Edifício Transparente parcialmente demolido – arquitetos questionam decisão

Imóvel no Porto será parcialmente demolido e decisão não agrada aos arquitetos que estiveram envolvidos na sua construção e requalificação.
Edifício transparente no Porto
Edifício Transparente, no Porto Google Maps

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, revelaram no início da semana passada que o Edifício Transparente, no Porto, vai ser parcialmente demolido, deixando apenas o piso ao nível da praia, com atividades de suporte à prática balnear. Uma decisão que não agrada aos arquitetos que estiveram diretamente envolvidos com a construção do imóvel e depois, mais tarde, com a sua requalificação. A autarquia está disponível para encontrar novos espaços para as empresas que lá se encontram.

Citado pela Lusa, Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP), disse que a demolição do Edifício Transparente “é uma grande notícia para a cidade do Porto”, considerando que a transformação que vai ali ser promovida vai “libertar a cidade daquele edifício” que funciona “como uma barreira urbanística, arquitetónica, paisagística que separa um parque da cidade único na Europa de uma praia excecionalmente bonita”.

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O autarca espera que a demolição avance em 2027, não tendo especificado os custos da operação, já que o projeto ainda não está elaborado. “Isto vai ser um benefício muito grande para quem nos visita e para os portuenses”, acrescentou.

Pedro Duarte adiantou, ainda, que a CMP está disponível para ajudar os empresários do Edifício Transparente a encontrar espaços alternativos. “Quem está a liderar uma câmara tem sempre de colocar o interesse coletivo acima dos interesses particulares e este é um caso evidente. As pessoas estão ali, mas sabem qual é o prazo que têm para estar ali. (…) Se for preciso o auxílio da Câmara, estamos absolutamente disponíveis para encontrar espaços alternativos”, afirmou.

Entretanto, os arquitetos que estiveram envolvidos na construção do imóvel e depois, mais tarde, na sua requalificação, lamentaram a decisão de avançar com a demolição. Citado pelo Público, Nuno Monteiro, que trabalhou com Manuel de Solà-Morales (1939-2012) – catalão que assinou o projeto –, defende que uma obra arquitetónica não deve ser demolida só porque alguém acha que é feia. E Carlos Prata, responsável pela requalificação posterior do edifício, considera ser “sinal de um certo provincianismo” desvalorizar o trabalho de um arquiteto de renome, conhecido também por ter transformado a frente marítima de Barcelona.

Carlos Prata, de resto, confirma não ter sido ouvido nem por Pedro Duarte nem pela APA, questionando a decisão por vários motivos. Considera a nova solução uma forma de “desvalorizar” o trabalho de Solà-Morales, que quis “quebrar a barreira que existia” e que “cortava a relação entre o Parque da Cidade e o mar”.

*Com Lusa

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