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Construção: há 8.500 empresas e 35 mil empregos em risco

Autor: Redação

A construção foi um dos setores mais afetados pela crise, e apesar de haver alguns sinais de retoma todo o cuidado é pouco, já que estão em risco, só este ano, 35 mil empregos e 8.500 empresas. O alerta é deixado pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) e pelo Sindicato da Construção de Portugal (SCP).

“A solução é olhar para o setor do imobiliário e da construção de uma forma diferente daquela que está a ser olhado, sob pena de, este ano, se poderem perder 35 mil postos de trabalho e 8.500 empresas, mais do dobro das que encerraram no ano passado”, disse Reis Campos, presidente da AICCOPN, no final de uma reunião com Albano Ribeiro, presidente do SCP, realizada esta terça-feira (dia 23). A mesma visou discutir os problemas do setor e “delinear soluções comuns” a apresentar ao Governo e aos partidos políticosm escreve a Lusa.

O responsável adiantou que a AICCOPN estava “convencida” que, depois de em 2015 o setor ter atingido “o culminar de uma crise grave”, 2016 “ia ser um ano de estabilização”, mas lamenta agora que o Orçamento do Estado (OE) para 2016 “não traga nada de bom para o setor, para as empresas e para os trabalhadores”. “Não insere de nenhuma forma o investimento público de que o país e o setor precisam”, justifica Reis Campos, salientando que “não há investimento público” no OE nem verbas para a reabilitação urbana.

O líder da AICCOPN denuncia que são lançados concursos públicos, mas que metade “não são adjudicados”, pelo que se está apenas “a perder tempo e dinheiro e a criar expectativas”.

Outra das criticias está relacionada com o investimento estrangeiro, com a associação a assegurar que “há investidores que pretendem investir no imobiliário em Portugal, mas que o país não dá resposta”. “Os investidores privados têm sido o motor da reabilitação urbana, mas tem que se lhes dar confiança, principalmente criando um quadro fiscal estável”, sustentou Reis Campos.

“Há 60.000 casas degradadíssimas”

Já Albano Ribeiro alertou que a conclusão próxima de várias grandes obras – como os túneis do Marão e as barragens de Salamonde e da Venda Nova – se traduzirá na perda de “7.000 postos de trabalho num espaço de cinco meses”.

O responsável considera, no entanto, que “é possível inverter esta situação” se houver luz verde para as propostas há muito reclamadas pelo setor, como a aposta na requalificação urbana e em obras públicas de requalificação de hospitais, escolas e via férrea. “Temos em Portugal 60.000 casas degradadíssimas. Se em cada casa trabalhassem cinco trabalhadores, no total seriam criados 300.000 postos de trabalho. Não estamos a falar em obras megalómanas, mas numa questão paisagística, de segurança e de qualidade”, referiu o presidente do SCP.