021

Milivoj Kuhar/Unsplash
Milivoj Kuhar/Unsplash
Autor: Redação

Os grandes projetos de obras públicas só começarão em 2020 ou 2021. Esta é a convicção do presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Reis Campos, para quem o principal problema do setor da construção e do imobiliário reside no investimento público.

Reis Campos explica, em entrevista ao Jornal de Negócios, que Portugal teve “um crescimento da produção da construção da ordem dos 3,5% em 2018: 7% nos edifícios residenciais, 2,8% nos não residenciais e 2% na engenharia civil (obras públicas)”, mas que “em termos de variação real do investimento, de 2010 a 2018, a Europa regista sempre crescimento e em Portugal é negativo”.

O responsável recorda que para as obras públicas tinha sido previsto que 2018 seria um ano de relançamento, mas o que se verifica é que decresceu 11% em termos de concursos promovidos e 7% nos contratos celebrados. “O aumento do investimento público não aconteceu”, garante.

Para 2019, Reis Campos prevê que as obras públicas não cresçam acima de 3%. Defende que esta não é uma previsão conservadora, uma vez que “em 2019 não vai haver nada”, porque os vários concursos públicos para grandes obras "só vão começar em 2020 ou 2021". “Em 2019, quando muito, poderão fazer-se obras do PETI (Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas)”, refere.

Plano Nacional de Investimentos mal recebido no Parlamento

Ao longo da entrevista Reis Campos apela aos “consensos políticos e união empresarial” para a concretização do Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030, que prevê projetos de quase 22 mil milhões de euros para próxima década. “O programa tem de ser calendarizado e concretizado”, diz, sublinhando a ideia de que o consenso sobre estas obras não pode ser “partidário, mas nacional”.

Entretanto, o PNI 2030 chegou ao Parlamento, mas foi mal recebido, escreve a publicação. As críticas foram disparadas de todos os quadrantes: à esquerda e à direita. PSD e CDS acusaram o Governo de eleitoralismo e BE, PCP e Verdes exigiram mais ambição.

Construção e obras públicas em números

  • Contratos de obras públicas em 2018 somaram 1.879 milhões de euros;
  • Peso do investimento público no PIB é menor que no início da década: em 2010 representava 5,3% e agora 2,1%;
  • Setor criou entre 25 a 30 mil empregos em 2018;                       
  • Crédito bancário à construção e imobiliário já pesa menos de 26% do crédito total às empresas;
  • Produção na construção deverá crescer 4% em 2019.