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Pandora Papers: arquiteto Tomás Taveira beneficiou de offshore nos EUA

Desenhador das Amoreiras e de vários estádios de futebol passou a ter poderes para movimentar contas da offshore na Suíça.

Tomás Taveira envolvido nos Pandora Papers
Torres das Amoreiras, Lisboa / Flickr/Creative commons
Autor: Redação

Há mais portugueses envolvidos nos Pandora Papers, o mais recente escândalo global que envolve negócios duvidosos em offshores secretas. Desta vez, o arquiteto Tomás Taveira, famoso por ter desenhado as Torres das Amoreiras em Lisboa, foi referenciado nesta investigação por ter sido beneficiário de uma empresa offshore incorporada em Delware, que é, por sinal, o paraíso fiscal mais famoso dos Estados Unidos. Também o cineasta Leonel Vieira está na malha desta investigação.

Em concreto, o arquiteto Tomás Taveira, hoje com 82 anos, foi beneficiário efetivo da Urban Planners LLC, uma empresa que foi instalada no estado de Delware, EUA, em 2009. E foi a sucursal das Ilhas Virgens Britânicas do gabinete de advogados Alemán, Cordero, Galindo & Lee (Alcogal) que tratou de incorporar a empresa neste paraíso fiscal dos EUA a pedido da Gestar, uma empresa do Grupo Espírito Santo que esteve envolvida em esquemas de ocultação de fortunas do caso BES, escreve o jornal Expresso.

O gabinete de advogados Alcogal foi uma das fontes da fuga de informação obtida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ). E os documentos vazados mostram que o gabinete disponibilizou dois administradores de fachada para a Urban Planners e que o arquiteto não surge como acionista da empresa.

Então, como é que Tomás Taveira foi associado à empresa? O autor dos estádios de Alvalade, Leiria e Aveiro passou a ter poderes para abrir e movimentar contas tituladas pela Urban Planners no Banque Privée Espírito Santo (BPES), na Suíça, segundo revela uma procuração de maio de 2009, revela o mesmo jornal que participou nos Pandora Papers.

Tomás Taveira envolvido nos Pandora Papers
Estádio de Alvalade, Lisboa / Wikimedia commons

Cineasta Leonel Vieira envolvido no imbróglio

Também o cineasta Leonel Vieira foi apanhado nas malhas da investigação. Conhecido por fazer filmes como “O Pátio das Cantigas” e “O Leão da Estrela”, o realizador e produtor de cinema surge como beneficiário efetivo da Newlux Entertainment LLC, uma empresa também incorporada em Delaware.

A criação da empresa surge num momento em que estava em cima da mesa produzir projetos nos EUA, algo que não chegou a acontecer. E a escolha do estado norte-americano foi justificada pela facilidade que apresenta na constituição de empresas e não pelas vantagens fiscais, explicou Leonel Vieira ao mesmo jornal. Como a empresa nunca teve atividade, o cineasta português admite que vai “avançar com o imediato encerramento”.