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Imobiliário de luxo troca centro das cidades pela Linha de Cascais, Sintra e Alentejo

Filipe Lourenço, CEO da Private Luxury, destaca que moradias, quintas e herdades estão agora mais na mira de investidores e famílias.

Private Luxury Real Estate
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Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

A procura de imóveis de luxo tem vindo a mudar desde o período de confinamento, devido à Covid-19. Famílias e investidores procuram agora, sobretudo, moradias e quintas fora do centro das cidades, especialmente na Linha de Cascais, Sintra e Alentejo. Dentro de grandes cidades, como Lisboa, a procura centra-se agora em penthouses e apartamentos com grandes terraços e próximos de zonas verdes. Em entrevista ao idealista/news, Filipe Lourenço, CEO da Private Luxury, destaca que, no caso dos imóveis que estavam alocados ao turismo - como alojamento local -, estão a ser colocados no mercado de compra/venda e arrendamento de longa duração "com grande sucesso".

Qual é o comportamento atual no segmento de imóveis de luxo?

Na Private Luxury Real Estate (PLRE) sentimos que, neste momento, quer os valores de comercialização, quer a procura de imóveis se mantêm estáveis. Continuamos a registar grande procura, o que é um excelente sinal de vitalidade do mercado.

Há, no entanto, uma variação na procura de imóveis, face ao passado recente. A tendência, neste momento, é pela procura crescente de imóveis de luxo fora dos grandes centros urbanos, com prevalência em zonas como a linha de Cascais, Sintra, Herdade da Aroeira e também propriedades no Alentejo.

Private Luxury Real Estate
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Quais os imóveis mais procurados?

Moradias, quintas e herdades estão na mira, quer de investidores, quer de famílias que procuram evitar os grandes centros. Já a procura dentro de grandes cidades, como Lisboa, centra-se em penthouses e apartamentos com grandes terraços e próximos de zonas verdes.

No caso dos imóveis que estavam alocados ao turismo, como alojamento local, estão a ser colocados no mercado de compra/venda e long term rental com grande sucesso.

Os imóveis que estavam alocados ao turismo, como alojamento local, estão a ser colocados no mercado de compra/venda e 'long term rental' com grande sucesso.

Considera que o segmento de imóveis exclusivos está a ressentir-se com esta situação de pandemia?

Não. Pelo contrário. A tipologia de imóveis que temos em carteira, particularmente as propriedades fora dos grandes centros urbanos (Lisboa e Porto), estão a registar a maior procura de que temos registo.

Estão a ser tomadas as medidas certas para reativar novamente o mercado imobiliário?

No mercado de luxo, onde operamos em exclusivo, mesmo com a pandemia, na PLRE, a procura manteve-se em linha com o registo dos últimos anos, que era numa tendência de crescimento.

Queremos acreditar que o Governo está e irá tomar as medidas mais acertadas para defender, não só o mercado imobiliário, mas também as finanças do país. Se o Governo português, contrariamente ao que pretendia fazer, mantiver os Golden Visa e benefícios fiscais aos residentes não habituais, e se o acesso se processar de uma forma mais célere e transparente, podemos conseguir fazer face ao incerto que poderá vir no futuro.

Uma medida prioritária é implementar urgentemente condições para a profissionalização do sector, como em outros países. Atualmente, em Portugal, o mercado é desregulado e qualquer pessoa pode ser profissional do setor imobiliário.

Que iniciativas deviam ser tomadas tanto pelo Governo, como pelas organizações associativas e privados?

O alívio da enorme carga fiscal para as empresas, por parte do Governo, seria uma medida prioritária. Beneficiaria o investimento, criaria empregos e riqueza mais distribuída o que geraria uma economia mais forte e dinâmica, capaz de enfrentar futuras crises como as que temos vivido com extrema dificuldade.

No que toca às organizações associativas do nosso ramo, uma medida prioritária é implementar urgentemente condições para a profissionalização do sector, como em outros países. Atualmente, em Portugal, o mercado é desregulado e qualquer pessoa pode ser profissional do setor imobiliário.

Criar um processo formal de formação com cursos para que angariadores, mediadores e outros atores do setor, de forma a servir melhor o cliente e evitar-se o cenário de informalidade e desinformação que vivemos há anos.

Aos privados é exigido que continuem a investir, a formar mais e melhor as suas equipas e que consigam captar de investidores internacionais, mas também domésticos.

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Quais as características dos imóveis comercializados pela PLRE?

A PLRE apenas trabalha com imóveis únicos e exclusivos pela sua localização, valor, materiais nobre, design sofisticado ou com história, como palácios, palacetes, solares e outros. Também a tendência 'high-tech' tem tido uma grande subida no nosso portfólio.

Tipicamente trabalhamos com propriedades localizadas em zonas nobres de Lisboa, Cascais, Estoril, Herdade da Aroeira, Alentejo e, no Algarve, Quinta do Lago.

Temos a nossa 'private list' de imóveis ultra exclusivos, que apresentamos a investidores ou famílias selecionadas, sobretudo estrangeiros, e verdadeiramente interessados em propriedades únicas e exclusivas em Portugal.

Qual é a vossa carteira de imóveis?

Os nosso imóveis situam-se nas zonas referidas acima e os valores posicionam-se a partir de aproximadamente 1 milhão de euros.

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A PLRE apenas trabalha com imóveis únicos e exclusivos pela sua localização, valor, materiais nobre, design sofisticado ou com história, como palácios, palacetes, solares e outros. Também a tendência 'high-tech' tem tido uma grande subida no nosso portfólio.

Qual foi a faturação PLRE em 2019 e as perspetivas para 2020?

A empresa tem por política não comunicar quaisquer números, até por questões de confidencialidade para com os nossos clientes. Mas posso dizer que pretendemos continuar a crescer a dos dígitos ao ano.

A PLRE vai continua a apostar em iniciativas como o patrocínio na etapa inaugural da global Ocean Race?

Sim, a PLRE sempre teve no seu ADN as causas ambiental e social. O propósito primeiro da Private Luxury é ajudar as pessoas a encontrar a casa que procuram. E não falamos apenas de betão, já que o que realmente conta e distingue uma casa de outra, muitas vezes, é o que está à sua volta. No caso do eixo Comporta-Lisboa-Cascais-Sintra, e do Algarve, as zonas onde temos a esmagadora maioria da nossa atividade, o mar é o grande elo de ligação.

Decidimos que, juntos com a Mirpuri Foundation - que consideramos ser um exemplo nesta luta e que leva a mensagem e a concretiza nos quatro cantos do mundo com ações no terreno, para equilibrar os ecossistemas -, seria o melhor caminho.

Neste sentido, associarmo-nos às iniciativas da Mirpuri Foundation, foi algo natural. No meu caso, como tenho também uma ligação muito grande ao mar, como bom açoriano e surfista que sou, faz todo o sentido a especial atenção que devemos dispensar aos oceanos e a todo o ecossistema que o compõe. Só depois vêm objetivos como posicionamento de marca, 'brand awareness', 'top of mind' e notoriedade, ou ainda criarmos pontes com potencias clientes. A nossa preocupação crescente é com tudo o que se passa à nossa volta, na nossa casa, que se chama planeta terra, onde todos temos uma responsabilidade individual e coletiva.