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Partilhar a casa (ou um espaço) na pandemia: pistas para sobreviver ao confinamento

Viver e enfrentar melhor os tempos de quarentena na mesma casa. As recomendações de Cristiana Santos, psicóloga e fundadora da CS - Creating Success.

Photo by Soroush Karimi on Unsplash
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Autor: Redação

Viver numa casa partilhada pode ser um verdadeiro desafio, sobretudo em tempos de confinamento, por causa da pandemia. Mas a regra da boa convivência (e do bom senso) não se aplica apenas à partilha de casa com amigos ou estranhos. Aplica-se, também, à generalidade das famílias, que agora se veem obrigadas a reorganizar os espaços da casa, transformados em locais de trabalho, escolas e até zonas de lazer. O que fazer, afinal, para sobreviver à quarentena na mesma casa?

“Estar confinado a um espaço pode ser uma benção e uma maldição simultaneamente. Na maioria das situações o resultado é determinado pelas nossas escolhas: escolho ver isto como uma oportunidade e não um obstáculo”. As palavras são de Cristiana Santos*, psicóloga e fundadora da CS - Creating Success, que neste artigo preparado para o idealista/news deixa várias pistas importantes sobre a partilha de casa (ou de um espaço da casa), com recomendações que podem ajudar-te a viver e enfrentar melhor os tempos de confinamento.

*Cristiana Santos vive em Londres e gere uma equipa de psicólogos internacionais em inglês e português. Especialista em Business Psychology e Psicologia Clínica focada na eficácia.

O que fazer para sobreviver ao confinamento na mesma casa

  • Ter uma comunicação clara com todos os habitantes da casa e estabelecer regras de convivência.
  • Definir limites de privacidade. Todos precisamos do nosso espaço pessoal. Por mais que gostemos de alguém ou nos sintamos confortáveis a estar acompanhado, é importante ter momentos sozinhos e espaço pessoal. Ao estarmos fechados no mesmo espaço, podemos definir algumas regras para que este espaço exista:
    • Se possível, delinearem as zonas da casa em que cada um passa mais tempo;
    • Nessa impossibilidade, darem espaço ao outro sozinho num lugar cómodo da casa durante um período de tempo (e depois trocarem no caso de famílias alargadas);
    • Ou fazerem as saídas à rua em horários diferentes para que tenham tempo a sós na rua e em casa.
  • Respeitar a privacidade do outro. Não é porque ouvimos todas as conversas e reuniões de trabalho do outro que devemos opinar sobre as mesmas (a menos que seja pedido). É importante respeitar a privacidade das comunicações do outro para que também a sua privacidade seja respeitada.
  • Se estás em teletrabalho, define a zona de trabalho. O ideal será ter um escritório, apenas trabalhar nesse espaço e fechar a porta quando se termina. Da mesma forma, não ir lá aos fins de semana, tal como faríamos no local de trabalho. Na impossibilidade do escritório, é importante definir um espaço de trabalho em casa. Evita que seja o quarto ou a mesa onde comes. Se tiver de ser nestes espaços, tenta criar uma zona separada. Por exemplo, sentares-te num lado da mesa para trabalhar e noutro para comer. Isto ajudará o cérebro a fazer a distinção entre trabalho e lazer.
  • Delinear tarefas e responsabilidades. Com a alteração das dinâmicas familiares e rotinas, o que funcionava anteriormente, pode não funcionar agora. Quem supervisiona os miúdos na escola online? Fazem turnos? Quem faz as compras? Quem limpa o quê? Quem cozinha? A melhor forma de prevenir as discussões domésticas, que derivam de pequenas tarefas, é na prevenção, através da comunicação e ir ajustando à medida que o tempo vai passando.
  • Criar momentos de lazer e relaxamento. Passar muito tempo juntos, não é o mesmo que passar tempo de qualidade juntos. É uma falsa sensação de proximidade o “estar fechado na mesma casa”. As relações não são feitas apenas de proximidade física, mas de interação e emoções. Da mesma forma que faziam atividades ao fim de semana, cria as mesmas rotinas dentro de casa. Desde aulas de dança, exercício físico, a jogos de tabuleiro, ver um filme ou até fazer um projeto de decoração em conjunto. Existem mil ideias de como passar tempo de qualidade com aqueles com quem coabita. O importante é definir que é um momento de lazer e para estar, e não mais uma tarefa doméstica.
  • Tirar o máximo partido da situação. Traz uma atitude de curiosidade para a situação. Desafia-te a descobrir novas facetas nas pessoas com quem vives. Implementar novos hábitos. Ou descobrir novas formas de estar em casa, de usar os espaços ou até redescobrir o bairro e zonas circundantes.
  • Cuida de ti. Não é porque não sais de casa que viras “O Náufrago”. Não trabalhes de pijama. Podes não te vestir como se fosses trabalhar, mas podes tratar da tua aparência e forma física. Um duche rápido faz milagres, assim como vestir roupas que dizem ao seu cérebro que estás em modo de trabalho.
  • Mantém rotinas de acordar e despertar. O nosso ciclo do sono regula o nosso humor, logo é importantíssimo que te mantenhas constante e saudável. 
  • Por último, se o conflito surgir ou se tiveres dias mais cinzentos, lembra-te que tudo é temporário e escolhe as batalhas que valem a pena travar. Podes não controlar o que acontece no mundo, mas controla como reages ao que acontece no teu mundo.