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FMI preocupado com rápida subida do preço das casas e alerta para riscos de queda

Liam McKay/Unsplash
Liam McKay/Unsplash
Autor: Redação

Os preços das casas dispararam em Portugal nos últimos anos – e as rendas também –, tendo o setor imobiliário batido recordes em 2018. O Fundo Monetário Internacional (FMI) está atento a este cenário, considerando, sem mencionar países, que a rápida subida dos preços levanta receios sobre uma possível queda nos próximos três anos (até 2023) e os seus potenciais efeitos na economia e estabilidade financeira.

“O rápido aumento dos preços das casas em muitos países nos últimos anos suscitou alguns receios sobre a possibilidade de um declínio e as suas potenciais consequências”, refere o FMI no segundo capítulo do relatório “Global Financial Stability Report”, com o título "Downside Risks to House Prices" (Riscos negativos para os preços das casas).

Segundo a Lusa, que cita o relatório da instituição liderada por Christine Lagarde, as consequências deste cenário de aumentos podem ser difíceis de ultrapassar nos próximos três anos, entre 2020 e 2023. “O menor dinamismo dos preços das casas, a sobrevalorização, o crescimento excessivo do crédito e as condições financeiras mais apertadas antecipam riscos negativos para os preços das casas nos próximos três anos”, conclui o relatório.

De acordo o FMI, os riscos que se colocam à evolução dos preços das casas ajudam a prever riscos negativos para o crescimento do PIB, “contribuindo para modelos de alerta precoce para crises financeiras”.

Quais os efeitos da queda de preços para a economia?

Grandes quedas nos preços das casas podem afetar adversamente o desempenho macroeconómico e a estabilidade financeira, como aconteceu durante a crise financeira global de 2008 e outros episódios históricos”, recorda o FMI, salientando que “as estimativas mostram que os riscos negativos sobre os preços das casas mudaram desde a crise financeira global, com a maioria dos países com riscos mais elevados no final de 2007 a enfrentar atualmente riscos mais baixos” sobre os preços das casas.

A entidade considera que “em muitas economias avançadas e mercados emergentes os preços das casas permanecem em risco”, pelo que é importante controlar a concessão de crédito à habitação, aumentando os critérios nos financiamentos, como fez o Banco de Portugal em 2018. 

“Um aperto nas políticas macroprudenciais está associado a uma redução dos riscos negativos sobre os preços das casas”, conclui o FMI, frisando que este controlo pode prevenir uma crise do setor imobiliário ou diminuir os seus efeitos adversos.