Cumprir uma taxa de esforço de 33% obriga, em 12 capitais de distrito, à aquisição de habitações significativamente mais pequenas.
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Casas pequenas
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Com os preços das casas a aumentar e os salários a não conseguirem acompanhar esta subida, há cada vez mais famílias em Portugal a enfrentar dificuldades no acesso à habitação adequada ao seu rendimento. Por consequência, a dimensão das habitações que podem ser adquiridas ou arrendadas dentro da taxa de esforço recomendada de 33% tem vindo a diminuir de forma significativa, sobretudo nas grandes cidades e regiões do litoral.

Uma das conclusões da análise da Century 21 Portugal, apresentada do "Observatório do Imobiliário", no Meo Arena, no dia 5 de fevereiro, aponta para que, com os preços das casas atualmente praticados, apenas seis capitais de distrito do interior (Portalegre, Castelo Branco, Bragança, Guarda, Beja e Viseu) permitem às famílias comprar uma casa com mais de 90 metros quadrados (m2) sem ultrapassar a taxa de esforço recomendada do rendimento familiar. Destas seis, Portalegre e Castelo Branco destacam‑se como os mercados onde as áreas máximas acessíveis chegam aos 135 m2, o valor mais elevado entre as capitais analisadas. Isto acontece porque o preço das casas nestas cidades é mais acessível aos bolsos das famílias.

Nas restantes 12 capitais de distrito, comprar casa dentro da taxa de esforço recomendada - e, por isso, acessível ao seu rendimento - significa optar por habitações entre os 80 m2 em Santarém e em Leiria, e os 35 m2 em Lisboa, a menor área contabilizada nesta análise. Em Faro e no Porto, a área possível de adquirir é de apenas 45 m2.

Evolução da dimensão da casa comprada
Fonte: Century 21 Portugal

O relatório promovido pela rede imobiliária de origem norte-americana, liderada em Portugal por Ricardo Sousa, revela que o problema agravou-se nos últimos três anos. Em 2022, as famílias conseguiam aceder a habitações com áreas entre 40 m2 e 200 m2 dentro da taxa de esforço recomendada, sendo que apenas Lisboa, Porto e Faro ficavam abaixo dos 90 m2. No topo da tabela estava a Guarda, com as dimensões das habitações a atingir os 200 m2. Hoje, a realidade mudou: comprar uma casa sem esforço na Guarda passou para os 125 m2, sendo ultrapassada por Portalegre (135m2), Castelo Branco (135m2) e Bragança (130m2).

A realidade também se agravou nos mercados mais valorizados do país, com a falta de habitação acessível a empurrar as famílias para casas ainda mais pequenas face há três anos. Em Lisboa, Porto e Faro – e as respetivas áreas metropolitanas – as famílias só conseguem comprar casas com áreas de 35 a 50 m2 dentro do esforço financeiro recomendado (entre 40 e 65 m2 em 2022), sinal de um forte desfasamento entre baixos salários e preços altos. 

As dificuldades do mercado de arrendamento

Segundo a mesma análise, apenas em duas capitais de distrito, Guarda e Portalegre, o rendimento familiar permite arrendar uma habitação com 90 m2 ou mais em 2025. Nas restantes 16 cidades as famílias são obrigadas a optar por casas mais pequenas, chegando ao mínimo dos valores em Lisboa, com apenas 35 m2.

Com exceção de Portalegre, onde agora é possível arrendar casas ligeiramente maiores do que há três anos (95 m2  em 2025 face a 90 m2 em 2022), nas restantes 17 grandes cidades as habitações acessíveis dentro do orçamento recomendado reduziram de tamanho em relação a 2022. O exemplo mais significativo ocorre em Beja, onde a área disponível caiu para 70 m2 face aos 130 m2 que as famílias podiam arrendar há três anos.

"Esta tendência é transversal à generalidade do território analisado, com perdas de área que variam entre 10 e 60 m2, o que, na maioria dos mercados, se traduz na necessidade de arrendar habitações substancialmente inferiores a 90 m2", lê-se no documento apresentado no evento.

Evolução da dimensão da casa arrendada
Fonte: Century 21 Portugal

Apesar da redução generalizada da área acessível, a análise da Century 21 Portugal conclui que, em todas as capitais de distrito, comprar casa continua a implicar um encargo mensal inferior ao do arrendamento para habitações equivalentes. As diferenças podem atingir cerca de 45%, embora em Lisboa essa vantagem seja muito reduzida, refletindo a forte pressão simultânea dos preços de compra e das rendas.

Ainda assim, a vantagem da compra face ao arrendamento tem vindo a diminuir. Em dois terços das cidades analisadas, a diferença entre a dimensão das casas acessíveis nas duas opções reduziu-se de forma significativa, passando de intervalos mais amplos para diferenças bastante mais curtas.

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