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"Sem as moratórias, o mercado já teria sofrido uma quebra significativa no valor dos imóveis"

O ex-jogador de futebol Miguel Garcia lidera a GPK, que em plena pandemia continua a fazer negócios no mundo imobiliário, tal como revela em entrevista ao idealista/news.

Acompanhado do amigo e sócio, Nuno Garcia, o ex-jogador de futebol, Miguel Garcia à direita. / GPK
Acompanhado do amigo e sócio, Nuno Garcia, o ex-jogador de futebol, Miguel Garcia à direita. / GPK
Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

Habituado às glórias de um longo percurso desportivo ligado ao futebol profissional, Miguel Garcia, 37 anos, saltou para a ribalta pelo golo que meteu em Alkmaar, Holanda, que levou o Sporting à final da Liga Europa na época de 2004/2005. Entretanto, deu o pontapé de saída no mundo empresarial e é no imobiliário onde agora joga. Em entrevista ao idealista/news, o ex-jogador revela que, apesar da pandemia, "o ano de 2020 vai ser de crescimento para a Global Pro Kick Management & Consulting (GPK)" - empresa que fundou em 2017 com o amigo Nuno Garcia -, faz uma análise ao mercado imobiliário no atual contexto e deixa mensagens ao Governo no sentido de acautelar o final das moratórias e de manter os vistos gold.

Sportinguista desde pequeno, Miguel Garcia foi defesa direito também no Olhanense e no SC Braga, e depois de uma breve passagem por Itália, seguiu-se a Turquia e a Índia, onde acabou por despedir-se dos relvados.

Durante o percurso desportivo, o jovem de Moura, no Alentejo, continuou os estudos, primeiro na Faculdade de Motricidade Humana, mas acabou por fazer uma transferência para o curso de gestão imobiliária da ESAI - Escola Superior de Atividades Imobiliárias, em 2009. O gosto pela gestão e pelas finanças, sobretudo ligadas ao imobiliário, começou quando, ainda jogador, os colegas lhe perguntavam como investir o dinheiro.

O seu caminho estava traçado. Logo que teve oportunidade abriu, com um sócio, o advogado Nuno Garcia, a GPK, dedicada à gestão e consultoria de investimentos imobiliários. Isto aconteceu em 2017, em Lisboa, e dois anos depois, em 2019, geria já ativos de cerca de 4 milhões de euros, acompanhando sobretudo jogadores profissionais. Este ano, e apesar do contexto de pandemia, será também de crescimento da empresa, tal como revela Miguel Garcia em entrevista ao idealista/news.

Como se caracteriza a carteira de clientes da GPK?

Principalmente por jogadores de futebol (nacionais, internacionais, a trabalharem em Portugal e no estrangeiro), bem como por antigos jogadores. Por inerência, também tem vindo a apoiar vários intervenientes ligados ao mundo do desporto em geral, i.e., trabalha com administradores e diretores de clubes, agentes, treinadores e atletas de outras modalidades desportivas.

No que concerne à identificação dos seus clientes, sem prejuízo das atuais regras vigentes relativas à proteção de dados, a GPK está, por sua própria regulação, abrangido por regras muito estritas referentes ao sigilo e confidencialidade na relação com os seus clientes.

A GPK acompanhou algumas operações imobiliárias na Herdade da Aroeira, Cascais, Estoril e Albufeira. São localizações de eleição para os seus clientes, quer na vertente do investimento para rendimento, quer para habitação.

Qual o impacto que a pandemia de Covid-19 está a ter na atividade da GPK?

Do ponto de vista financeiro, a atividade da GPK tem decorrido com total normalidade. 2020 será, como sempre tem sido, um ano de crescimento da empresa.

Não quer isto dizer que a GPK não olhe para este contexto de pandemia com cautela ou preocupação, mas tem tentado sempre observá-lo sob a ótica da oportunidade e do desafio, que leva a empresa a atualizar permanentemente, e com mais acuidade, o conhecimento sobre o comportamento dos mercados imobiliário e financeiro em geral, de modo a poder aconselhar, com mais solidez e eficácia, os seus clientes.

Como se tinha caracterizado a atividade da Global Pro Kick em 2019, antes de rebentar a crise?

Nesse ano, a GPK desenvolveu a sua atividade normal de consultoria junto dos seus clientes, apostando igualmente no alargamento das suas parcerias estratégicas junto de clubes de futebol profissional em Portugal e no estrangeiro. Adicionalmente foi um ano em que a GPK apostou em aumentar consideravelmente o seu investimento imobiliário próprio.

A preocupação dos clientes da GPK deverá ser a da maior parte dos players do imobiliário, ou seja, será que compro agora? Devo vender agora? Ou devo antes arrendar? Nós consideramos que opiniões há muitas e à medida de todos os gostos, relativamente, ao comportamento do mercado imobiliário no presente e num futuro próximo, como se percebe hoje em dia.

Quais as operações e negócios que se destacaram?

Pela sua novidade para a empresa, destacou-se a aquisição de diversos apartamentos nos concelhos de Lisboa e de Cascais, a intervenção ao nível da reabilitação e a sua venda a final. Foi o primeiro projeto, de compra para revenda, de um conjunto de imóveis, com alguma dimensão executado, em todas as suas fases, pela GPK.

A GPK acompanhou algumas operações imobiliárias na Herdade da Aroeira, Cascais, Estoril e Albufeira. São localizações de eleição para os seus clientes, quer na vertente do investimento para rendimento, quer para habitação.

Quais são as principais preocupações dos clientes no atual contexto?

A preocupação dos clientes da GPK deverá ser a da maior parte dos players do imobiliário, ou seja, será que compro agora? Devo vender agora? Ou devo antes arrendar? Nós consideramos que opiniões há muitas e à medida de todos os gostos, relativamente, ao comportamento do mercado imobiliário no presente e num futuro próximo, como se percebe hoje em dia.

Imensos promotores, que já tinham os seus projetos residenciais em execução, conseguiram, em meados deste ano, adaptá-los, reduzindo, e.g., o número de quartos para utilizarem a área sobrante num aumento das áreas da sala de estar e varandas.

E que conselhos podem dar em relação a esta situação?

Muito resumidamente, continuam a ser os mesmos de sempre, i.e., vender, se a rentabilidade for boa; investir, se a rentabilidade versus risco for boa. Isto na medida em que o mercado continua e sempre continuará a funcionar, como nos indicam os dados estatísticos das últimas décadas.

Nesse particular, a GPK analisa o contexto e os pedidos concretos dos seus clientes, emitindo os seus pareceres fundamentadamente, de modo a que os mesmos atinjam sempre os seus objetivos, sejam estes de rentabilidade para investimento, sejam de eficácia na aquisição de casa para habitação própria.

A situação que vive o setor vai levar à promoção de projetos inovadores?

Não temos dúvidas disso. A inovação tecnológica na mediação imobiliária, por exemplo, é uma certeza já implementada. Na promoção, não diria que haja inovação, mas sim adaptação.

Imensos promotores, que já tinham os seus projetos residenciais em execução, conseguiram, em meados deste ano, adaptá-los, reduzindo, e.g., o número de quartos para utilizarem a área sobrante num aumento das áreas da sala de estar e varandas.

Parece-nos urgente que o Governo encontre soluções que preparem o fim das moratórias, sob pena de a ‘emenda ser pior que o soneto’.

Como carateriza as medidas tomadas pelo Governo para fazer face à atual situação das empresas?

Em relação às moratórias, entende-se que poderão ter tido um papel importante no mercado imobiliário, permitindo a milhares de proprietários não serem obrigados a colocar os seus imóveis para venda sob pressão.

Sem estas moratórias, parece-nos claro que o mercado já teria sofrido uma quebra significativa no valor dos imóveis, uma vez que a oferta aumentaria consideravelmente em muito pouco tempo e, consequentemente, a procura não conseguiria acompanhar aquela.

Agora, parece-nos também urgente que o Governo encontre soluções que preparem o fim das moratórias, sob pena de a ‘emenda ser pior que o soneto’.

Que outras medidas deveriam ser tomadas para não agravar a situação das empresas e do imobiliário?

O que o setor imobiliário precisa, ontem, hoje e amanhã é de investimento. Neste sentido, alterar os benefícios fiscais e/ou reduzir a carga fiscal para que as empresas sejam favorecidas, quando optam por investir no seu setor em vez de distribuir dividendos (sim, porque as empresas que podem distribuir dividendos, são as que estão na posse de capitais prontos para investir).

Os famosos vistos gold, não só continuam a captar imenso investimento estrangeiro no nosso país, como é factual que continuarão a fazê-lo. Por isso, não nos parece que estejamos em condições de negar esse investimento nesta fase.

Muito importante também, no sentido do tema vistos gold e outros mecanismos existentes, é imprescindível que o Governo português acompanhe de perto o que a nossa concorrência, nomeadamente os governos dos restantes países da UE, têm feito ou fazem no que toca aos referidos mecanismos. Isto porque um investidor vindo de fora da UE, quando procede à análise da escolha do país para investimento, terá sempre em consideração, logicamente, os benefícios e as cargas fiscais em vigor nos vários países.

Os famosos vistos gold, não só continuam a captar imenso investimento estrangeiro no nosso país, como é factual que continuarão a fazê-lo. Por isso, não nos parece que estejamos em condições de negar esse investimento nesta fase.