Novos AL no Porto suspensos: autarquia prepara novo regulamento

Proprietários de AL temem que novo regulamento de Alojamento Local crie zonas de contenção e, por conseguinte, suba impostos.
Alojamento local no Porto
Pixabay

Depois de os novos registos de Alojamento Local (AL) no Porto terem sido suspensos no centro histórico e no Bonfim, a Câmara Municipal do Porto está a preparar-se para dar início à criação do regulamento municipal para o crescimento sustentável do AL na cidade. Já os proprietários estão preocupados com estas mudanças, temendo que este novo regulamento crie zonas de contenção, onde, segundo a proposta do OE2023, os proprietários de AL terão de pagar mais impostos, nomeadamente IRS.

A regulamentação do crescimento sustentável de AL no Porto é um tema de “elevado interesse para a cidade”, sublinha Ricardo Valente, vereador com o pelouro da Economia da Câmara do Porto, recordando que “as decisões que vierem a ser deliberadas interferem com a economia, urbanismo e turismo da cidade".

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O município do Porto "tem já finalizado o modelo e a métrica para a caracterização da pressão" do AL na cidade, no decorrer de um estudo elaborado em colaboração com a Universidade Católica Portuguesa, disse Ricardo Valente. E revelou, contudo, que dado o número de novos pedidos de AL há informações que terão de ser atualizadas no estudo. Até ao momento, sabe-se que estão registados no Porto mais de 9.000 unidades de Alojamento Local.

Para dar seguimento ao processo, o executivo municipal vota na segunda-feira dar início ao procedimento administrativo de criação do regulamento municipal para o crescimento sustentável do Alojamento Local do Porto, bem como publicitar no "site" do município a deliberação, fixando um prazo de 20 dias úteis para a constituição de interessados e apresentação de contributos a serem integrados no documento. 

Zonas de contenção de Alojamento local no Porto
Imagem de Nahália Segato por Pixabay

Proprietários de AL temem que regulamento suba impostos

Além da instabilidade que a suspensão de novos AL gerou no Porto, os proprietários estão ainda preocupados com o agravamento fiscal que se avizinha para as unidades existentes.

Ana Sofia Rego, proprietária de AL no Porto, diz que está “preocupada” com a entrada em vigor do regulamento, já que o mesmo prevê classificar zonas de contenção, o que implica um agravamento fiscal “brutal”, tendo em conta o que está previsto na proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), disse citada pela SIC Notícias.

Questionado sobre a subida da taxa de IRS para zonas de contenção de AL, a autarquia do Porto espera que esse ponto seja retirado do OE2023. Ricardo Valente esclarece: “Nós não estamos do lado da penalização e do castigo, que é isso que aqui se pretende fazer. É na prática dizer: ‘Vais continuar a poder ter o teu Alojamento Local, mas agora em vez de pagares 35 vais pagar 50’. Não faz sentido rigorosamente nenhum, porque não tem explicação razoável. Somos completamente contra e vamos consultar o Governo para que reveja o tratamento fiscal dos alojamentos locais nas chamadas zonas de contenção”, vincou à mesma publicação.

Novos alojamentos locais suspensos no Porto
Imagem de bildundso por Pixabay

Uma semana de suspensão de novos registos de AL no Porto

A suspensão de novos registos de AL nas freguesias do centro histórico do Porto e do Bonfim entrou em vigor a 11 de outubro, depois de aprovada pela Assembleia Municipal do Porto, com a oposição a considerar que a decisão “peca por tardia”.

No período dedicado à intervenção de munícipes durante a Assembleia Municipal do Porto, alguns proprietários de alojamentos locais criticaram a suspensão, defendendo que o setor "não pode ser um bode expiatório". 

Nuno Trigo, coordenador da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) para o Porto e Norte, admite que a suspensão de novos registos de AL gera “incerteza e instabilidade”, sobretudo nos processos de reabilitação que estão em curso e que não tiveram tempo de se licenciar, disse citado pela SIC Notícias.

A suspensão de novos registos de AL no Porto vigorará por um período de seis meses, "prorrogável por igual período, ou, em alternativa, se esta ocorrer primeiro, até à entrada em vigor do regulamento".

À Lusa, a Câmara do Porto adiantou que, desde a data de anúncio da suspensão, a 4 de outubro, até à deliberação da proposta pela Assembleia Municipal do Porto, a 10 de outubro, foram submetidos 946 pedidos de instalação de novos alojamentos locais na cidade.

Dos 946 pedidos, 98 diziam respeito à União de Freguesias de Cedofeita, S. Ildefonso, Sé, Miragaia, S. Nicolau e Vitória, uma das duas freguesias em que a suspensão de novos registos de AL entrou em vigor. Já na Freguesia do Bonfim, onde também foram suspensos novos registos, foram submetidos 18 pedidos. 

*Com Lusa

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