Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Que casas se procuram em Portugal em tempos de Covid-19?

Principais redes imobiliárias analisam os comportamentos desde o rebentar da pandemia e ao longo destes últimos meses, perspetivando o futuro do setor.

Raivis Razgals on Unsplash
Raivis Razgals on Unsplash
Autores: @Frederico Gonçalves, Tânia Ferreira

A Covid-19 está a deixar marca por onde passa, nomeadamente impactando o processo de procura de casas, por via de uma mudança nas preferências, gostos e necessidades que surgiram, ou ganharam mais relevância, nos últimos meses por força das circunstâncias. A casa assumiu o papel principal durante a pandemia e, isso mesmo, colocou em evidência uma procura mais orientada para espaços maiores, interiores e exteriores - que permitam uma melhor qualidade de vida e convívio familiar e/ou teletrabalhar -, a par de novas tipologias e localizações, sobretudo, nas zonas limítrofes dos centros urbanos, ou até no campo, em zonas rurais, ou de praia.

Mas serão estas, efetivamente, novas tendências de mercado que vão resultar em novos comportamentos de compra e arrendamento de imóveis ou simplesmente pesquisas aspiracionais associadas ao momento? E de que forma esta procura está a ter efeitos nos preços e na realização de negócios? Para responder a estas e outras questões, com o objetivo de tentar fazer um raio-x atual ao setor em Portugal e identificar pistas para perceber quais as perspetivas futuras, o idealista/news foi questionar 10 das principais redes imobiliárias a operar no país.

E o ‘feedback’ que recebemos está nas respostas, agora apresentadas por ordem alfabética das empresas de mediação imobiliária.

  • Century 21 Portugal: Ricardo Sousa (CEO)

É um facto que, a nível online, as pesquisas por moradias e apartamentos com áreas superiores à média subiram significativamente, porém, ainda é cedo para assumir que esta mudança de comportamento dos consumidores indica uma nova tendência. Os negócios realizados, e em pipeline para os próximos meses, são para transações de imóveis similares aos que se registavam em 2019, em termos da tipologia da habitação, área e localizações. Há um claro fator aspiracional que condicionou as pesquisas online, mas até ao momento quem está no mercado em processo de compra mantém o mesmo comportamento.

A procura nacional ganhou peso relativamente à fase de pré-pandemia. Naturalmente, o segmento internacional foi o mais afetado pela crise sanitária, tendo em conta a redução de mobilidade entre países que levou muitos investidores a suspenderem as suas decisões sobre transações imobiliárias. Na rede Century 21 Portugal, a maioria da procura para aquisição de habitação incide sobre imóveis até 200 mil euros.

Neste momento, verifica-se um aumento do gap entre as expetativas de proprietários e compradores. A procura tem uma expetativa de revisão em baixa dos preços, que não está a ser acompanhada pela oferta, e este fator poderá implicar um aumento do tempo médio das transações imobiliárias. Já no segmento de arrendamento, a alteração mais significativa que estamos a registar é a diminuição do valor médio de transação de arrendamento. A média nacional de rendas nos três primeiros meses do ano fixava-se nos 893 euros, enquanto em abril, maio e junho este valor baixou para 772 euros, o que revela um decréscimo médio de 13,5% no segundo trimestre.

"O comportamento do mercado - nos critérios de valores, perfil de procura, tipologias e áreas - não sofreu alterações significativas face ao que se verificava em 2019"

O comportamento do mercado - nos critérios de valores, perfil de procura, tipologias e áreas - não sofreu alterações significativas face ao que se verificava em 2019. O mercado imobiliário está ativo, regista uma procura estável, os bancos continuam a conceder crédito à habitação, e esta conjugação de fatores indicia uma recuperação progressiva do setor. É, assim, prematuro assumir novas tendências de mercado relativamente a tipologias de casa ou zonas para adquirir ou arrendar habitações. Estima-se que os proprietários venham a adoptar uma relação mais equilibrada com os compradores, algo que não é apenas positivo, mas também necessário. 

  • ComprarCasa: Luís Nunes (CEO)

Consideramos que ainda será demasiado cedo para tirar conclusões convictas sobre uma eventual alteração do perfil de consumo imobiliário. No entanto, nestes últimos três meses confirmámos um crescimento de 12% nas pesquisas por moradias em detrimento dos apartamentos, mantendo-se, ainda assim, um número maior de pesquisas pelo tipo “apartamentos”. Historicamente, na rede ComprarCasa sempre se concretizaram maior número de pesquisas de apartamentos face às moradias e, por regra, lideravam as Tipologías T2 e T3 (por esta ordem).

Também nas pesquisas por tipología é verificável uma tendência de procura por maiores tipologías. Nestes últimos meses, a mais pesquisada foi a T3 (média de 42% das consultas efetuadas nos últimos três meses). Nos primeiros três meses de 2020 e no período homólogo a tipologia mais consultada foi sempre a T2, com valores próximos dos 46%.

Hoje é normal que nas tradicionais características procuradas pelos potenciais compradores surjam os logradouros e, no caso dos apartamentos, as varandas, seguidas da pergunta "Qual a dimensão das mesmas?”, uma questão que até há pouco tempo se poderia considerar irrelevante. Outra característica prende-se com um interesse crescente de terraços.

Nos variadíssimos contactos com potenciais compradores percebe-se o interesse em saber se um determinado imóvel terá as características necessárias e suficientes para a eventual manutenção do teletrabalho. Procuram-se divisões um pouco mais espaçosas e tipologías maiores numa clara perspetiva de conseguir, se necessário, adaptar uma divisão prevista para quarto em local de escritorio.

As pesquisas que tiveram maior incremento foram as das zonas de “campo”, mais do que praia. Chamamos “campo” às zonas limítrofes dos centros urbanos que já demonstram uma outra qualidade de vida e que distam até 50/60 km. Este tipo de localização registou um acréscimo nas pesquisas na ordem dos 35% do primeiro para o segundo trimestre de 2020. Todavía, em termos globais, continuamos a registrar maior número de procura nos centros urbanos, mesmo que a mesma tenha decrescido no período anteriormente referido.

"Hoje é normal que nas tradicionais características procuradas pelos potenciais compradores surjam os logradouros e, no caso dos apartamentos, as varandas, seguidas da pergunta "Qual a dimensão das mesmas?”, uma questão que até há pouco tempo se poderia considerar irrelevante"

Em termos globais/nacionais, a principal origem de procura é claramente nacional. No entanto, em zonas específicas, como o Algarve e a Costa de Prata, a situação inverte-se. Em termos nacionais, cerca de 80% da procura é de Portugal e nas regiões específicas que mencionámos, particularmente no Algarve, mais de 70% da procura é não residente (Reino Unido, Brasil e França).

Em termos gerais, o intervalo de preços mais procurado aumentou cerca de 12%. Em termos médios e globais, o intervalo regista-se entre os 175.000 e os 225.000 euros. Nos grandes centros urbanos, como por exemplo Lisboa, a média cresce cerca de três quartos. 

O ano 2020 começou com excelente dinámica. Nos dois primeiros meses estávamos a crescer face ao ano anterior e com óptimos resultados comerciais. Aconteceu o que todos sabemos e, por razões mais que óbvias, o mercado desacelarou. Na Rede ComprarCasa, maio e junho foram meses de importante recuperação. O número de transacções recuperou bastante e a tendência é positiva. A pandemia acelerou consideravelmente a aposta no digital e na tecnologia. Não temos receio de vir a ser ultrapassados por estas; e temos a certeza de que muito nos apoiarão para o nosso crescimento futuro.

  • DECISÕES E SOLUÇÕES: Guida Sousa (Diretora Coordenadora Nacional)

A procura de moradias aumentou exponencialmente, cerca de 60%, comparativamente ao período homólogo, sobretudo nas zonas limítrofes das cidades e nas zonas mais a litoral do país. Nunca a procura de espaço numa casa foi tão determinante para as famílias. No entanto, para o mercado de segunda habitação, ou para os imóveis para rentabilização, continua em alta a procura de apartamentos.

Os clientes pós-Covid procuram imóveis com as seguintes características: imóveis maiores; cozinhas modernas e mais funcionais; espaços destinados ao home office; apartamentos com varandas; imóveis com serviço multimédia; moradias com jardim e/ou piscina; quintinhas com quintal para cultivo de hortas; moradias localizadas em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos, em ambientes mais tranquilos e com maior contato com a natureza; soluções sustentáveis como painéis solares fotovoltaicos.

Há, sem dúvida, uma diferença no perfil de produtos procurados pelos clientes. Com a quarentena a casa passou a ser o local de trabalho, a escola para os filhos, o restaurante, a padaria, o ginásio, o café… Todos passaram a valorizar o “ter espaço”, em forma de jardim, varanda, terraço ou quintal e “fácil acesso à internet” para se conectarem com o mundo.

As zonas mais procuradas para habitar são as zonas limítrofes das grandes cidades, seguidas das zonas litorais e, por fim, as zonas rurais. Nesta fase, apenas os investidores procuraram “imóveis de oportunidade” nos centros urbanos.

Durante a pandemia, cerca de 90% da procura imobiliária passou a ser de clientes de nacionalidade portuguesa. Contudo, no Algarve assistiu-se nos últimos dois meses a um aumentou da procura de imóveis residenciais por parte de clientes italianos, suíços, franceses e oriundos do norte da Europa. Comparando com o período pré-pandemia, verificou-se uma diminuição da procura estrangeira em cerca de um terço (de 15% passou para 10%).

"Há, sem dúvida, uma diferença no perfil de produtos procurados pelos clientes. Com a quarentena a casa passou a ser o local de trabalho, a escola para os filhos, o restaurante, a padaria, o ginásio, o café…"

O intervalo médio de preços mais procurado no mercado residencial para compra é entre 115.000 e 150.000 euros e entre 450 e 600 euros para arrendamento. Ao nível dos preços de compra não sentimos oscilação nos preços de procura, todavia no arrendamento os preços médios desceram.

Os impactos no mercado imobiliário provocados pela pandemia serão significativos. Já se assiste no setor da habitação a uma transformação dos atuais alojamentos locais em arrendamento de longa duração, implicando isto, à partida, uma consequente descida de preços devido ao aumento da oferta. No mercado residencial é provável que ocorra um ajustamento nos preços nos grandes centros urbanos, provocado pela descida da procura. Mas imperará sempre a lei da oferta e da procura no mercado para a definição dos preços.

Adaptamo-nos rapidamente à nova realidade e durante esta fase da pandemia continuamos a exercer a nossa atividade, apesar das condicionantes do momento, o que nos permitiu ultrapassar com sucesso esta adversidade. Não notamos grandes alterações no mercado imobiliário, a procura continua a um ritmo acelerado e realizam-se vendas todos os dias.

O mercado imobiliário em Portugal será sempre um setor de oportunidades, porque o nosso país encontra-se dotado de uma multiplicidade de fatores competitivos que o tornam desejável na perspetiva do investimento.

  • Engel & Völkers Portugal: Pedro Branco (Managing Director do Market Center de Lisboa)

O período de pandemia levou a uma retração da procura, sobretudo da procura interna, tendo o mês de abril registado um desvio de 40% face ao inicio do ano. No entanto, logo a partir de maio iniciou-se um período de recuperação e neste momento acreditamos que o pior já tenha passado, pois em julho a procura de imóveis já alcançou valores semelhantes ao período pré-pandemia.

O período de confinamento levou as pessoas a valorizarem ainda mais o espaço onde habitam, pois acabavam por passar mais tempo em casa e isso traduziu-se no aumento da procura de imóveis com espaço exterior, seja um imóvel com terraço ou uma varanda generosa, imóveis inseridos em condomínio com área de lazer ou ainda moradias.

Cerca de 30% dos clientes que nos procuram são estrangeiros, quer seja com intenção de comprar para viver ou apenas numa perspetiva de investimento. O que assistimos durante estes últimos meses foi a manutenção da procura por parte do cliente estrangeiro Vs o cliente interno, nomeadamente a procura pelo Golden Visa, situação esta que tinha vindo a perder fôlego desde o último ano. A forma como Portugal, numa fase inicial, demonstrou ser capaz de controlar a pandemia, pode ter contribuído para a permanência dos índices de atratibilidade do nosso país.

"A forma como Portugal, numa fase inicial, demonstrou ser capaz de controlar a pandemia, pode ter contribuído para a permanência dos índices de atratibilidade do nosso país"

No que respeita aos preços, fechámos o ano de 2019 com uma média de 750,000 euros de transação e nos primeiros meses deste ano não se registou qualquer alteração significativa.

O mercado de arrendamento diferenciou-se neste período de pandemia, sobretudo, pelo aumento do número de imóveis que foram colocados no mercado, muitos dos quais “desviados” do arrendamento de curta duração, o que levou a uma redução do preço médio quase em toda a Lisboa. Acreditamos que o mercado de arrendamento irá ganhar uma dimensão ainda maior.

Com a situação da procura de imóveis quase normalizada, a nossa perspetiva é que o impacto sobre a compra de habitação deverá ser relativamente limitado, tendo por base a manutenção das condições favoráveis de financiamento e a atratividade deste tipo de ativos como aplicação de poupança e na procura por não residentes (estrangeiros). No ano passado, mais de 60% das transações da E&V foram feitas por investidores internacionais. No entanto, os indicadores económicos que apontam para uma recessão da economia portuguesa, e num cenário mais adverso uma “segunda vaga” de infeções e as consequentes medidas de confinamento, podem tornar o panorama do setor imobiliário ainda mais desafiante.

  • ERA Portugal: Rui Torgal (Diretor Geral)

A chegada do novo coronavírus a nível mundial trouxe consigo uma onda de incerteza ao mercado imobiliário. A ERA não parou e o mercado imobiliário também não, verificando-se que com o desconfinamento social, a procura por imóveis está novamente numa clara tendência de crescimento. Verificámos um aumento de procura por moradias em detrimento de apartamentos. No período de 16 de março a 22 de abril o website registou 1,8 milhões de pesquisas por moradias, enquanto no período de 7 de fevereiro a 15 de março tivemos cerca de 1,6 milhões de pesquisas pelo mesmo tipo de imóvel, uma procura que se tem vindo a acentuar de forma substancial. 

A situação de confinamento social que vivenciámos contribuiu para que o cliente começasse a optar por espaços mais amplos para uma maior liberdade de movimentação e por imóveis que incluam espaços exteriores, como é o caso das moradias. O cliente começou a valorizar caraterísticas como jardins, terraços, varandas ou escritórios, bem como espaços mais versáteis e funcionais.

A ERA tem percecionado que a preferência por moradias, apartamentos maiores ou terrenos/lotes para construção tem levado a uma crescente procura por estes tipos de imóveis na periferia dos grandes centros urbanos. Nestas zonas,, muitas das famílias optaram por se deslocar até à segunda habitação, maioritariamente em zonas rurais ou próximas da praia, para usufruírem de características que não estão presentes no imóvel de primeira habitação. 

Desde o início da pandemia que continuamos a registar um elevado interesse por parte de clientes internacionais e principalmente de investidores estrangeiros, que procuram novas oportunidades e continuam a considerar o mercado imobiliário português bastante apelativo. Verificamos que o cliente nacional se mantém interessado no mercado, porque acredita que irá existir um equilíbrio entre a oferta e a procura, que irá levar a uma estabilização nos preços de mercado. 

A ERA tem mais de 60.000 imóveis para comercialização em todo o país, pelo que é possível encontrar boas oportunidades de negócio em todo o território nacional.

"Acreditamos que a oferta de imóveis para arrendamento vai aumentar devido à conversão de muitos imóveis de alojamento local para arrendamento de longa-duração"

Acreditamos que a oferta de imóveis para arrendamento vai aumentar devido à conversão de muitos imóveis de alojamento local para arrendamento de longa-duração. Ainda assim, com o crédito à habitação tão competitivo, as prestações mensais pagas ao banco acabam por ser muitas vezes inferiores ao valor do arrendamento mensal.

A conjuntura do setor imobiliário pré-pandemia era bastante favorável a Portugal, tendo deveras contribuído para a redução do desemprego e para o crescimento económico. No entanto, com a situação atual, temos vindo a registar um aumento da oferta de imóveis no mercado, que contribui para um equilíbrio entre a oferta e a procura o que, consequentemente, levará a uma estabilização dos preços dos imóveis.

Atualmente temos um mercado imobiliário mais preparado e mais profissionalizado no que toca às ferramentas digitais, o que permite uma resposta cada vez mais eficaz ao cliente e aos desafios que vão surgindo. Podemos ainda afirmar que continuamos na mira dos investidores estrangeiros, que mantém o interesse em Portugal, nos benefícios que o nosso país tem para oferecer e nas diversas oportunidades imobiliárias que existem em território nacional. 

  • Keller Williams: Fernando Loureiro (FL), Operating Principal da Somos Boavista e Vila Nova de Gaia, e José Maria Mendes Silva (JMMS), Operating Principal da Area Campo de Ourique e Carcavelos 

(FL) A pandemia mudou o mundo e obrigou-nos, a todos, a mudar para melhor
também. As empresas, que não quiseram ficar paradas até a pandemia passar, tiveram de fazer rápidas mudanças e muita tentativa-erro até encontrar um modelo que tornasse viável a sua continuidade no mercado. As novas ferramentas que passamos a utilizar  passaram a fazer parte do 'standard' da mediação imobiliária. Aprendemos que, afinal, existem tarefas que podem ser feitas remotamente e outras que continuam a necessitar do contacto presencial. Temos um negócio de pessoas que vai continuar a ser alavancado pela tecnologia e não substituído.

Com o avançar da pandemia e o tempo de confinamento a aumentar verificou-se que quem pretende comprar casa e tem capacidade financeira procura, por um lado, imóveis com espaços exteriores, sejam eles jardins ou varandas. Por outro lado, notamos também uma preocupação acrescida pelas condições de habitabilidade das casas, dado que o tempo que possivelmente poderemos ter de passar em casa é maior.

"Temos um negócio de pessoas que vai continuar a ser alavancado pela tecnologia e não substituído"

Quando entrámos em quarentena tivemos um grande receio de que a procura fosse diminuir e que não se iriam fechar novos negócios durante algum tempo. Decidimos encerrar os dois Market Centers que temos em Gaia e na Boavista por uma questão de precaução, no dia 13 de março. Durante esse mês reorganizamos e reestruturamos o 'modus operandi' da empresa. Criámos protocolos de segurança, seja para visitas a imóveis seja para as escrituras, mudámos procedimentos internos. Alterámos a formação para um formato 100% online e adaptámos os conteúdos à nova realidade. O ponto mais importante que trabalhámos foi a forma de pensar de todos os associados.

(JMMS) Existe uma preocupação acrescida com a adequação da casa à nova realidade que tem de ser mais flexível para poder ter espaços que permitam conciliar habitação com atividade profissional ou escolar. O fenómeno da procura de imóveis em zonas menos densas, mais rurais ou junto ao litoral não é de agora. De facto, existe há anos uma procura por este tipo de produtos por parte de clientes nacionais e internacionais. Com os preços da habitação nas zonas centrais das cidades a aumentar, disparou a procura de estrangeiros, e houve por isso nos últimos anos muitos portugueses que trocaram as suas casas no centro da cidade por outras fora dos centros urbanos, com mais espaço e com espaços exteriores, em zonais rurais ou da costa. No caso da região de Lisboa, a procura de habitação tem aumentado na linha de Cascais e na Costa de Sintra, até à Ericeira. A sul do Tejo também notamos o fenómeno da procura pelo litoral, até Setúbal. 

Os segmentos médio-alto e alto são os que têm refletido menos procura nesta fase. O segmento de preço que apresenta mais procura neste momento, na região da Grande Lisboa, encontra-se entre os 150.000 e os 300.000 euros.

"Existe uma preocupação acrescida com a adequação da casa à nova realidade que tem de ser mais flexível para poder ter espaços que permitam conciliar habitação com atividade profissional ou escolar"

O mercado de arrendamento sofreu alterações, especialmente porque refletiu rapidamente a quebra abrupta da procura de turistas pelo AL, ou seja, assistimos a vários estabelecimentos de AL a regressarem ou a converterem-se em arrendamento tradicional. Este fenómeno veio trazer para o arrendamento de média/longa duração mais imóveis.

O momento que atravessamos é realmente diferente de tudo o que vivemos até aqui. Sentimos e continuaremos a sentir nos próximos tempos os impactos na saúde, na economia, no quotidiano da população e naturalmente também no imobiliário. A pandemia não passou ainda totalmente (...), mas sentimos o otimismo e a confiança da procura presente no mercado imobiliário. Temos concretizado muitas transações e acreditamos que as oportunidades de negócio vão continuar a existir nos próximos meses.   

  • Porta da Frente Christie's: Rafael Ascenso (Diretor Geral)

O mercado imobiliário sofreu, tal como a maioria dos setores económicos, algumas alterações e adaptações durante este período de quarentena. É importante diferenciar e notar três momentos distintos nos últimos meses: o período pré-covid, o período de quarentena obrigatória e o período posterior (as últimas semanas).

Antes do momento desafiante em que nos encontramos, o mercado imobiliário português já experienciava um ajustamento de preços e oportunidades desde 2019, que acelerou agora. No período de quarentena propriamente dito, houve um nível de concretização de negócios bastante elevado, com muito poucos cancelamentos e alguns adiamentos, devido também ao facto de grande parte dos clientes serem estrangeiros e estarem impossibilitados de viajar para Portugal. Por último, o período pós-confinamento trouxe alguma recuperação e dinamismo ao mercado imobiliário, o que nos deixa optimistas e confiantes. As últimas semanas têm tido níveis de procura bastante consideráveis e temos tido um aumento em número de negócios e concretizações.

Notámos uma maior preocupação e procura por imóveis que beneficiem de espaços exteriores privativos e que tenham áreas amplas. A nossa casa assumiu o papel principal durante a pandemia e, para muitos de nós, passou a ser o local de trabalho e de lazer. Características que eram valorizadas mas têm agora uma importância muito maior devido à época em que vivemos.

Continuamos com muita procura nas nossas principais localizações, Lisboa, Cascais e Oeiras, mas tem havido um ligeiro aumento de interessados em algumas regiões próximas a estes centros urbanos, como Malveira da Serra, Azóia, Tróia e Azeitão. São localizações que oferecem muita tranquilidade e privacidade, em casas maiores (muitas delas moradias) e com bastante espaço exterior. Nos centros urbanos, por sua vez, tem havido uma procura que se mantém em linha com o que existia, onde temos confirmado um maior enfoque em apartamentos com tipologias superiores e com áreas generosas. 

Nos últimos seis anos, tivemos cerca de 65%-75% das vendas alocadas ao mercado internacional. Devido ao momento que vivemos, este é um mercado que tem atualmente bastantes restrições nas vindas a Portugal. Contudo, temos continuado a vender a clientes internacionais. Apesar de não ser em números pré-covid, temos feito negócios com estrangeiros que vivem cá, têm cá família, que querem comprar para investir, que têm casa em Portugal mas pretendem um upgrade, etc. Estamos a sentir um incremento importante nestas últimas semanas e temos recebido muitos pedidos de informação e imóveis selecionados para visitas logo que seja possível viajar. Estamos otimistas numa retoma progressiva, mas cientes de que os níveis de venda pré-covid só se irão atingir em 2021.

"Estamos otimistas numa retoma progressiva, mas cientes de que os níveis de venda pré-covid só se irão atingir em 2021"

Analisando o primeiro semestre de 2020 em termos gerais, houve um ligeiro aumento do preço médio de aquisição nos nossos três escritórios (Lisboa, Cascais e Oeiras), situando-se um pouco acima de um milhão de euros. Já no período de pandemia e confinamento, ou seja, a partir de 15 de março, embora com um volume de negócios mais baixo, o preço médio de compra foi ainda mais alto, rondando os 1.300.000 euros. 

Com a queda do turismo devido à pandemia, um grande número de habitações destinadas a AL está agora a regressar ao arrendamento de longa duração, aumentando assim a oferta disponível. Por outro lado, existem e existirão num futuro próximo uma série de empreendimentos e produtos recuperados que serão também colocados no mercado de arrendamento. Esta conjugação vai originar maior disponibilidade de produtos no mercado e um respetivo ajustamento de preços.

Pensamos que este período de quarentena tenha acentuado uma tendência que já vinha de 2019, ou seja, um ajustamento dos preços que já estavam fora de mercado. Depois de seis anos consecutivos de crescimento de preços, 2019 foi um ano de consolidação que se estendeu para 2020. Não consideramos que exista ou venha a existir uma queda de mercado, mas sim um ajustamento natural e que era necessário para o equilíbrio e maturidade do setor. Temos verificado um grande aumento da procura e do ritmo de negócios, o que nos faz encarar o futuro com otimismo e confiança. Acreditamos firmemente que o mercado imobiliário, especialmente em Portugal, irá recuperar a sua força e a sua velocidade em breve. 

  • Predibisa: Ana Jordão (diretora da área residencial)

A procura manteve-se sempre ativa, com algum abrandamento face ao ano anterior, mas já apresenta uma recuperação após a retoma da maior parte das atividades (pós- confinamento). A procura centra-se em imóveis variados, com especial interesse por espaços exteriores, jardins e vistas desafogadas.

Temos vindo a receber clientes que procuram a tranquilidade dos espaços rurais e outras localizações próximas da praia. O grande enfoque são as zonas ajardinadas e exteriores e os espaços de lazer ao ar livre. Também nos centros urbanos o interesse por varandas e terraços tem-se feito sentir.

A origem dos contactos foi durante o confinamento essencialmente nacional, mas a partir do início de junho os estrangeiros voltaram ao contacto em grande escala, com o intuito de investir no território português. As dificuldades impostas às viagens têm atrasado os processos de decisão e têm dificultado a concretização dos negócios.

"Temos vindo a receber clientes que procuram a tranquilidade dos espaços rurais e outras localizações próximas da praia"

O mercado de arrendamento está especialmente dinâmico com uma elevada procura e tempos de colocação muito curtos. Acreditamos que esta tendência nos arrendamentos se vá manter nos próximos meses.

Este momento é um grande desafio para todos setores de atividade. Também a mediação imobiliária não poderá fugir aos ajustamentos necessários, encontrando meios alternativos de comunicação e divulgação da sua carteira de imóveis e oferecendo um serviço cada vez mais criterioso e aperfeiçoado.

  • Remax Portugal: Fonte Oficial

Os apartamentos são, como sempre foram nas últimas décadas, o tipo de imóvel mais procurado, pelo que a nova conjuntura não alterou esta caraterística do mercado imobiliário nacional. No entanto, desde maio que se assiste a uma maior procura por moradias, eventualmente motivada pelas novas circunstâncias de segurança sanitária e convívio social. Observando o índice de procura média diária, em junho, face a janeiro, foi possível constatar, por um lado, um aumento de 18% na procura por moradias e uma diminuição de 21% na de apartamentos.

Os dois principais critérios de procura continuam a ser os mesmos: preço e localização. Hoje em dia existem novos motivos para que os clientes desejem áreas maiores, com espaços mais abertos ao exterior, eventualmente mais privados, pelo que as moradias, por apresentarem estas caraterísticas, acabam por ganhar uma certa relevância na procura.

Dada a relativa escassez de moradias em zonas inteiramente urbanas, foi natural o aumento da procura em zonas semiurbanas e rurais, sejam próximas de praias marítimas ou fluviais, sejam integradas em ambiente campestre. A acessibilidade ao principal centro urbano da zona ganhou assim importância como critério adicional na seleção de imóveis. Nos grandes centros urbanos, onde a grande maioria da oferta é constituída por apartamentos, notou-se um leve aumento da procura pelas tipologias mais elevadas, mas não podemos presumir ser uma tendência ou um comportamento sequer significativo, digno de especial atenção.

A procura continua a ser essencialmente nacional, não obstante o acréscimo de 9% no número de visitas internacionais ao site no primeiro semestre de 2020. As mais recentes limitações nas viagens internacionais e a quebra do investimento estrangeiro conduziram, naturalmente, a uma descida do número de negócios concretizados envolvendo clientes de nacionalidade estrangeira. No segundo trimestre destacaram-se os clientes de origem brasileira, chinesa, francesa, angolana e inglesa.

"A procura continua a ser essencialmente nacional, não obstante o acréscimo de 9% no número de visitas internacionais ao site no primeiro semestre de 2020"

Ainda é cedo para se assumirem mudanças de padrão na procura, pois serão ainda necessários muitos mais meses para tomarmos qualquer alteração como certa. Mesmo em termos de preços praticados, os critérios de valorização são os mesmos que existiam em períodos pré-pandémicos, não se registando qualquer descida ou subida generalizada dos preços. Não existem factos que confirmem quaisquer alterações significativas nos padrões de procura por intervalos de preços, mas sim que estes se revelam estáveis, com critérios de definição idênticos ou similares aos registados em períodos anteriores.

Ainda é cedo para conclusões inteiramente fidedignas, seja porque se vivem ainda períodos de incerteza nos vários mercados nacionais e internacionais, seja porque são necessários muitos mais meses de análise que comprovem uma sustentabilidade, seja porque não se sabe ainda se a adaptação que os cidadãos, as empresas e os países estão a fazer à nova conjuntura, será de facto eficaz a médio/longo prazo. Certo é que desde a quebra da procura em finais de março/abril registam-se crescentes aumentos da procura que, em alguns segmentos, é até superior à registada no início do ano.

De dia para dia, os indicadores evoluem favoravelmente e julho revela-se mais promissor que junho, assim como este se revelou mais positivo que maio. O imobiliário vive espontaneamente um período de alguma incerteza e indefinição, onde as capacidades de adaptação e de inovação serão fundamentais. As empresas que melhor e mais depressa se ajustarem às novas circunstâncias estarão na vanguarda do desenvolvimento e do progresso do setor.

  • Zome: Patrícia Santos (CEO)

Em junho de 2020 registámos o maior número de transações de moradias deste ano (101). Já o número de transações de apartamentos recuperou em junho para valores semelhantes aos de fevereiro e março, ainda assim distante dos de janeiro, mês que registou os valores mais altos do ano. Em fevereiro, o número de transações de apartamentos caiu 8% face a janeiro, recuperou 2% em março, mas com o início da quarentena registou uma queda de 44% em abril, recuperando, consecutivamente, em maio e junho. O número de transações de moradias diminuiu apenas em abril, face a março (-29%). Nos restantes meses cresceu sempre face ao mês anterior. 

Registámos que nos últimos meses houve um aumento do número de moradias vendidas e de procura por apartamentos com varandas ou terraços, o que pressupõe uma maior valorização dos imóveis com espaços privados ao ar livre, acreditamos nós, em virtude do período de confinamento.

O nosso top 13 de zonas procuradas por concelho (que representa cerca de 80% do número total de transações feitas pela Zome) nos primeiros seis meses de 2020 é exatamente o mesmo que nos primeiros seis meses de 2019. No entanto, existem concelhos que apresentam uma ligeira subida na procura, quando olhamos para o peso da transações entre 2019 e 2020, nomeadamente, Porto, Leiria, Vila Nova de Famalicão e Lisboa.  

"Nos últimos meses houve um aumento do número de moradias vendidas e de procura por apartamentos com varandas ou terraços, o que pressupõe uma maior valorização dos imóveis com espaços privados ao ar livre"

Não registámos grandes diferenças entre o pré-pandemia e o período atual. A grande maioria dos clientes continua a ser nacional, mas mesmo em período de confinamento efetuámos negócios, através da plataforma online Zome Now, com estrangeiros a residirem fora de Portugal, em países como Brasil, França, Estados Unidos e Reino Unido.

Se olharmos apenas para o mês de junho, o intervalo de preços mais registado nas transações de imóveis que efetuámos foi entre os 100.000 e os 200.000 euros (41%). De resto, com exceção do mês de abril, em que o intervalo foi até 100.000 euros, tem sido esse o intervalo mais procurado ao longo do ano.

Ainda é prematuro fazer qualquer tipo de previsão relativamente ao mercado. O mês de abril foi particularmente difícil, com um decréscimo acentuado no número de transações de imóveis, no entanto, desde o início de maio que temos registado uma recuperação generalizada e sustentada para valores mais próximos aos do início do ano. A qualquer altura e, dependendo sempre da evolução da pandemia, o contexto económico mundial pode alterar-se, mas mantemo-nos positivos, até porque temos sido capazes de encontrar soluções inovadoras e altamente eficazes para minimizar potenciais danos.

Os preços das casas não sofreu, para já, grande alteração, quer no que respeita a compra e venda, quer no que respeita ao arrendamento. A venda de imóveis da Zome está a recuperar de forma sustentada desde abril e, por isso, estamos convictos de que estes indicadores são sinais de otimismo e de uma adaptação à nova forma de lidar com a pandemia. A economia não pode parar.