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Bankinter quer Portugal a gerar 10% do negócio, apostando no crédito à habitação e banca de empresas

Presidente do Bankinter, na apresentação de resultados anuais
Maria Dolores Dancausa, CEO do banco espanhol, está muito satisfeita com operação portuguesa / Banco Bankinter
Autor: Tânia Ferreira

O banco espanhol Bankinter está determinado a crescer em Portugal, tendo como objetivo que, dentro de dois anos, 10% das suas receitas totais sejam geradas a partir do mercado luso- onde entrou há 10 meses com a compra do negócio local do Barclays por 86 milhões de euros. A grande aposta do momento é o crédito à habitação, mas o banco - que diz ser o mais eficiente e rentável de Espanha - também quer ganhar dimensão na área de empresas em Portugal.

"Estamos muito satisfeitos com a compra de Portugal", declarou esta quinta-feira a presidente do Bankinter, Maria Dolores Dancausa, garantindo que esta é uma operação de longo prazo.

"Depois de 51 anos só com presença em Espanha, decidimos investir fora, em Portugal, e a nossa estratégia não passa por vender dentro alguns anos, mas sim por crescer organicamente, sem mais aquisições, e ser um exemplo para o sistema financeiro português pela nossa eficiência e rentabilidade" explicou a gestora aos jornalistas, em Madrid, no âmbito da apresentação de contas anuais do banco.

A banca digital é o 'ponto' forte do Bankinter em Espanha e Dancausa está convencida de que este vai ser um trunfo para "crescer em Portugal", estando a instituição agora empenhada em terminar o processo de integração e em fortalecer o reconhecimento da marca.

Crédito à habitação competitivo

O crédito à habitação é o grande foco do banco atualmente em Portugal, onde tem em curso uma forte campanha para angariar novos clientes, que "está a correr muito bem", segundo declarou, por sua vez, líder do Bankinter em Portugal, Carlos Brandão.

Sendo responsável pela produção de 5% do mercado total de crédito à habitação em Portugal, o objetivo do banco é duplicar este valor em dois anos, prometendo para isso oferecer condições competitivas, seja em termos de spreads, produtos ou comissões associadas.

Apesar de uma maior tendência dos portugueses para os empréstimos para a compra de casa por taxas fixas (com um acréstimo de 20% da procura), a maioria dos contratos continua a ser feita com base em taxas variáveis indexadas à Euribor ou mistas (fixas durante cinco ou dez anos e variáveis no restante período do financiamento).

Parceiro das empresas

A banca de empresas, segmento em que historicamente o Bankinter é mais forte em Espanha, é o outro pilar da estratégia de crescimento no mercado português. "Em 2017, a ideia é mesmo crescer mais em empresas do que em particulares" revelou a presidente do banco.

Nos nove meses de vida do Bankinter Portugal, foram concedidos 600 milhões de euros de crédito e os clientes particulares representam cerca de 80% da operação, mas o objetivo é manter a meta traçada de em 2018 ter 60% de clientes particulares e 40% de empresas. 

Com uma rede de 84 agências e 900 trabalhadores, o Bankinter Portugal prevê fazer apenas "ajustes pontuais", considerando Carlos Brandão que "de momento estes são os recursos adequados".

O banco mais eficiente de Espanha

Depois de ter passado a crise vivida pela banca espanhola, com uma trajetória de crescimento, o Bankinter fechou o ano de 2016 com resultados históricos de 490 milhões de euros consolidados, mais 30,4% do que em 2015. Já os nove meses de atividade da operação portuguesa geraram em 2016 um lucro de 96,3 milhões de euros.

"O nosso lucro deste ano seria menor, na ordem dos 426,5 milhões de euros, e apenas mais 13,4% face ao ano anterior) sem considerar a operação do Bankinter Portugal", referiu Maria Dolores Dancausa na apresentação de resultados.

"Este é o momento certo para estar em Portugal", considera a gestora, que vê as atuais fragilidades do sistema financeiro nacional como “uma enorme oportunidade”.