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INE espera que tendências de subidas nas rendas se “alterem substancialmente” com o Covid-19

Valor mediano das rendas – de novos contratos – em Portugal aumentou 10,8% em termos homólogos, para 5,32 euros por m2.

Maria Ziegler on Unsplash
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Autor: Redação

Arrendar casa continuou a subir no segundo semestre de 2019, com o valor mediano das rendas de alojamentos familiares de novos contratos a aumentar 10,8% em termos homólogos, para 5,32 euros por metro quadrado (m2). Um cenário que o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) deixa antever que vai mudar, devido à pandemia do novo coronavírus. 

“A informação deste destaque não reflete ainda a situação atual determinada pela pandemia Covid-19. É de esperar que as tendências aqui analisadas se alterem substancialmente. De qualquer modo, a informação hoje [dia 26 de março de 2020] disponibilizada é útil para estabelecer uma referência para avaliar desenvolvimentos futuros”, refere o organismo oficial.

Os números revelados pelo INE mostram, no entanto, que o valor mediano das rendas dos 72.788 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares disparou 10,8% entre julho e dezembro do ano passado face ao mesmo período de 2018. “No semestre anterior essa taxa tinha sido 9,2%. Contudo, verificou-se uma diminuição de 6,4% no número de novos contratos celebrados relativamente ao mesmo período do ano anterior (-10,5% no semestre anterior)”.

Segundo o INE, o valor das rendas situou-se acima do valor nacional nas sub-regiões Área Metropolitana de Lisboa (8,07 euros por m2), Algarve (6,25 euros por m2), Região Autónoma da Madeira (5,99 euros por m2) e Área Metropolitana do Porto (5,75 euros por m2). 

De referir que a Área Metropolitana de Lisboa concentrou cerca de um terço dos novos contratos de arrendamento (24.129). E mais: representa, juntamente com a Área Metropolitana do Porto, 50% do total de novos contratos do país.

“Face ao período homólogo, no segundo semestre de 2019 o valor mediano das rendas aumentou em 24 das 25 sub-regiões, tendo diminuído apenas no Alto Alentejo (-2,4%). O Cávado (+18,3%), a Área Metropolitana de Lisboa (+15,3%) e a Área Metropolitana do Porto (+13,4%) registaram as maiores variações homólogas”, conclui o INE, acrescentabdo que 39 municípios apresentaram rendas acima do valor nacional – Lisboa lidera a lista (11,96 euros por m2) e Cascais (10,71 euros por m2), Oeiras (10,18 euros por m2), Porto (8,83 euros por m2) e Amadora (8,33 euros por m2) completam o top cinco.

Relativamente à celebração de contratos de arrendamento, o município de Lisboa lidera o ranking, com 6.721 novos contratos celebrados nos últimos 12 meses, +1,2% que no período homólogo. Seguem-se os municípios do Porto (3.043) e Sintra (2.808). 

As freguesias de Lisboa e Porto mais caras são...

Na capital, seis das 24 freguesias registaram valores medianos de novos contratos de arrendamento de habitação superiores a 13,50 euros m2: Misericórdia (14,49 euros); Santo António (14,25 euros), Estrela (14 euros), Campo de Ourique (13,98 euros), Santa Maria Maior (13,90 euros) e Parque das Nações (13,55 euros).

Já na Invicta, que conta com sete freguesias, destaque para a União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, que registou o valor mediano de rendas de novos contratos mais elevado, 9,50 euros por m2. 

“A freguesia de Ramalde registou um valor abaixo do valor do município do Porto: 8,83 euros por m2 (...). A União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, a União de freguesias de Cedo feita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, a União de freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos e Bonfim apresentaram, simultaneamente, um valor mediano de rendas de habitação de novos contratos de arrendamento (9,50 euros por m2, 9,40 euros, 9,33 euros e 9,00 euros, respetivamente) acima do valor verificado no município do Porto (8,83 euros)”, conclui o INE.