Atelier português projeta torres em mármore de Tomorri na Albânia

O mármore de Tomorri reflete as tonalidades da paisagem onde o edifício se insere, entre a montanha e o mar.
Duas
OODA

O atelier de arquitetura português OODA projetou duas torres de uso misto no município de Vlorë, na Albânia, revestidas em mármore de Tomorri, uma pedra natural extraída precisamente daquele país balcã. 

Depois de oito pedras estudadas, a escolha recaiu sobre o mármore de Tomorri, que apresenta uma reduzida presença de veios, refletindo as tonalidades das colinas do outro lado da baía. Integrando hotelaria, comércio e habitação, o edifício projetado pelo OODA é definido por três volumes distintos: uma laje horizontal na base, um volume vertical que se ergue sobre ela e uma segunda laje horizontal que regressa no topo para concluir a composição.

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Em referência à relação entre os dois volumes, num conceito que parte de um bloco prismático de pedra colocado em duas posições, as torres recebem o nome Duas. O protagonista do projeto, o mármore de Tomorri, sai da pedreira em bloco retangular serrado da bancada e empilhado com outros iguais, sendo posteriormente colocado em duas posições, indica, em comunicado, o atelier fundado no Porto.

Ambas as torres têm uma composição idêntica, sendo que a única distinção entre si é a planta, uma vez que uma das torres desenvolve-se a partir de um quadrado com 30 por 25 metros e a outra de um círculo com 26 metros de diâmetro. 

A tradição têxtil do sul da Albânia foi o grande ponto de partida para a geometria do projeto, reinterpretando o rrodhe, um motivo tradicional dos tapetes albaneses, como uma figura escalonada, e não como ornamentação.

Aparência das fachadas determinada pela luz

Duas
OODA

As fachadas das duas torres são integralmente revestidas pelo mármore branco de Tomorri, com lâminas de pedra a projetarem-se para além do alinhamento das lajes e enquadrando as vistas, ao mesmo tempo que reduzem a incidência do sol baixo sobre as superfícies envidraçadas e conferem profundidade às fachadas.

A perceção do edifício vai mudando ao longo do dia, com o movimento das sombras a transformá-lo continuamente. Uma vez que o mármore praticamente não possui uma cor própria, são as condições de luz que determinam a aparência das fachadas: frias ao amanhecer, refletindo as tonalidades das colinas ao final da tarde e aproximando-se da cor do céu ao entardecer. Não procuram desaparecer, mas também não se afirmam sobre a paisagem.

Em diálogo com o horizonte marítimo

Duas
OODA

Um dos quatro princípios fundamentais da composição volumétrica é a orientação das vistas para o mar. Os restantes três princípios baseiam-se na resposta à proximidade dos edifícios vizinhos através de recuos estratégicos, na adaptação da implantação à geometria irregular dos dois lotes e na libertação do piso térreo para acolher espaços de utilização pública. 

Com 24 pisos e uma cobertura, as duas torres elevam-se até aos 98 metros e as suas posições foram determinadas através de estudos de incidência solar, de modo a assegurar o acesso de ambas à luz natural.

O edifício conta com estacionamento, áreas técnicas em cave, espaços comerciais ao nível da rua, pisos de hotel, pisos residenciais e, na cobertura, um restaurante e um skybar com vista panorâmica. Já ao nível do solo encontram-se jardins com carvalho-húngaro, plátanos e murta, enquanto o projeto paisagístico na cobertura integra apenas espécies que são de origem mediterrânica resistente à seca, como a oliveira- brava, o alecrim, a sálvia, o chá-da-montanha, a alfazema e a eufórbia-albanesa.

Compromisso com a sustentabilidade

Duas
OODA

A preocupação com o meio ambiente é um dos pilares deste projeto, com uma estratégia ambiental desenvolvida em torno de quatro eixos: gestão eficiente de energia e água, saúde e bem-estar, promoção da biodiversidade e seleção criteriosa dos materiais.

Atualmente encontram-se em estudo três alternativas de baixo carbono para substituir parcialmente o cimento: o metacaulino (com uma substituição de 30%), a escória de alto-forno (40%) e a sílica Seratech (30%). Materiais recuperados de demolições e obras locais vão substituir parte dos agregados grossos, enquanto as placas de gesso cartonado e o poliestireno extrudido serão substituídos por soluções de base biológica, como painéis de cânhamo com argila, painéis e isolamento em fibra de madeira e isolamento em celulose proveniente de papel reciclado, que regulam a humidade de forma natural, resistem ao fogo e reduzem o carbono incorporado.

Além disso, as águas pluviais são recolhidas e reutilizadas para o edifício e para a rega dos espaços exteriores.

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