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Comprar casas de luxo, uma moda que veio para ficar...

Filipe Lourenço e Sandra Camelo, diretores executivos  / Private Luxury Real Estate
Filipe Lourenço e Sandra Camelo, diretores executivos / Private Luxury Real Estate
Autores: Leonor Santos, @Frederico Gonçalves

O mercado imobiliário de luxo está ao rubro. Faltam imóveis? Não, garantem os diretores executivos da Private Luxury Real Estate, Sandra Camelo e Filipe Lourenço, que nas primeiras três semanas do ano já fechou seis negócios, todos acima de um milhão de euros. As perspetivas para 2018 são boas. Aliás, são ótimas. Ainda há espaço para crescer? Há, asseguram, mas deixam um alerta: “É preciso cuidado com a valorização imobiliária para não cometermos erros antigos”, caso contrário “correremos o risco de retirar ‘apetite’ aos investidores”.

Sandra Camelo e Filipe Lourenço, que partilham a direção executiva da Private Luxury Real Estate – fundada pelo Grupo SCI e especialista em propriedades de luxo –, estiveram à conversa com o idealista/news e revelaram que a procura pelo segmento alto continua a ser uma tendência. “Há uns anos as pessoas iam muito à procura de condomínios fechados, mas a verdade é que agora, e em face da dinâmica que se vive nas cidades – muito por culpa da reabilitação –, há uma maior procura fora destes condomínios”, conta Sandra Camelo. Ainda assim, “é preciso, antes de mais, esclarecer a questão do mercado de luxo, mais concretamente da palavra luxo”, frisa Filipe Lourenço, para quem este conceito é muitas das vezes “banalizado”.

Penthouse em Lisboa à venda por 3,8 milhões de euros / Private Luxury Real Estate
Penthouse em Lisboa à venda por 3,8 milhões de euros / Private Luxury Real Estate

Para o responsável, a Private Luxury Real Estate veio dar resposta a uma “lacuna no mercado”. “Começámos por atuar e fazer alguns contactos num círculo restrito de pessoas, celebridades, grandes empresários, famílias de renome, que estavam ligados a esse tipo de imóveis”, adianta, referindo que a procura e o mercado exigiram uma maior exposição. Tudo começou com o passa a palavra, uma “ferramenta” que rapidamente se revelou insuficiente.

“Tínhamos o mercado dos círculos restritos, ainda assim nem toda a gente faz parte desses círculos e, claro, tivemos de expandir-nos”, afirma o responsável, explicando que a empresa se posicionou rapidamente e de uma forma natural neste mercado.

Ser ou não ser um imóvel de luxo, eis a questão?

Ser um imóvel de luxo, é, afinal, ser o quê? Filipe Lourenço é rápido a responder: “É uma fusão de vários fatores. O primeiro fator, sem dúvida, é a localização. Os imóveis de luxo em Portugal localizam-se nas zonas prime, como Chiado, Avenida da Liberdade, Príncipe Real, e depois há outros imóveis que se inserem nesta categoria, mas por causa de outras características. A vista sobre o rio é extremamente valorizada em Lisboa, o que é uma mais valia para os imóveis de luxo. Depois, e quase no mesmo patamar, está outro fator, o conforto”.

Nas primeiras três semanas do ano, a Private Luxury Real Estate já fechou seis negócios, todos acima de um milhão de euros

Ambos os responsáveis reconhecem a dinâmica que inundou Lisboa e que inevitavelmente se começou a espalhar um pouco por todo o país. Sobre este “bom momento” do imobiliário, Sandra Camelo é perentória: espera que “o mercado continue a crescer nos próximos cinco anos, porque há espaço para crescer”. Filipe Lourenço, por sua vez, aproveita para destacar “um outro fator que influencia tudo aquilo que está a acontecer”. “Portugal foi colocado no mapa”, sublinha.

“Não estamos apenas a falar do setor imobiliário. Portugal está a vingar e ser reconhecido em várias frentes. Pela primeira vez temos um status ‘melhor destino europeu’, ‘melhor destino do mundo’, aos quais se juntam outros fatores: a segurança, as pessoas, a gastronomia. Todos esses fatores contribuem para este cenário favorável”, acrescenta Filipe Lourenço.

E será que faltam imóveis?

Questionados sobre a realidade do mercado de luxo e sobre o número de imóveis disponíveis, Sandra Camelo e Filipe Lourenço respondem sem hesitar. “Não há falta de imóveis”, garantem.

"Não há falta de imóveis de luxo (...). O mercado em Portugal está equilibrado. Não há procura a mais e oferta a menos, ou vice versa"
Filipe Lourenço

“Um bom consultor que vai para a rua traz esses imóveis. Admito que possa existir alguma especulação, no entanto, e no que diz respeito aos imóveis de luxo, o mercado em Portugal está equilibrado. Não há procura a mais e oferta a menos, ou vice versa”, atesta Filipe Lourenço.

A questão até é relativamente simples, segundo o responsável: “Não nos podemos comparar a outros países, mas o chamado luxo, nomeadamente imóveis com um valor superior a um milhão de euros com as características que enumerámos – não apenas o valor, mas a localização e conforto, por exemplo –, está completamente equilibrado". Admite, no entanto, a possibilidade dos imóveis de 400.000 euros ou meio milhão de euros virem a escassear, “o que é perfeitamente natural”.

Estrangeiros investem mais, mas negócio é mais rápido com portugueses

O volume de negócios da Private Luxury Real Estate cresceu 30% entre 2016 e 2017. Foram vendidos 50 imóveis no ano passado, dois dos quais com um valor superior a cinco milhões de euros. Um resultado extremamente positivo, mas que “poderá não ficar por aqui” nas palavras de Sandra Camelo. A responsável perspetiva “um 2018 ainda melhor”. Exemplo disso são os números adiantados. “Neste momento [no final de janeiro e sem contar com os negócios que ficaram em pipeline] devemos ter seis negócios fechados, isto é, dois ou três ‘completamente’ fechados e os restantes a assinar contrato promessa de compra e venda. Todos acima de um milhão de euros”, adiantaram.

A origem do investimento continua a ser maioritariamente estrangeira, ainda assim, a percentagem de portugueses tem vindo a aumentar. “Apontamos [em 2017] para 65% de estrangeiros e 35% de portugueses, no entanto, há flutuações, podemos ter anos em que a percentagem de portugueses aumenta e atinge os 40%”, frisa Filipe Lourenço. “Há cada vez mais portugueses e o seu peso começa a ser cada vez mais notado”, conclui Sandra Camelo.