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O que procuram os estrangeiros que investem em Portugal? “Um pedaço de história do país…”

Gtres
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Lisboa entrou definitivamente no radar dos investidores estrangeiros. Um cenário que não é de agora mas que parece ter vindo para ficar. Colm Wilkinson, Regional Manager Lisbon da PortugalProperty.com, mudou-se para Lisboa há 13 anos e diz estar apaixonado pela capital. Mas o que procuram, afinal, os estrangeiros que investem em imobiliário em Portugal? “Um pedaço de história do país”, conta o responsável, em entrevista ao idealista/news.  

“Edifícios históricos renovados com modernidades e comodidades: ar condicionado, elevador privado… Tudo novo e com bons acabamentos, mas sempre mantendo o aspeto original, as fachadas originais. Os investidores querem um pedaço da história deste país”, começa por dizer o irlandês, que veio para Lisboa em 2005. 

Segundo o responsável, “a maioria dos clientes que está a investir” através da PortugalProperty.com não se quer mudar para o país. “O que querem é propriedades centrais que se mantenham autênticas face à cultura original portuguesa. As fachadas, as vistas… A ideia é que os investidores comprem os imóveis e que os renovem, mas mantendo a estética do centro da cidade. É isso que é de valorizar. Este é um valor intrínseco do mercado imobiliário. Uma das particularidades, no centro histórico de Lisboa, é que não se pode construir em altura, não se pode construir edifícios com 35 ou 97 andares. Isto acrescenta valor, já que se mantêm as tradições”, explica.

Clientes sobretudo estrangeiros 

A carteira de clientes da mediadora, que tem seis escritórios em território nacional – cinco no Algarve e um em Lisboa, na Avenida da Liberdade –, é dominada por cidadãos estrangeiros. “Estamos focados no mercado internacional. Não digo que não tenhamos clientes portugueses, mas predominam os internacionais”, conta Colm Wilkinson, acrescentando que (apenas) menos de 2% dos clientes da empresa são nacionais.

"Estamos focados no mercado internacional. Não digo que não tenhamos clientes portugueses, mas predominam os internacionais"
Colm Wilkinson

E quem são estas pessoas? A maioria dos investidores são individuais, são pessoas que têm dinheiro e que “preferem não investir na bolsa”, optando por apostar em “algo seguro, de baixo risco e não necessariamente com uma yield muito elevada”.

A origem dos clientes é diversificada, sendo que a maioria (65%) são investidores europeus. “A nossa clientela é sobretudo do Norte da Europa, de França, do Reino Unido… Mas temos muitos clientes do Médio Oriente, da Ásia e da África do Sul”, revela o responsável, adiantando que grande parte dos clientes contacta a empresa pela experiência que esta adquiriu nos últimos anos. ”Sabem que teremos o produto que procuram”, refere. 

Esta Casa geminada triplex encontra-se no  Príncipe Real e custa 1.560.000 euros. / PortugalProperty.com
Esta Casa geminada triplex encontra-se no Príncipe Real e custa 1.560.000 euros. / PortugalProperty.com

“Em Portugal há dois mercados, o que é único”

De acordo com Colm Wilkinson, a PortugalProperty.com tem anunciadas no seu site cerca de 10.000 propriedades, sendo que muitas estão online há mais de três anos: “Em Portugal, o que é único, existem dois mercados. O mercado local residencial e o resto. No primeiro caso, não se compram imóveis normalmente com dinheiro na mão. São casas perto do metro, do trabalho etc., esse não é o nosso mercado. Nos últimos 12 meses, 70% do que vendemos nem chegou a estar no site: são imóveis que nos chegam como pré-lançamentos e mesmo antes de tirarmos fotografias e de o anunciarmos no site estão vendidos. Esse é o nosso mercado”. 

"Nos últimos 12 meses, 70% dos imóveis que vendemos nem chegaram a estar no site"
Colm Wilkinson

O plano de expansão da mediadora é ambicioso, passa pela abertura de quatro, cinco escritórios nos próximos cinco anos, nomeadamente um no Porto. "O nosso escritório em Lisboa está a gerar quase o mesmo que os cinco escritórios no Algarve, o que é interessante, porque quando chegámos a Portugal o que pretendiam os investidores internacionais era diferente daquilo que procuram agora. Antes era propriedades com campos de golfe e praias e agora, em Lisboa, os clientes internacionais querem sentir a cidade, ir a restaurantes…”, explica o responsável. 

De referir que no ano passado, revela Colm Wilkinson, a PortugalProperty.com transacionou cerca de 260 imóveis, ligeiramente menos que em 2016, mas o valor médio das vendas aumentou 20% em termos homólogos, rondou os 530.000 euros quando em 2016 tinha sido de 460.000 euros.