Taxa mista no crédito habitação atinge peso máximo perante incerteza

Juros nos créditos habitação estão a subir à boleia da Euribor. E prestação da casa no stock atingiu recorde, revela BdP.
Crédito habitação em Portugal
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Os juros nas novas operações de crédito habitação em Portugal voltaram a subir em maio para 2,89%, embora continuem abaixo da taxa registada há um ano. A explicar esta tendência está o ajuste do mercado financeiro à incerteza gerada pelo conflito no Médio Oriente, que elevou as taxas Euribor para novos outros patamares. As taxas mistas registaram maior peso de sempre nas novas operações, reforçando o seu papel de refúgio. E a prestação da casa no stock de empréstimos habitação “atingiu o valor máximo da série histórica”, revela o Banco de Portugal (BdP).

A taxa de juro média das novas operações de crédito habitação - que inclui novos contratos e renegociações - atingiu em maio 2,89%, um valor que compara com 2,85% no mês anterior e 2,97% um ano antes, revelam os dados do BdP divulgados na passada sexta-feira (dia 3 de julho). Este é o segundo mês seguido que este indicador está a crescer. No contexto europeu, Portugal apresenta a quarta taxa mais baixa e é bem inferior à média da área euro (3,45% em maio).

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Esta subida os juros resultou dos novos contratos de crédito habitação, cuja taxa de juro média cresceu para 2,91% em maio, acima dos 2,86% registados em abril. Já a taxa de juro média dos contratos renegociados permaneceu em 2,83%, informa o supervisor bancário. Ambas continuam abaixo dos valores registados há um ano (de 2,91% e 3,23%, respetivamente).

Este aumento dos juros deve-se aos ajustes dos mercados financeiros ao atual contexto de incerteza gerado pela guerra no Irão. As taxas Euribor estão a subir desde o início do conflito e, ao que tudo indica, já estão a influenciar outros tipos de juros. Os mesmos dados do BdP indicam que nas novas operações de empréstimos para a compra de casa própria, a taxa mista média aumentou 0,03 pontos percentuais (p.p.) para 2,77%. E a taxa variável cresceu 0,07 p.p. para 3,05%.

A taxa mista – que inclui um período inicial de juros fixos seguido de variável – continua, assim, a ser mais acessível às carteiras das famílias além de dar estabilidade nas prestações da casa no curto prazo no atual cenário geopolítico incerto. Por isso é que, em maio, “85% dos novos empréstimos à habitação foram contratados a taxa mista”, informa o supervisor liderado por Álvaro Santos Pereira. Trata-se da maior percentagem de créditos a taxa mista registada desde maio de 2021, o início da série.

As taxas fixas também ganharam um ligeiro peso neste contexto, passando de 1,58% em abril para 1,82% em maio. Embora deem estabilidade em todo o contrato, a taxa fixa é a opção bem mais cara no imediato, uma vez que os juros estão nos 3,77%. Estes dados vão ao encontro da perspetiva do mercado que esperava uma maior procura por créditos habitação a taxa fixa ou mista perante as novas regras da taxa de esforço do BdP (limite máximo passou de 50% para 45%).

Em contrapartida, os empréstimos da casa a taxa variável voltaram a perder terreno (pesaram 13% do total em maio, enquanto no mês passado pesavam 15%). A taxa Euribor mais utilizada nos novos créditos são a 6 meses (49%), seguida da Euribor a 12 meses (34%) e da Euribor a 3 meses (11%).

Apesar do contexto mais exigente, “os novos contratos de empréstimos para habitação aumentaram 89 milhões de euros, totalizando 2.168 milhões de euros em maio”, referiu ainda o BdP. Trata-se de um dos valores mais elevados na série disponível que remonta a 2014.

Considerando o stock de empréstimos habitação, o banco central informa que a prestação média mensal “aumentou pelo nono mês consecutivo e atingiu o valor máximo da série histórica, de 432 euros", mais 4 euros do que em abril e mais 14 euros do que no final de 2025. “Este aumento resultou quer do aumento da prestação média dos contratos já existentes, quer dos novos contratos, que apresentaram prestações médias mais elevadas”, explica o BdP no boletim.

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