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Fábrica Confiança: autarquia de Braga acusada de transformar local numa “lixeira a céu aberto"

O município garante que o que ali se vê são “materiais de estaleiro de apoio à direção de obras”.

Antiga fábrica Confiança, em Braga. Foto: CM Braga
Antiga fábrica Confiança, em Braga. Foto: CM Braga
Autor: Redação

A Plataforma Salvar a Fábrica Confiança veio acusar a Câmara de Braga de transformar aquele monumento de interesse público “numa lixeira a céu aberto”, depositando ali resíduos que estão a contribuir para a degradação dos edifícios, “a contaminar os solos” e “as linhas de água subterrâneas”. A autarquia nega as acusações e garante que o que ali se vê são “materiais de estaleiro de apoio à direcção de obras” que não põem em causa a “salvaguarda do património”.

“O município de Braga, que é a única entidade com acesso ao espaço, transformou o logradouro deste edifício histórico do início do século XX num depósito de resíduos de demolições, de construção, mas também de lâmpadas e de material eletrónico que se encontram depositados a céu aberto e sem isolamento do solo, ao arrepio da lei. Estes resíduos estão a contaminar os solos na zona de proteção da Fábrica Confiança, assim como as linhas de água subterrâneas que ali existem”, acusa a Plataforma Salvar a Fábrica Confiança, em comunicado.

Cláudia Sil, representante do movimento cívico, disse ao jornal Público que “já há muito tempo que isto tem vindo a ser uma prática comum” da autarquia. “A câmara vai fazendo da fábrica um local de armazenamento de elementos decorativos de festas e de palcos, usando o logradouro para depositar material. Mas não nesta quantidade e forma. Estamos a falar de toneladas”, garante à publicação, notando que houve um “acréscimo” da deposição “deste tipo de resíduos em meados de abril”.

No documento em que o movimento cívico acusa a autarquia de depositar lixo naquele espaço, é dito ainda que o depósito de resíduos está a “está a contribuir para a degradação dos edifícios da Fábrica Confiança, por estarem sujeitos a uma constante movimentação de maquinaria pesada de transporte”, mas também a  “contaminar os solos” assim como as “linhas de água subterrâneas”.

Na opinião da representante da plataforma, o que tem vindo a acontecer é “um ato de agressão” e “uma forma violenta de mostrar que não há alternativa” para a Fábrica Confiança. Lembra, contudo, que a própria plataforma já entregou uma proposta ao município para explorar o edifício e que nunca obteve resposta. “É falso que não haja alternativas. Há uma insensibilidade grande em relação ao que a fábrica representa”, diz.

Autarquia nega acusações

De acordo com o jornal Público, a Câmara de Braga nega as acusações e afirma que não há “quaisquer resíduos depositados” naquele espaço. Diz que o que ali se vê são  “materiais de estaleiro de apoio à direção de obras”.

“Não existem, por isso, quaisquer resíduos perigosos, como se afirma”, refere a autarquia, citada pela mesma publicação. O que se vê depositado, garante, é “material de estaleiro de apoio a obras municipais que em nada põe em causa a salvaguarda do património”.