Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Empresa espanhola líder no mercado de arrendamento prepara entrada em Portugal

Autor: Tânia Ferreira

A Alquiler Seguro, empresa especializada em "arrendamentos seguros" e que se assume como líder em Espanha, está à procura de sócios portugueses para entrar no mercado nacional. "O objetivo é estarmos operacionais em Portugal a partir do próximo ano", revela Gustavo Rossi, presidente da Alquiler Seguro, em entrevista ao idealista/news Portugal.

A empresa não quer investidores financeiros. "O que procuramos são promotoras imobiliárias com vocação para o arrendamento, para replicarmos em Portugal o modelo de negócio que temos em Espanha e tem sido um sucesso", especifica, por sua vez, Antonio Carroza, o CEO da Alquiler Seguro, na mesma entrevista ao idealista/news Portugal.

A Alquiler Seguro, que opera diretamente e sem franchisings, surgiu há sete anos como empresa para dar resposta a necessidades de senhorios e inquilinos. "Havia pouca profissionalização do setor imobiliário e notávamos que muitos proprietários preferiam manter as casas fechadas e vazias do que arrendá-las, devido ao risco do que aconteceria se um inquilino deixasse de pagar. E quem queria arrendar casa não tinha oferta, ou a que havia era quase sempre má e cara", relata Carroza.

Pagamento de renda a tempo e horas garantido

Então a companhia decidiu montar um modelo de negócio baseado em arrendamentos seguros. O que faz é "selecionar muito bem o inquilino, para que seja fiável e solvente, através de um muito forte sistema de scoring financeiro. E, na hora de arrendar uma casa, mete medidas preventivas", esclarece Rossi, salientando que "estamos tão seguros que fazemos bem esta seleção que garantimos aos senhorios o pagamento pontual das rendas todos os meses".

Mas esta garantia de pagamento a tempo e horas tem um custo. O proprietário paga 5% da renda mensal que cobra ao inquilino. E o arrendatário, por sua vez, paga no momento de assinar o contrato, pelo serviço de procura de casa e gestão do processo.

Com cerca de 30 mil contratos ativos em Espanha e presente em quase todo o país vizinho, com 26 escritórios – e o plano é chegar a 40 até 2016 – a empresa diz que tem "90% do mercado de arrendamento espanhol" e que é a companhia que "mais arrendamentos gere por ano". "Somos, sem dúvida, líderes de mercado", garantem os responsáveis, admitindo que agora, devido a uma maior profissionalização do setor, já há outros players no mercado a oferecer serviços semelhantes.

Sem revelar dados de faturação, a Alquiler Seguro avança que no último ano registou um crescimento de 34%. "Nos primeiros anos tivemos crescimentos absolutos e nos últimos três anos entre 25% e 35%. A partir de agora, os valores baixam porque temos um domínio quase total do mercado, com os principais pontos do país conquistados. E ainda que estejamos a planificar o crescimento com as entradas no País Basco, Málaga, Saragoça e Valladolid resta-nos pouco mais".

Internacionalização para crescer

A solução para crescer passa então pelo mercado internacional. O plano de expansão, além de Portugal, conta com Itália, mas também países mais a norte como a Alemanha ou Inglaterra.

O objetivo da Alquiler Seguro é promover uma maior harmonização do mercado do arrendamento a nível europeu. "Vemos que a Comissão Europeia tem grande interesse em promover a mobilidade de trabalhadores e estudantes. Mas há uma grande variedade nos modelos de arrendamento de cada país e isso dificulta a vida de quem se muda. Perante isto fomos a Bruxelas propor um projeto de harmonização", conta o CEO da empresa.

Acesso a dados de inquilino

Um dos problemas que a Alquiler Seguro antecipa em Portugal está relacionado com a proteção de dados. "Mas estamos já a trabalhar com um escritório de advogados em Portugal e a contatar as autoridades locais para podermos contornar esta questão", revela por sua vez o presidente, adiantando que "além disso primeiro vamos entrar no país com a empresa do grupo Fichero de Inquilinos Morosos", especialista em informação de risco no mercado de arrendamento.

A ideia é funcionar, como em Espanha, "como um banco, no processamento de dados de um potencial inquilino", explica Carroza.