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Covid-19 reduz capacidade de comprar casa - mesmo com preços mais baixos

A pandemia vai acentuar as desigualdades no acesso à habitação e afetar os grupos mais vulneráveis, como os jovens, revela um relatório recente da Moody's.

Photo by Harli Marten on Unsplash
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Autor: Redação

A crise económica desencadeada pela Covid-19 vai, tendencialmente, provocar uma quebra generalizada nos preços das casas em toda a Europa já em 2021 - Portugal incluído. Mas a tendência de descida não se irá traduzir num aumento das transações de compra, venda ou arrendamento de imóveis. Pelo contrário: a pandemia vai mesmo tornar mais difícil o acesso à habitação, acentuando desigualdades e afetando os grupos mais vulneráveis, nomeadamente a população mais jovem e os trabalhadores com baixos salários, segundo antecipa a agência de notação financeira Moody’s.

Prever o comportamento do mercado num contexto de instabilidade e recessão como o atual é uma tarefa difícil, e são muitas as variáveis que podem provocar mudanças nas estimativas que se fazem. Várias entidades já começaram a tentar descortinar a evolução do setor imobiliário e do custo da habitação, porque é um tema crítico para a economia, o sistema financeiro e a sociedade. Depois da análise da S&P, e das previsões da CE, é agora conhecida a antevisão da Moody's, no mais recente relatório sobre a Europa: “COVID-19 driven housing trends will exacerbate wealth inequalities among young and low-income populations in Europe”.

A agência de notação financeira de origem norte-americana prevê que os preços da habitação se mantenham estáveis em 2020,  em grande parte devido às políticas de estímulo aprovadas pelos governos, mas admite quebras generalizadas já em 2021 por causa da Covid-19. De acordo com a Moody’s, “os preços no mercado imobiliário residencial na Europa devem manter-se estáveis em 2020, para depois descerem na maioria dos países fruto da crise de Covid-19 e a grave recessão económica provocada pela pandemia”, tal como analisa a companhia de rating, citada pela imprensa nacional e internacional, estimando descidas dos preços na ordem dos 2% no próximo ano.

Os países do Sul da Europa, incluindo Portugal, serão particularmente mais afetados, porque as suas economias estão mais dependentes do turismo, um dos setores mais fortemente castigados pela crise pandémica. Diz a Moody's que o futuro estará dependente, neste caso, do tempo de recuperação do setor, estando em risco que a oferta disponível possa levar muitas casas alocadas ao alojamento local a serem transferidas para o mercado de arrendamento tradicional, criando potenciais focos de “excesso de oferta” - que contrasta com o contexto de antes da chegada do novo coronavírus, em que a procura era superior ao produto no mercado.

Mais habitação social e proteção de inquilinos

Para a agência de notação financeira, a Covid-19 precipitará várias mudanças fundamentais no mercado imobiliário europeu. Argumenta que a baixa de preços não vai compensar ou melhorar as condições no acesso à habitação, porque os rendimentos das famílias também estão a ser fustigados pela pandemia, especialmente dos trabalhadores mais jovens e com salários mais baixos.Para dar resposta a este cenário de maior inacessibilidade, deverá assistir-se a maiores necessidades de habitação social e aumento da proteção aos inquilinos.

Por outro lado, há mudanças evidentes a acontecerem no segmento residencial e que resultam de alterações nas preferências das populações, com a procura de casa a disparar nas áreas suburbanas, devido ao confinamento e ao crescimento generalizado do teletrabalho. "À medida que as pessoas trabalham mais a partir de casa, irá baixar de forma significativa a procura por habitação nos centros urbanos – os consumidores vão querer casas maiores onde possam trabalhar de forma mais cómoda, mais longe desses centros urbanos”, antecipa ainda a Moody’s.

Lembra também a agência de rating que a perda de rendimentos e desemprego deverão aumentar no atual contexto de recessão económica, e espera, por isso, uma maior intervenção dos governos ao nível da criação de habitação social e regulamentação do arrendamento para proteção dos inquilinos.