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Casas em Portugal ficaram 20% mais caras em 8 anos - acima da média europeia

Autor: Redação

O aumento dos preços das casas é uma tendência generalizada, um pouco, por toda a Europa. Nos últimos oito anos, a habitação ficou 15% na União Europeia (UE) e 11% na Zona Euro, com a maior subida a registar-se na Estónia e a maior quebra a acontecer em Itália. Portugal ultrapassou o valor médio, fixando-se a subida em mais de 20% entre 2010 e 2018.

O Eurostat divulgou esta quarta-feira um estudo sobre a economia europeia desde o início do Milénio, em que o custo das casas é um dos pontos em destaque neste retrato estatístico. Os dados evidenciam que, neste campo, a Estónia ocupa o topo da tabela em com uma subida de 83% no valor da habitação, à frente da Letónia (61%) e da Áustria (56%). No outro extremo do ranking surge Itália, com uma quebra de 17% nos preços das casas, antes de Espanha (-12%) e do Chipre (-8%).

“Os preços da habitação, incluindo as compras de casas e apartamentos novos e já existentes, flutuaram significativamente desde 2006, com taxas de crescimento homólogas na UE de cerca de 8% em 2006 e 2007, seguidos de uma queda de 4% em 2009, resultado da crise financeira. Os preços começaram a subir novamente em 2014“, indica o Eurostat,  na nota publicada esta quarta-feira.

Ainda assim, e apesar do agravamento dos preços no imobiliário, o número de pessoas com casa própria na Europa tem-se mantido estável. Em 2017, o dado mais recente disponível, este indicador disparou 74,7% face ao ano anterior. A nível do número de pessoas que arrendam casa, a tendência é semelhante, sendo que nesse mesmo ano verificou-se uma subida mais ligeira (25,3%).

Preços em Portugal em trajetória ascendente desde 2012

No que respeita a Portugal, os dados do Eurostat mostram que, desde 2010 até ao ano passado, as casas ficaram mais caras 20,18%, evidenciando-se numa subida mais acentuada desde 2012. No ano passado, os preços dos imóveis dispararam 10,3%, face a 2017, tendo esse sido o maior aumento observado desde, pelo menos, 2009.

No entanto, em 2017, apenas 6,7% da população portuguesa suportava com dificuldade os custos de habitação, segundo o mesmo estudo. 

Analisando, em maior detalhe, como evoluiram os preços das habitações no mercado nacional na reta final de 2018, constata-se que aumentaram acima da média da zona euro e da UE.

Nos últimos três meses de 2018, o custo de ter uma casa aumentou 9,3% em Portugal face ao quatro trimestre do ano anterior, acima dos 4,2% registados quer na zona euro, quer na UE. Também na variação em cadeia (face ao trimestre anterior) o preço das casas progrediu acima da média em Portugal (2,0%), face aos 0,7% da zona euro e aos 0,6% da UE.

Esta aceleração acontece após dois trimestres em que os preços travaram, tanto que no terceiro trimestre Portugal registou o quarto maior abrandamento.

Itália, único país da Europa onde preços caem

Neste período, as maiores subidas homólogas foram registadas, de acordo com o gabinete estatístico europeu, na Eslovénia (18,2%), na Letónia (11,8%) e na República Checa (9,9%), tendo havido um único recuo, no mercado italiano (-0,6%).

Itália continua, aliás, a ser o único país onde há vários trimestres consecutivos o preço das casas está a descer, face ao mesmo período do ano passado. No quarto trimestre a queda homóloga foi de 0,6%.

Na comparação em cadeia, os maiores avanços nos preços das casas registaram-se na Eslovénia (6,5%), na Letónia (4,3%) e em Malta (3,8%), e com recuos assinalados na Dinamarca (-1,7%), Bélgica (-0,5%), Reino Unido (-0,4%), Suécia (-0,2%), Itália e França (-0,2% cada).