Câmara do Porto quer que Governo garanta apoios na reabilitação das ilhas

Câmara do Porto quer que Governo garanta apoios na reabilitação das ilhas
Ilha municipal da Bela Vista, que foi recentemente reabilitada Miguel Nogueira/CMP

A Câmara Municipal do Porto (CMP) quer que o Governo crie um modelo jurídico e económico que permita aos proprietários das ilhas existentes na cidade aceder aos apoios previstos para a reabilitação de habitação, no âmbito do programa Primeiro Direito.

Ana Pinho, secretária de Estado da Habitação, que hoje (5 de julho) estará presente num grande debate sobre o futuro das ilhas do Porto – realiza-se no Teatro Campo Alegre, a partir das 10 horas –, garantiu recentemente, na Assembleia da República, que o programa Primeiro Direito será um instrumento que vai permitir a “intervenção urgente e decisiva” em casos como o das ilhas habitacionais do Porto.

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Contudo, sobram muitas dúvidas, tanto ao vereador da Habitação e Coesão Social, Fernando Paulo, como aos responsáveis municipais ligados a esta problemática, sobre a forma como será feito. Isto porque o Primeiro Direito – programa de apoio ao acesso de habitação a famílias carenciadas – “não apoia diretamente a recuperação das casas, mas as famílias”. 

Mas como se sabe muitas das ilhas – aglomerados constituídos, em média, por mais de uma dúzia de casas – apresentam situações muito diversas, sendo ocupadas só por inquilinos. Em outros casos, a maioria, ou mesmo a totalidade, são de habitação própria.

Perto de 1.000 ilhas onde moram 10.000 pessoas

No Porto existem 957 ilhas, a quase totalidade são privadas e onde moram mais de 10.000 pessoas. Refira-se que só existem três ilhas municipais: Bela Vista, já reabilitada, Bonjardim, em fase de obras, e Cortes, que avançará em breve.

A grande maioria destes aglomerados, dispersos pela cidade, precisa de obras profundas de reabilitação, mas os proprietários não apresentam condições económicas para avançar com as obras.

O vereador Fernando Paulo, que ontem (4 de julho) acompanhou a comunicação social e alguns convidados numa visita a várias ilhas na cidade, destacou que a CMP “quer fazer uma parceria com os privados”, sendo no entanto “necessário desenvolver um modelo que permita o apoio do Estado na reabilitação das ilhas”. 

Para isso ser possível é preciso que o Governo garanta que o financiamento na recuperação destes aglomerados, através do Primeiro Direito, será uma realidade.

Até que isso aconteça, alguns dos projetos em fase de licenciamento, como é o caso de uma ilha na Rua de S. Vítor – uma das duas ilhas privadas visitadas pelos jornalistas –, continuam a aguardar a definição sobre qual o programa de apoio público a que poderão candidatar-se.

Uma ilha com 12 casas e três moradores

A ilha da Rua de S. Vítor – um arruamento onde existem 33 ilhas - é constituída por 12 casas e só três delas estão habitadas: duas a inquilinos e outra que é habitação própria da proprietária da ilha. 

Na opinião de Aitor Varea Oro, arquiteto e coordenador do programa Habitar Porto, que está a liderar o projeto de reabilitação desta ilha, o “objetivo é pegar nas 12 habitações e agrupá-las em oito, dando-lhes condições necessárias de habitabilidade”.

Neste caso, o objetivo é reabilitar as casas para as três famílias, sendo que as restantes serão colocadas no mercado de arrendamento social, o que levou a que, inicialmente, a proprietária tenha candidatado a sua reabilitação ao programa Reabilitar para Arrendar.

Para Aitor Varea Oro, “o grande desafio é operacionalizar todo o processo”, já que este trabalho é “como uma filigrana”. Por isso, adverte, “é necessário criar um instrumento financeiro que permita encaixar este tipo de projetos de reabilitação”.

Rui Moreira e Ana Pinho abrem conferência

O presidente da CMP, Rui Moreira, e a Secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, intervêm na sessão de abertura do evento de hoje que vai debater o futuro das ilhas do Porto.

A sessão, em que participa também o vereador da Habitação, Fernando Paulo, dará o mote para os trabalhos, em que se destaca a Apresentação do Levantamento e do Programa Estratégico para as Ilhas  do Porto, por Isabel Breda Vázquez e Paulo Santos Conceição, da Universidade do Porto.

O destaque para a o período da tarde é o debate entre forças políticas com representação na Assembleia Municipal do Porto, moderado pelo seu presidente, Miguel Pereira Leite.

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