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A solução para o “problema habitacional” do país? Ajustar os preços das casas e apostar na obra nova

Photo by Glauco Zuccaccia on Unsplash
Photo by Glauco Zuccaccia on Unsplash

Os meses passaram, e os anos também, e comprar casa em Portugal foi ficando cada vez mais caro. Os recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do idealista confirmam, de resto, esta tendência. E agora, o que tem de ser feito para inverter o cenário e aumentar a oferta de casas no mercado a preços que a classe média possa pagar? A resposta é ajustar os valores praticados e apostar na construção nova, defende Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), em declarações ao idealista/news.

“Esses dois temas são a chave para ajudar a resolver o problema, e temos de o enfrentar, temos de assumir a nossa quota parte de culpa”, refere, frisando que as mediadoras e os próprios consultores têm de se tentar consciencializar – e tentar consciencializar as pessoas – para a necessidade de haver um ajustamento dos preços. “É facil explicar e mostrar que o tempo de duração de venda dos imóveis está a aumentar, o que é demonstrativo”, analisa.

Para Luís Lima não há dúvidas de que o país enfrenta “um problema habitacional”, algo que tem de ser assumido: “Não podemos andar todos contentes com o mercado quando vendemos [imóveis] só à classe alta e aos estrangeiros. Precisamos que os portugueses estejam felizes e que tenham habitação. Neste momento, a classe média e os jovens estão numa situação desesperante. Tem de haver uma solução e há todas as condições para haver. Não se pode é continuar a insistir no mesmo mercado nos próximos anos”. 

"Não podemos andar todos contentes com o mercado quando vendemos [imóveis] só à classe alta e aos estrangeiros"
Luís Lima, presidente da APEMIP

Segundo o líder da APEMIP, é verdade que Portugal está na moda, mas é preciso ter “cuidado, porque as modas passam”. “A solução é haver, primeiro, um ajuste de preços. A outra parte da solução é a construção nova. A reabilitação não chega e a maior parte é feita no centro das cidades, onde os preços são elevados. Ou seja, precisamos de construção nova em sítios onde os preços para a bolsa portuguesa estejam mais baratos”, conta.

Mais concorrência no setor da construção

O responsável considera, no entanto, que é necessário haver “uma tomada de consciência de que os preços da construção também estão a ficar muito caros”. E alerta, nesse sentido, para a importância de haver mais concorrência no setor: “Compreendo que a mão de obra tenha um peso muito grande [nos custos de construção, nomeadamente de obra nova], mas há qualquer coisa que não bate certo: não podemos estar a construir há meia dúzia de anos a 600 euros e agora a 1.500 euros. Se houver mais concorrência os preços podem baixar, ajudará a regular o mercado. É isso que não tem havido”.

Habitação esquecida na campanha eleitoral

Outro tema com o qual Luís Lima diz estar preocupado diz respeito ao facto da habitação ter sido esquecida durante a campanha eleitoral – as legislativas realizam-se este domingo, dia 6 de outubro de 2019. “Tenho pena que em setembro não se falasse muito neste assunto. Acho que não há tema mais importante para Portugal que o caso da habitação”, lamenta, em declarações ao idealista/news.

"Não há tema mais importante para Portugal que o caso da habitação"
Luís Lima, presidente da APEMIP

Entretanto, e em comunicado, o líder das mediadoras vai mais longe nas críticas: “Em campanha eleitoral os partidos deveriam estar a debater os temas centrais da vida dos portugueses, como é a gravíssima falta de casas para os cidadãos. É inacreditável que um problema como a ausência de habitação para os jovens e famílias de classe média e média baixa tenha sido abordado com ligeireza, e se tenha dado muito mais importância a outros assuntos que, sendo relevantes, não terão decerto a importância que é garantir o direito à habitação”. 

De acordo com o representante das imobiliárias, “não houve um debate sério sobre esta questão”. “E o que se falou foi muito superficial, sobretudo se considerarmos que estamos verdadeiramente entalados numa dificuldade que atravessa não só o mercado de compra e venda, como o mercado de arrendamento”, lamenta.