O que é nacional é bom: 5 estúdios de arquitetura portugueses que deves conhecer

De ateliers jovens a estruturas consolidadas, estes cinco gabinetes mostram a vitalidade da arquitetura em Portugal.
Estúdio de arquitetura
Magnific
Rafael Bermejo
Rafael Bermejo (Colaborador do idealista news)

Comecemos pelo óbvio: com tantos ateliers entre os quais escolher, esta pequena seleção de arquitetos portugueses é, como qualquer outra, totalmente subjetiva e resulta da consulta de várias fontes. A escolha não assenta no número ou na dimensão dos projetos do estúdio, nem no volume de equipas ou nos anos de carreira.

Se fosse esse o critério, aqui teriam de entrar nomes como Aires Mateus, Mário Martins, Pedro Domingos Arquitectos, Bernardes Arquitectura (brasileiros, mas com escritório em Lisboa) ou Carvalho Araújo, para citar apenas alguns dos que ficaram de fora.

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Entre os cinco ateliers que compõem a nossa lista, uns têm uma forte vertente de docência, outros apostam mais na investigação, mas todos se distinguem por um portefólio de obras singulares.

OODA

Estudio OODA
©ooda.eu

Para a OODA, que abre o seu site com uma pergunta contundente – “como se desenvolverá a vida enquanto preservamos passado, presente e futuro?” – a arquitetura está intrinsecamente ligada ao contexto. O trabalho do estúdio é guiado por um credo simples mas exigente: “observar, orientar, experimentar, decidir, agir”.

Com “raízes” no Porto e escritórios em Lisboa e Tirana (Albânia), a OODA evoluiu, em 15 anos, de um pequeno gabinete de dois arquitetos – os fundadores Rodrigo Vilas‑Boas e Diogo Brito – para uma estrutura com cerca de 60 arquitetos de uma dezena de nacionalidades. Hoje, o estúdio conta já com cinco sócios e um portefólio que se espalha por vários países.

ATELIER LOCAL

Extrastudio
©extrastudio

Depois de se formarem em Arquitetura pela Universidade do Porto (FAUP), João Paupério e Maria Rebelo trabalharam, entre 2015 e 2018, no estúdio Baukunst, fundado por Adrien Verschuere, em Bruxelas. 

Em 2019 decidiram abrir o Atelier Local, em Valongo, uma pequena cidade colada ao Porto, embora só quatro anos mais tarde tenham concluído o primeiro projeto: a Studio House, que recebeu uma menção honrosa (segundo lugar) na primeira edição do Prémio Manuel Graça Dias, organizado pela Ordem dos Arquitectos e dirigido a projetos de arquitetos recém‑formados.

Um ano depois, a Casa em Ancede foi distinguida com o Prémio Forma, na categoria de jovens arquitetos emergentes, e nomeada finalista dos prémios ibéricos do festival Arquia/próxima. A carreira do Atelier Local tem, sem dúvida, tudo para correr bem: em 2025, o estúdio foi ainda selecionado para o Prémio Début da Trienal de Lisboa.

PIMAA

Estúdio Pimaa
©pimaa.pt

Fundado em 2007 por José Pires Marques e Gonçalo Pires Marques, o atelier Pimaa tem vindo a ganhar terreno no panorama português. 

Entre os seus trabalhos recentes, destacam‑se as Cabanas Donavan (2024), na Comporta: um projeto descrito como de “forte compromisso ecológico”, que coloca em primeiro plano a preservação do pinhal onde se implanta. “Em vez de raspar o terreno, as cabanas são colocadas estrategicamente entre as árvores, permitindo que a natureza molde a arquitetura”, lê‑se na página do estúdio.

Também merece nota a forma como entendem a profissão, “combinando funcionalidade, sustentabilidade e ligação emocional”. O trabalho da Pimaa tem sido reconhecido em vários concursos e prémios, entre os quais: 

  • Prémio Sil de Reabilitação Urbana;
  • Prémio Internacional de Arquitectura Sustentável da Universidade de Ferrara; 
  • Archilovers – Best Project
  • ArchDaily – Building of the Year.

EXTRASTUDIO

Estudio Fala
©paulocatrica+baldessari team

Composto por quase uma dezena de profissionais, este atelier sediado em Lisboa foi fundado em 2003 por João Caldeira e João Costa

Com uma filosofia de trabalho em que, como se lê no seu site, “o desenho é o resultado do contexto e do engenho e a arquitetura, o diálogo entre condição, desempenho e carácter”, o estúdio desenvolve projetos “que fazem parte da vida das pessoas, da rotina urbana e da paisagem”.

Como qualquer bom estúdio, tem marcado presença em vários concursos de arquitetura, incluindo o desenho de parques urbanos, como o Parque da Hoya, em Almería, ou o parque de Valdebebas, em Madrid.

FALA

Entre o Porto e Lausana, o estúdio Fala, fundado em 2013 e liderado por Filipe Magalhães, Ana Luísa Soares, Ahmed Belkhodja e Lera Samovich, prefere “diluir as identidades individuais”, explica Magalhães quando lhe perguntamos o porquê dos círculos de cores no retrato do grupo.

Da Fala destaca‑se um portefólio já com cerca de 70 projetos construídos, mas também uma intensa atividade docente iniciada há uma década. Passaram pela Royal Academy of Arts, em Londres, e pelo Politécnico de Milão

No outono de 2026 darão aulas na Escola de Arquitectura de Yale e, na primavera de 2027, na Universidade de Tóquio.

Como se não bastasse, supervisionam o programa arquitetónico do Museu de Arte Contemporânea e do Centro de Arquitectura do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. 

Sobre a forma como entendem a disciplina, Filipe Magalhães resume ao idealista/news que “a Fala não vê a arquitetura tanto como a produção isolada de edifícios, mas como a construção de um conjunto interligado de obras: um ‘arquipélago’ de projetos que se relacionam entre si através de ideias, formas e experiências recorrentes.”

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