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Forte procura em Guimarães leva promotores a trocar investimentos turísticos por habitação

Wikimedia commons
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Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

A histórica falta de oferta no mercado imobiliário de Guimarães, devido às dificuldades para construir na cidade, é agora mais evidente que nunca - alimentada pela forte procura de investidores, emigrantes, estudantes ou habitantes locais. Os produtos que chegam ao mercado voam em horas e os preços estão a subir, seja nos imóveis para vender ou nas casas para arrendar. Há projetos de reabilitação e de obra nova em marcha, que vão aumentar a oferta de habitação. Alguns dos quais eram antes destinados ao turismo.

Esta forte procura de casas para arrendar na cidade de Guimarães está assim a fazer com que vários proprietários e promotores mudem a estratégia inicial de apostar no setor do turismo e decidam antes colocar as frações para arrendamento de longa duração, desistindo de projetos de Alojamento Local ou 'hostels'.

Edifício em reabilitação para AL Localizado no Largo da Oliveira.  / Elisabete Soares
Edifício em reabilitação para AL Localizado no Largo da Oliveira. / Elisabete Soares

Unidades turísticas suficientes; habitação em falta

Este movimento do mercado é relatado ao idealista/news por profissionais da mediação imobiliária, dando nota de este que este redirecionamento do investimento tem sido evidente nos últimos tempos.

Ao idealista/news, Gabriel Cunha, diretor da agência ERA Guimarães Sul, destaca que “os investidores começam por apostar no Alojamento Local (AL), mas depois acabam por mudar para habitação”, explicando que “os investidores percebem que podem não ganhar tanto dinheiro inicialmente, mas a médio prazo é garantido”.

Outro aspeto é o facto de, neste momento, se estarem a dar conta de que na cidade "berço de Portugal" existe oferta de empreendimentos de AL suficientes, atendendo aos projetos que já abriram – como o caso de um projeto recente na Rua de Camões – e aos que se encontram em fase de conclusão, bem como ao baixo tempo de estadia média dos turistas na cidade.

Por outro lado, de acordo com os profissionas do setor, é notória a falta de casas em Guimarães para arrendar, o que está a levar à subida de preços. Atualmente, um arrendamento de um T0 ou T1 pode rondar os 400 a 500 euros/mês, e os T2, à volta de 600 euros/mês. “São apartamentos queapresentam áreas reduzidas, mas cuja localização faz disparar os valores de renda pedidos”, destaca Gabriel Cunha, por exemplo.

Edifícios no centro histórico de Guimarães.     / Elisabete Soares
Edifícios no centro histórico de Guimarães. / Elisabete Soares

Oferta voa em poucas horas

João Carvalho, diretor comercial da Remax Go, confirma ao idealista/news esta mesma escassez de oferta de habitação para arrendamento. “O que aparece demora poucas horas a ser escoada. Raramente fica para o dia seguinte”, revela.

A procura de casas para arrendar é protagonizada especialmente “por jovens casais, estudantes e estrangeiros, com destaque para os brasileiros, e alguns vimaranenses, que por qualquer razão têm de sair das suas casas”, faz com que este seja um mercado onde existem muitos intermediários. A começar pelos próprios proprietários, que não tem dificuldade em encontrar clientes diretamente.

Da mesma forma, é significativa a procura por parte de investidores de prédios para reabilitar, sendo também neste caso escassa a oferta disponível. “Há muita procura de prédios e os valores também disparam, chegam a duplicar”, explica João Carvalho.

Elisabete Soares
Elisabete Soares

Uma situação que é visível num passeio pelas principais ruas que formam o centro histórico da cidade. O seu edificado encontra-se maioritariamente reabilitado e são poucos – três a quatro prédios – que se encontram em fase de reabilitação.

Em relação à oferta de habitação para venda final, o responsável da Remax Go destaca que surgem algumas frações reabilitadas, cujo escoamento é também bastante rápido. Os preços, na sua opinião, apresentam um crescimento constante, como podemos confirmar pelo mais recente índice de preços do Idealista.

Em março passado, o preço médio registado em Guimarães foi de 846 €/m2, o que corresponde a um crescimento de 11,2 %, em relação ao mesmo mês de 2018.

Ruínas de um prédio no centro histórico vendido recentemente.  / Elisabete Soares
Ruínas de um prédio no centro histórico vendido recentemente. / Elisabete Soares

Autarquia “rigorosa” no centro da cidade

O facto de Guimarães ter um Plano Diretor Municipal (PDM) com normas rígidas quanto à construção, que resultam do peso da sua história, leva, na opinião de alguns dos profissionais ligados ao mercado, que seja difícil avançar com projetos imobiliários no centro da cidade.

“Foi das poucas cidades onde não se sentiu a crise, porque houve sempre pouca oferta imobiliária disponível”, confidencia um profissional. Na sua opinião, a ideia que lhe transmitem “é que a autarquia é rigorosa na aprovação de projetos no centro da cidade” e, por isso, “primeiro que se construa é difícil”.

Um dos poucos edifícios em reconstrução no coração da cidade, no Largo da Oliveira – uma das zonas de maior afluência de turistas - que se destina ao AL, é constituído por oito apartamentos, T0 e T1, e duas lojas, e tem a conclusão prevista para outubro.

De acordo com Vítor Hugo, da agência ERA Guimarães Norte, o edifício está em venda no mercado e apresenta um valor de 1,68 milhões de euros. “Foi colocado em venda há poucas semanas e já recebemos algumas manifestaçoes de interesse”, confirma.

Também a Altamira, empresa de gestão imobiliária, está a vender a carteira de imóveis do ex-Banif nesta cidade. “Temos apartamentos, moradias, lojas e terrenos, mas como estamos a vender, em alguns casos, com as frações arrendados, acompanhamos as operações com redução de preços”, destaca fonte da empresa.

Mas, confirma, “temos realizado negócios e sentimos que há muitos investidores interessados”. Uma das frações é uma loja, localizada na Praça do Toural, que se destina a comércio, e que segundo o responsável da Altamira, “tem recebido propostas”.

Habitação nova com muita procura

A habitação nova apresenta também muita procura e são visíveis vários projetos em fase de desenvolvimento. Um dos empreendimentos que se encontra em fase mais avançada é o edifício Pérola da Mumadona, localizado a poucos metros do Castelo de Guimarães.

Com um total de 15 apartamentos e oito lojas e com conclusão prevista para o final do ano, tem disponível para venda apenas dois T3 e um T4, de acordo Rita Matos, da empresa promotora, a Sá Taqueiro.

Com preços de 285 mil a 490 mil euros e áreas de 110 aos 200 m2, Rita Marques destaca “os muitos pedidos de contatos” recebidos e o grande interesse que despertou junto de um “público algo médio alto”, que não encontram oferta disponível no mercado.

O Pérola da Mumadona “alia o conforto, o design e a tecnologia”, que “transparece nas linhas arquitetónicas”, no “inovador sistema de domótica e na economia “garantida pela opção de soluções eco eficientes”, destaca a responsável.

Edifício Perola de Mumadona, foto do cartaz no stand de vendas.  / Elisabete Soares
Edifício Perola de Mumadona, foto do cartaz no stand de vendas. / Elisabete Soares

Novos projetos em fase de lançamento

A cerca de 6,5 quilómetros do centro de Guimarães – perto das instalações da Universidade - vai surgir a Urbanização do Ribeirinho, promovido também da Sá Taqueiro, que tem previsto um total de 150 apartamentos, em três edifícios.

De acordo com Rita Marques, “o primeiro edifício, com 50 apartamentos, encontra-se em início de construção e vai ter disponíveis frações mais pequenas, tendo em conta a forte procura por parte dos investidores, mas também tipologias T4”, orientados para as famílias.

Outro projeto em fase de lançamento chama-se Salgueiral Residence e tem a assinatura do dstgroup. Trata-se de um projeto imobiliário residencial com mais de 71 apartamentos (de tipologias T0 a T3) eco eficientes que vai nascer na zona do Salgueiral, após um investimento de cerca de 13 milhões de euros.