
A construção residencial no mundo continua a enfrentar vários desafios, desde os conflitos geopolíticos ao aumento dos custos dos materiais, passando pelas mudanças nas políticas governamentais. E, neste contexto, as empresas de construção estão a centrar-se na eficiência e na inovação. Mas quais são os fatores que estão por detrás desta mudança de foco? E quais são as chaves para o sucesso? Explicamos tudo neste artigo tendo por base um estudo que envolveu 669 construtores residenciais de 17 países do mundo.
Procura por construção de casas mantém-se – mas oferta não
O estudo levado a cabo pela PlanRadar - uma plataforma especializada na gestão digital de projetos de construção – revela que o setor da construção residencial está a sentir uma recuperação cautelosamente otimista em 2024, com um aumento constante da atividade, suportado por uma procura sólida. Quase 75% das empresas de construção inquiridas dizem que a procura pelos seus serviços aumentou ou permaneceu estável durante o ano passado.
Mas o crescimento da procura esbarra com uma capacidade de oferta limitada. As restrições financeiras, a escassez de mão de obra e os obstáculos regulamentares continuam a afetar os calendários e orçamentos dos projetos de construção de casas, tornando difícil para os construtores acompanharem as exigências do mercado. Este desalinhamento entre a oferta e a procura realça os desafios críticos que precisam de ser enfrentados para sustentar o crescimento.
Nos mercados de maior dimensão, o setor residencial enfrenta dificuldades. Por exemplo, no Reino Unido a construção de casas novas caiu 17,5%, enquanto na Alemanha as licenças de construção desceram quase 27% em 2023. Estes dados evidenciam um desequilíbrio preocupante: à medida que a procura continua a crescer, o setor da construção enfrenta sérios obstáculos na prestação de serviços, revelando problemas estruturais que necessitam de atenção urgente. Quase 80% dos entrevistados estão sob pressão devido ao aumento dos custos.

Estes são os 3 principais desafios da construção residencial
Para enfrentar um ambiente complexo e satisfazer a procura crescente, as construtoras inquiridas identificaram três desafios principais:
- Escassez de mão de obra: esta questão tem um impacto significativo no aumento dos custos, com quase dois terços dos inquiridos a admitirem que enfrentam aumentos salariais e mais de 75% a reportarem atrasos nos projetos, o que leva à diminuição da produtividade. A falta de trabalhadores qualificados prejudica a capacidade das empresas de cumprir prazos e manter padrões de qualidade, impactando a colocação de mais casas no mercado;
- Incerteza política governamental: quando as políticas estão sujeitas a alterações frequentes ou carecem de clareza, as empresas tendem a hesitar em investir em novos projetos, temendo que regulamentações complexas possam perturbar as suas operações ou aumentar os custos. A maioria dos países é favorável a uma redução das barreiras regulamentares à construção residencial, conclui-se a partir do estudo;
- Restrições financeiras: quase um terço dos inquiridos citou as restrições financeiras como um grande desafio, tornando-se claro que o aumento dos custos dos materiais é um fator crucial entre outras questões, como atrasos nas entregas, dificuldades na aquisição de materiais sustentáveis, problemas de qualidade e escassez. Há consenso entre os construtores inquiridos de que é preciso haver apoios financeiros, tendo mesmo o potencial de tornar a habitação acessível numa realidade. Estes incentivos podem ser uma forma de compensar os elevados custos de construção, permitindo aos promotores investir em projetos residenciais mais acessíveis.
Para resolver estas questões, as empresas de construção propõem ações em diversas frentes: primeiro, reduzir os obstáculos governamentais que limitam a oferta de habitação; segundo, rever as políticas para atrair trabalhadores qualificados do estrangeiro; e finalmente, introduzir incentivos financeiros mais eficazes para estimular o mercado.
No sentido de solucionar a escassez de mão de obra, a maioria dos inquiridos admite que investir em tecnologia aumentaria a rentabilidade através da melhoria da eficiência. Mas, apesar de reconhecerem o potencial das soluções tecnológicas, a sua implementação ainda é lenta. Ainda assim, o mesmo estudo da PlanRadar revela que quase todos os construtores esperam aumentar o investimento em ferramentas digitais nos próximos três anos. Isto apesar de 1 em cada 10 trabalhadores da construção civil na União Europeia enfrenta atualmente uma lacuna significativa em termos de competências digitais.

O que esperar da construção de casas para 2025?
Em 2025, o setor da construção residencial vai continuar a enfrentar um conjunto de oportunidades e desafios em diversas áreas. Por exemplo, o mercado imobiliário alemão não espera uma recuperação significativa no curto prazo, devido a desafios estruturais. Nos EUA, o mercado poderá começar a mostrar sinais de recuperação em 2025, mas as elevadas taxas nos créditos habitação deverão manter as vendas em níveis moderados. No Reino Unido, espera-se que barreiras significativas atrasem o início de novos projetos de construção, especialmente no setor residencial, à medida que a indústria se adapta às novas regulamentações de segurança.
Apesar destas dificuldades, as perspetivas de longo prazo para o setor da construção continuam animadoras. Os analistas estimam um crescimento expressivo do mercado até 2028, graças ao aumento da procura, à diminuição dos juros e às políticas governamentais de apoio. Entre outros motores deste crescimento estão as condições económicas, as preocupações ambientais e os avanços tecnológicos.
Em quase todos os países, mais de metade dos inquiridos estão a explorar novas oportunidades de forma ativa, um sinal de forte compromisso com a inovação e o crescimento da indústria. Apenas cerca de 12% dos construtores estão a reduzir a sua atividade temporariamente enquanto aguardam por uma estabilização do mercado. A Austrália destaca-se nesta tendência, com mais de 40% dos inquiridos a afirmar que estão a abrandar os seus negócios. De qualquer forma, a tendência geral sugere um crescimento planeado da construção de casas.
A melhoria do sentimento positivo no setor da construção está em linha com as previsões de crescimento para os próximos anos. Embora o crescimento económico lento possa trazer dificuldades e desafios no curto prazo para os mercados imobiliários do mundo, as taxas de juro mais baixas deverão ajudar a compensar esta situação, estimulando o crescimento e revitalizando os mercados de capitais.
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