Travão às rendas traz perdas de milhões a fundos imobiliários

Maior fundo imobiliário terá perdido quase 24 milhões de euros num ano devido às limitações na atualização das rendas comerciais.
Rentabilização dos imóveis comerciais
Foto de Andrea Piacquadio no Pexels

Os fundos de investimento imobiliário continuam a ser um refúgio à incerteza do mercado e uma boa forma de rentabilizar poupanças. E prova disso é que, em Portugal, o montante investido nestes fundos cresceu 0,4% para 10.174,2 milhões de euros em agosto de 2023. Acontece que estes fundos, que gerem sobretudo imóveis comerciais, não estão imunes às decisões do Governo quanto à atualização das rendas. O maior de todos, o CA Património Crescente, terá perdido quase 24 milhões de euros com o travão às rendas de 2% em 2023.

O CA Património Crescente gerido pela Square AM é conhecido por ser o maior fundo de investimento imobiliário em Portugal, com 1,1 mil milhões de euros sob gestão e uma rentabilidade média anual de 4,12% que é gerada através do arrendamento de imóveis comerciais.

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A questão é que a rentabilidade destes imóveis comerciais tem sido afetada pelas decisões ao Governo relativas à atualização das rendas. No início do ano, foi colocado um travão à subida das rendas de 2 % - caso contrário as rendas iriam subir 5,43% - o que reduziu as rendas cobradas em 150 edifícios do CA Património Crescente de 74,2 milhões de euros para 71,4 milhões de euros (-2,8 milhões de euros), escreve o ECO.

Além disso, este impacto na rentabilidade também traz consequências ao nível da valorização dos imóveis (em vez de valorizar 40 milhões, valorizaram apenas 20 milhões de euros). Contas feitas, só o fundo CA Património Crescente teve perdas de 23,8 milhões de euros com os limites impostos à subida das rendas em 2023. Por isso mesmo, Pedro Coelho, CEO da Square AM, apela a que o travão seja aplicado apenas à habitação, cita a mesma publicação.

Fundos de investimento imobiliário a crescer em Portugal

Embora a rentabilidade dos imóveis comerciais e residenciais esteja condicionada pelas decisões do Governo – que vai reunir com associações e proprietários para analisar os temas relacionados com a atualização das rendas em 2024 –, os fundos imobiliários continuam a dar cartas em Portugal.

“Em agosto de 2023, o valor sob gestão dos fundos de investimento imobiliário (FII), dos fundos especiais de investimento imobiliário (FEII) e dos fundos de gestão de património imobiliário (FUNGEPI) atingiu 12.551,2 milhões de euros, mais 32,0 milhões (0,3%) do que em julho”, lê-se na nota publicada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta segunda-feira (dia 18 de setembro)

Em concreto, o montante investido nos fundos de investimento imobiliário cresceu 0,4% para 10.174,2 milhões de euros. Nos FEII, o valor caiu 0,3% para 2.102,4 milhões de euros e nos FUNGEPI cresceu 0,2% para 274,6 milhões de euros.

Neste período, os países da União Europeia foram o destino da totalidade do investimento feito em ativos imobiliários, tendo 47,6% da carteira dos FII e FEII abertos sido aplicados em imóveis do setor dos serviços. Também os investimentos realizados pelos FUNGEPI se destinaram, sobretudo, ao setor dos serviços (52,5%).

Sem surpresa, as gestoras Square AM (12,8%), Interfundos (7,9%) e a Lynx Asset Managers (7,6%) detinham as quotas de mercado mais elevadas.

De notar ainda que em agosto foi constituída a sociedade de investimento imobiliário fechada “ENCOSTA DA PAREDE - SIC IMOBILIÁRIA FECHADA, SA” gerida pela Norfin.

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