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Coronavírus adia maior e mais importante feira imobiliária do mundo para junho

Realiza-se em Cannes e estava agendada para de 10 a 13 de março. Lisboa confirma presença com stand.

Edição 2019 do MIPIM / Crédito: © V. DESJARDINS / IMAGE&CO
Edição 2019 do MIPIM / Crédito: © V. DESJARDINS / IMAGE&CO
Autor: Redação

A edição deste ano do MIPIM, a maior e mais importante feira imobiliária do mundo, foi adiada devido ao coronavírus. Era para se realizar – em Cannes (França) – de 10 a 13 de março de 2020 e irá decorrer agora de 2 a 5 de junho de 2020, explica a organização do evento. Um ‘delay’ de cerca de três meses que além de ser “compreensível”, dado o impacto que o Covid-19 está a ter em todo o mundo, “até pode ser benéfico” para as empresas que vão participar no stand de Lisboa, diz ao idealista/news Diogo Ivo Cruz, da Invest Lisboa, responsável pela presença do stand de Lisboa na feira. 

Contactámos todos os parceiros que vão estar no stand de Lisboa e todos manifestaram interesse em continuar a participar. É uma situação de lamentar, claro, mas compreensível”, revela Diogo Ivo Cruz. 

Segundo o reponsável, nada vai mudar no stand de Lisboa face ao inicialmente previsto, ou seja, continuará a ter 84 metros quadrados (m2) e uma localização espetacular, no corredor principal do Palais des Festivals.

Quando questionado sobre como estão as empresas que integram o stand de Lisboa a reagir à notícia do adiamento do MIPIM, Diogo Ivo Cruz responde de forma clara: “O ‘feedback’ que temos tido é até de alguma satisfação, tendo em conta toda a situação [impacto do coronavírus]”.

Por outro lado, pelo facto da feira estar agora agendada apenas para junho, as “empresas parceiras (ver em baixo quem são) têm mais tempo para se organizarem e prepararem as respetivas presenças”, conta o representante da Invest Lisboa, enaltecendo o facto do MIPIM ser um evento de eleição para se consumarem negócios.

Entre os parceiros do stand de Lisboa no MIPIM 2020 estão a Invest Lisboa e a Baía Tejo (organização) e as câmaras municipais de Lisboa, Almada, Barreiro e Seixal (parceiros institucionais). 

Os co-expositores são os seguintes: A. SANTO Mediação; Krest; Round Hill/TPG; Portugal Sotheby's; VIC Group; B. Prime; PM&JC; Abreu Advogados; Bergamot; Besix Red; BondStone; Contacto Atlântico Arquitectura; EMGI; Infante & Riu; Landow Property Advisers e Seis Graus.

Berlim e Paris cancelam feiras de turismo

A “crescente expansão” do coronavírus levou à suspensão da Feira Internacional de Turismo de Berlim, que se iria realizar de 4 a 8 de março. Eram esperados no certame – designado ITB, na sigla em alemão – representantes de cerca de 10 mil empresas, provenientes de mais de 180 países.

De acordo com os organizadores do evento, a decisão de suspender a ITB foi tomada pelos ministérios da Saúde e Economia da Alemanha. Estes acrescentaram que as autoridades do bairro de Berlim em que se realiza a feira tinham exigido que se pudesse provar que todos os participantes não eram provenientes das áreas definidas como de risco ou que não tinham tido contacto com alguém dessas zonas, o que não foi possível de fazer. “A Feira de Berlim é incapaz de satisfazer todas essas exigências”, adiantaram os organizadores.

O surto de Covid-19 também irá travar a Feira Mundial de Turismo de Paris, marcada para os dias 12 a 15 de março, que esperava mais de 100 mil visitantes. A organização do evento confirmou a decisão de cancelar a feira esta segunda-feira, 2 de março de 2020. O objetivo é "cumprir as instruções do poder público e após consulta com clientes e parceiros", indica a empresa Comexposium citada pela AFP.

"Não é com alegria que tomamos esta decisão, conscientes das consequências económicas para os nossos expositores profissionais do turismo neste período já complicado para o setor. No entanto, devemos respeitar as recomendações e precauções das autoridades, em nome da saúde e segurança pública", disse ainda a empresa organizadora.

Bolsa de Turismo em Lisboa vai avançar

A 32.ª edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), marcada para os dias 11 a 15 de março, na FIL, em Lisboa, vai, contudo, avançar. “Apesar das circunstâncias inerentes ao Covid-19, e depois de auscultar diferentes stakeholders da Bolsa de Turismo de Lisboa”, a organização decidiu manter a realização do evento.

“A organização da BTL está firmemente empenhada com a realização de mais uma edição de grande sucesso”, refere a Fundação AIP, num comunicado publicado no seu site, comprometendo-se a adotar, “em articulação com as entidades competentes, todas as medidas que venham a ser consideradas necessárias para assegurar a segurança dos expositores e dos visitantes”.  

A BTL apela ainda ao “sentido de responsabilidade de todos aqueles que considerem poder ter estado expostos a um potencial risco de contágio, ou em zonas de risco, para que se abstenham de participar na edição de 2020”, sublinhando que “estão inscritos na presente edição cerca de 1.500 expositores de 67 destinos internacionais“.

De forma minimizar os possíveis impactos inerentes ao vírus, a organização anuncia igualmente a implementação de um Plano de Mitigação de Riscos, tendo em conta as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Direção Geral de Saúde (DGS), das quais se destacam:

  • Informação sobre os cuidados a ter, em locais visíveis nos pavilhões;
  • Dispensadores com gel desinfetante à entrada e no recinto;
  • Reforço dos serviços de apoio médico, com a activação de um “Posto Médico Avançado” com médico e enfermeiro em permanência;
  • Implementação de uma área de isolamento para casos suspeitos, com os respetivos circuito e protocolo de evacuação;
  • Difusão de informação e boas práticas a seguir junto dos colaboradores do Grupo Fundação AIP, de forma a minimizar o potencial risco associado ao desempenho das suas funções.

Europa em alerta – nivel de risco sobe para “elevado”

O impacto do coronavírus está cada vez mais a fazer soar os alarmes na União Europeia (UE). A Comissão Europeia (CE) já elevou o nível de risco de “moderado” para “elevado” e criou uma ‘task-force’ para lidar com a situação. Uma “equipa de resposta” que é composta pela presidente da CE, Ursula Von der Leyen, e por cinco comissários europeus: da Gestão de Crises (Janez Lenarcic), da Saúde (Stella Kyriakides), dos Assuntos Internos (Ylva Johansson), dos Transportes (Adina Valean) e da Economia (Paolo Gentiloni).

As fronteitas continuam, no entanto, abertas. Para a comissária europeia dos Transportes, Adina Valean, é “crucial manter a mobilidade dos cidadãos, tanto quanto possível”, escreve o ECO. 

Entretanto, e segundo o Público, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê agora – numa altura em que o Covid-19 está a “ganhar força” – que crescimento económico seja de 2,4%, Inferior, portanto, à estimativa de 2,9% dada há quatro meses. Isto na melhor das hipóteses. 

De acordo com a OCDE, esta não é uma crise que deve ser combatida apenas pelos bancos centrais, mas pelos governos, defendeu hoje a OCDE