Cumprir uma taxa de esforço de 33% obriga, em 12 capitais de distrito, à aquisição de habitações significativamente mais pequenas.
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Casas pequenas
Getty images

Com os preços das casas a aumentar e os salários a não conseguirem acompanhar esta subida, há cada vez mais famílias em Portugal a enfrentar dificuldades no acesso à habitação adequada ao seu rendimento. Por consequência, a dimensão das habitações que podem ser adquiridas ou arrendadas dentro da taxa de esforço recomendada de 33% tem vindo a diminuir de forma significativa, sobretudo nas grandes cidades e regiões do litoral.

Uma das conclusões da análise da Century 21 Portugal revela que, com os preços das casas atualmente praticados, apenas seis capitais de distrito do interior (Portalegre, Castelo Branco, Bragança, Guarda, Beja e Viseu) permitem às famílias comprar uma casa com mais de 90 metros quadrados (m2) sem ultrapassar a taxa de esforço recomendada do rendimento familiar. Destas seis, Portalegre e Castelo Branco destacam‑se como os mercados onde as áreas máximas acessíveis chegam aos 135 m2, o valor mais elevado entre as capitais analisadas. Isto acontece porque o preço das casas nestas cidades é mais acessível aos bolsos das famílias.

Nas restantes 12 capitais de distrito, comprar casa dentro da taxa de esforço recomendada - e, por isso, acessível ao seu rendimento - significa optar por habitações entre os 80 m2 em Santarém e em Leiria, e os 35 m2 em Lisboa, a menor área contabilizada nesta análise. Em Faro e no Porto, a área possível de adquirir é de apenas 45 m2.

Evolução da dimensão da casa comprada
Fonte: Century 21 Portugal

O relatório revela que o problema agravou-se nos últimos três anos. Em 2022, as famílias conseguiam aceder a habitações com áreas entre 40 m2 e 200 m2 dentro da taxa de esforço recomendada, sendo que apenas Lisboa, Porto e Faro ficavam abaixo dos 90 m2. No topo da tabela estava a Guarda, com as dimensões das habitações a atingir os 200 m2. Hoje, a realidade mudou: comprar uma casa sem esforço na Guarda passou para os 125 m2, sendo ultrapassada por Portalegre (135m2), Castelo Branco (135m2) e Bragança (130m2).

A realidade também se agravou nos mercados mais valorizados do país, com a falta de habitação acessível a empurrar as famílias para casas ainda mais pequenas face há três anos. Em Lisboa, Porto e Faro – e as respetivas áreas metropolitanas – as famílias só conseguem comprar casas com áreas de 35 a 50 m2 dentro do esforço financeiro recomendado (entre 40 e 65 m2 em 2022), sinal de um forte desfasamento entre baixos salários e preços altos. 

As dificuldades do mercado de arrendamento

Segundo a mesma análise, apenas em duas capitais de distrito, Guarda e Portalegre, o rendimento familiar permite arrendar uma habitação com 90 m2 ou mais em 2025. Nas restantes 16 cidades as famílias são obrigadas a optar por casas mais pequenas, chegando ao mínimo dos valores em Lisboa, com apenas 35 m2.

Com exceção de Portalegre, onde agora é possível arrendar casas ligeiramente maiores do que há três anos (95 m2  em 2025 face a 90 m2 em 2022), nas restantes 17 grandes cidades as habitações acessíveis dentro do orçamento recomendado reduziram de tamanho em relação a 2022. O exemplo mais significativo ocorre em Beja, onde a área disponível caiu para 70 m2 face aos 130 m2 que as famílias podiam arrendar há três anos.

"Esta tendência é transversal à generalidade do território analisado, com perdas de área que variam entre 10 e 60 m2, o que, na maioria dos mercados, se traduz na necessidade de arrendar habitações substancialmente inferiores a 90 m2", lê-se na análise. 

Evolução da dimensão da casa arrendada
Fonte: Century 21 Portugal

Apesar da redução generalizada da área acessível, a análise da Century 21 Portugal conclui que, em todas as capitais de distrito, comprar casa continua a implicar um encargo mensal inferior ao do arrendamento para habitações equivalentes. As diferenças podem atingir cerca de 45%, embora em Lisboa essa vantagem seja muito reduzida, refletindo a forte pressão simultânea dos preços de compra e das rendas.

Ainda assim, a vantagem da compra face ao arrendamento tem vindo a diminuir. Em dois terços das cidades analisadas, a diferença entre a dimensão das casas acessíveis nas duas opções reduziu-se de forma significativa, passando de intervalos mais amplos para diferenças bastante mais curtas.

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