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Faltam 70 mil operários no setor da construção (e no Norte só há 2.800 em formação)

Guilherme Cunha/Unsplash
Guilherme Cunha/Unsplash
Autor: Redação

O setor da construção continua a precisar de aumentar a mão de obra, sendo que patrões e sindicatos estimam que sejam necessários 70 mil operários, como eletricistas, montadores de ar condicionado e outros técnicos especializados. O Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas do Norte (CICCOPN) aumentou o fluxo de formações para responder à “elevada procura” das empresas, mas conta apenas com 2.800 formandos.

“Há ainda trabalho a fazer por parte das entidades oficiais para reforçar a ideia de que a formação profissional, com a sua forte componente prática realizada nas empresas, é uma opção válida em termos de aprendizagem e de percurso profissional”, disse Rui Valente, diretor do CICCOPN, citado pelo Dinheiro Vivo/Diário de Notícias.

As áreas mais procuradas pelos jovens são a informática e a eletricidade enquanto as empresas sentem necessidade de ter mais medidores-orçamentistas, técnicos de obra e desenhadores, por exemplo.

Para Rui Valente, o maior desafio do centro é “ajustar, qualitativa e quantitativamente, a oferta” às necessidades, “prementes e imediatas”, das construtoras. 

Segundo o responsável, há inscrições a decorrer para técnicos de instalações elétricas, de obra, de informática, administrativo e instalador de sistemas térmicos de energias renováveis, cursos que arrancam no início de setembro e terão uma duração aproximada de dois anos e meio. Atribuem dupla certificação, ou seja, equivalência ao ensino secundário e o nível 4 de qualificação profissional.

Paralelamente, estão também abertas inscrições para cursos de educação e formação para adultos nas áreas de medições e orçamentos, técnicos de instalações elétricas e técnicos ou condutores de obra. Destinam-se a quem tem o 12º ano concluído e pretenda uma qualificação profissional. 

Tornar o setor mais atrativo

A falta de trabalhadores no setor deve-se, em parte, ao êxodo da mão de obra mais qualificada. Para Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção Civil, é preciso “valorizar as categorias profissionais” e acabar com classificações como a do trolha, visto como pejorativo. 

O responsável reclama ainda a adaptação da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) às novas realidades: “A maioria dos inspetores não são engenheiros ou técnicos de segurança”.

Também Ricardo Gomes, líder da Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS), reconheceu a falta de atratividade do setor, mas lembrou que não é um exclusivo nacional. “É assim aqui e em toda a Europa. Uma das razões por que não temos trabalhadores é precisamente porque os mercados do norte da Europa, onde a construção está a bombar, atraíram os nossos operários, porque os seus jovens há muito não querem ir para o setor. E os nossos nunca mais vão voltar porque, além de ganharem mais, estão em países que lhes oferecem condições de vida para a família que Portugal não oferece”, argumentou, citado pela publicação.

Para este dirigente empresarial, a resposta está na criação de um sistema de visto específico para permitir a entrada em Portugal, de forma simplificada, de operários dos PALOP e dos países onde as construtoras portugueses estão, há anos, a operar e a formar. “Temos de captar os recursos humanos onde eles existem e não estão a ser aproveitados”, adiantou.

Salário-base da construção pode subir 194 euros

Entretanto, e também segundo o Dinheiro Vivo/Diário de Notícias, os patrões e sindicatos da construção já acordaram sentar-se à mesa em setembro para renegociar a contratação coletiva. O objetivo é, 40 anos depois, fazer uma revisão completa, designadamente dos 150 níveis e sub-níveis profissionais existentes na construção, reduzindo-os e diferenciando-os salarialmente. 

As associações patronais parecem estar disponíveis para uma atualização mínima de 10%, mas que pode chegar ao triplo nos trabalhadores qualificados. Hoje o salário-base é de 606 euros, igual para todos, e as empresas estão dispostas a subir para 800 euros para os operários qualificados, um aumento de 194 euros. Os sindicatos querem, no entanto, uma subida maior, que poderá chegar aos 900 euros.