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Imobiliária Century 21 fatura mais de 19 milhões (já) em tempos de pandemia

Resultados obtidos no primeiro trimestre “foram mais positivos” que o estimado, indica a mediadora imobiliária.

Daniel Seßler on Unsplash
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Autor: Redação

A faturação da mediadora imobiliária Century 21 (C21) superou os 19 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, menos que os 20,5 milhões registados no período homólogo. Uma queda que é justificada com o impacto da pandemia da Covid-19, tendo também recuado o volume de negócios em que a rede esteve envolvida – considerando também a partilha de transações com outros operadores: passou de 869,7 milhões em 2019 para 800 milhões nos primeiros seis meses do ano. Trata-se de um decréscimo de 7% em ambos os indicadores, revela a C21 em comunicado, adiantando que as tipologias de imóveis mais procuradas pelos portugueses continuam a ser T2 e T3. 

Entre janeiro e junho deste ano, a C21 realizou 5.087 transações de venda, menos 788 que no mesmo período de 2019. De referir, no entanto, que no primeiro semestre do ano, o valor médio dos imóveis transacionados aumentou 8% para os 166.359 euros, face à média de 154.400 euros registados período homólogo.

“Apesar do contexto de pandemia, os preços de venda de habitações mantiveram uma trajetória ascendente, a nível nacional. Quando se analisa este indicador por trimestre, verifica-se que o valor médio dos imóveis entre janeiro e março se situava nos 163.061 euros. Já nos meses de abril, maio e junho, os imóveis foram transacionados por um valor médio de 169.367 euros”, lê-se no documento.

Segundo Ricardo Sousa, CEO da C21 Portugal, os resultados obtidos no primeiro trimestre “foram mais positivos” que o estimado, “sobretudo, no que se refere aos indicadores de operação do segundo trimestre”. “A principal razão da quebra de faturação prende-se com a suspensão dos processos de compra, em março e abril, que se refletiram na diminuição de escrituras em abril e maio. Contudo, em junho, as dinâmicas de procura, negociação e realização de transações já atingiram, praticamente, os mesmos níveis de 2019”, conta.

Relativamente aos preços de venda dos imóveis, Ricardo Sousa lembra que no mercado imobiliário residencial os valores “são pouco elásticos”, havendo “uma grande resistência na descida de preços”. “Não é expetável uma alteração expressiva do valor real dos imóveis nos próximos meses. Esta situação irá fomentar um aumento do tempo médio de venda dos imóveis, provocando uma diminuição do número de transações, no curto prazo. Serão os proprietários com urgência em vender que irão fazer ajustes nos preços para conseguirem concretizar uma venda rápida dos seus imóveis”, antevê.

Arrendamento abranda 

No que diz respeito ao mercado de arrendamento, os dados da C21 Portugal concluem que se realizaram 1.014 transações nos primeiros seis meses do ano, menos 216 que no mesmo período do ano passado, o que representa uma quebra de 18%.

De acordo com a mediadora, o valor médio de renda situou-se nos 833 euros, um valor 1% superior face à média de 822 euros registada no período homólogo. “Na análise por trimestre, que permite já avaliar o impacto do fator Covid-19, a média nacional de rendas nos três primeiros meses do ano fixava-se nos 893 euros, enquanto em abril, maio e junho este valor baixou para os 772 euros, o que revela um decréscimo médio de 13,5%, no último trimestre”, revela a mediadora. 

Mais portugueses a comprar

Outra das conclusões a retirar dos dados divulgados pela C21 Portugal é a de que, no primeiro trimestre do ano, houve mais portugueses a comprar casa que há um ano: 86% do total (81% no primeiro trimestre de 2019) contra 14% de estrangeiros. 

“Claramente, este foi o segmento de mercado que sofreu o maior impacto negativo em contexto de pandemia. Ao longo do primeiro semestre deste ano, na rede C21 Portugal foram efetuadas 709 transações de clientes internacionais, o que revela uma quebra de 33% relativamente às 1.058 efetuadas no período homólogo”, explica a mediadora.

A C21 Portugal adianta ainda que continuou a crescer no primeiro trimestre do ano, tendo mais 11 agências em todo o país – são ao todo, agora, 152 unidades e mais de 3.500 consultores imobiliários.

O que esperar do setor no futuro?

A C21 Portugal considera que “o setor imobiliário está a demonstrar resiliência e estabilidade” em tempos de pandemia e que “o comportamento do mercado – nos critérios de valores, perfil de procura, tipologias e áreas – não sofreu alterações significativas face ao que se verificava em 2019”. 

O mercado imobiliário está ativo, regista uma procura estável, os bancos continuam a conceder crédito à habitação, e esta conjugação de fatores indicia uma recuperação progressiva do setor
Century 21 Portugal

“O mercado imobiliário está ativo, regista uma procura estável, os bancos continuam a conceder crédito à habitação, e esta conjugação de fatores indicia uma recuperação progressiva do setor”, conclui a mediadora, frisando, no entanto, que há “uma pressão crescente para repensar o plano urbanístico das cidades, os processos de licenciamento, os tipos de construção e a estratégia para os transportes públicos intermunicipais”, nomeadamente “numa perspectiva integrada e ambientalmente sustentável”.

A mediadora alerta para a possibilidade dos proprietários terem de “adoptar uma relação mais equilibrada com os compradores”, o que além de ser positivo é necessário. “É igualmente expetável que, face à atual situação económica, alguns proprietários tenham necessidade urgente de vender para enfrentar eventuais faltas de liquidez, aplicando descontos mais agressivos no preço, para conseguir uma venda rápida dos seus imóveis, no curto prazo”, lê-se no comunicado da C21 Portugal.