Portugal viu os preços das casas à venda a subir a uma velocidade nunca antes vista no último ano, sobretudo nas grandes cidades, colocando-os em patamares ainda mais elevados do que se vinha a registar ao longo da última década. Mas nem por isso o interesse em viver junto a Lisboa, Porto e outros grandes centros urbanos esmoreceu – afinal, é onde há mais oferta de emprego, escolas, hospitais, serviços, transportes e lazer. É isso mesmo que revelam os dados mais recentes do idealista: os municípios na periferia da capital portuguesa continuam a ser os mais procurados para comprar casa, apesar de o custo de ter habitação própria estar mais caro, podendo chegar a superar os 300 mil euros.
Não há volta a dar. São os concelhos nos arredores de Lisboa que despertam maior vontade nas famílias para adquirir habitação, embora sejam estes também que apresentam os preços mais elevados. Prova disso, é que ocupam 10 das primeiras posições do ranking dos 50 municípios mais procurados para comprar casa em Portugal, no quarto trimestre de 2025, elaborado a partir de dados do idealista/data.
A Amadora aparece em primeiro lugar, sendo o município mais procurado de todos para comprar casa, seguido de Oeiras, Moita, Vila Franca de Xira, Odivelas, Barreiro, Sintra, Loures, Alenquer e Torres Vedras. Já o município de Lisboa aparece no 11.º lugar.
É preciso descer à 16.ª posição para encontrar o concelho do norte do país que gera maior atração: Valongo, no distrito do Porto. Além deste, destacam-se outros oito territórios municipais perto da metrópole da Invicta neste ranking da procura: Maia, Paredes, Gondomar, Vila do Conde, Matosinhos, Penafiel, Paços de Ferreira - sendo que o próprio Porto aparece no último da lista analisada.
Também entre os últimos lugares deste ranking da procura de habitação estão seis municípios algarvios: Vila Real de Santo António, Portimão, Tavira, Olhão, Silves e Albufeira. Os altos preços das casas, que superam os 420 mil euros nestes concelhos localizados no sul de Portugal, podem ajudar explicar os resultados. O município de Faro está mesmo fora deste top (68.º lugar), com o custo da habitação a tocar quase os 750 mil euros, impulsado pelo perfil característico da região, ao ser uma zona turística e de forte investimento estrangeiro.
Estes dados do idealista/data voltam a sugerir, assim, que o interesse nas casas à venda nos anéis periféricos de Lisboa, Porto e Faro saiu reforçado no final de 2025, o que pode ser explicado pelo facto de estas localizações apresentarem preços de imóveis residenciais mais baixos do que os centros urbanos em si mesmos. Mas também nestes municípios limítrofes o custo da habitação estão a escalar por efeito de contágio, e porque a oferta de habitação continua a ser insuficiente para responder à procura.
Os preços das casas à venda nos municípios mais procurados
O top 10 da procura de habitação é totalmente dominado por municípios da periferia da capital portuguesa, onde o preço das casas à venda chega a superar os 300 mil euros. É o caso da Amadora (324 mil euros), Vila Franca de Xira (414 mil euros), Torres Vedras (449 mil euros), Odivelas (471 mil euros), Loures (511 mil euros), Sintra (522 mil euros) e Oeiras (738 mil euros). As únicas exceções são mesmo o Barreiro (295 mil euros), Moita (281 mil euros) e Alenquer (269 mil euros).
Estes dados sugerem, assim, que nem os elevados preços das casas demovem a ideia das famílias de comprar casa junto a Lisboa. Importa lembrar que a aquisição de casa própria é hoje reforçada por juros no crédito habitação mais baixos e ajudas do Estado aos mais jovens, até 35 anos (isenção de IMT e garantia pública).
Alenquer, Barreiro e Moita fazem parte dos nove municípios deste top 50 que fogem à regra, apresentando preços medianos das casas à venda inferiores a 300 mil euros. A nível nacional, e já fora da zona da Grande Lisboa, o município mais barato de todos entre os que despertam maior interesse para comprar é Castelo Branco (ainda assim na 40.ª posição), com o custo mediano da habitação para aquisição a situar-se nos 155 mil euros no final do ano passado.
Tendo em conta os mesmos dados do idealista/data., conclui-se que a grande maioria dos municípios mais procurados em Portugal para comprar casa possuem valores medianos acima de 300 mil euros. Dentro destes, contam-se 11 concelhos onde comprar casa apresenta preços medianos que superam os 500 mil euros. E o mais caro de todos entre os mais procurados é Cascais, onde o custo mediano de adquirir habitação ficou quase em 1,4 milhões de euros no fim de 2025. A poucos quilómetros, em segundo lugar está o concelho vizinho de Oeiras (738 mil euros), seguido de Lisboa (715 mil euros).
Há, contudo, exemplos de municípios caros para comprar casa que acabam por despertar menos interesse por estarem só ao alcance de quem tem mais poder de compra. É o caso de Albufeira que ficou em 48.º lugar no ranking da procura, com uma habitação a custar mais de 700 mil euros em termos medianos. Silves é outro caso: foi o 45.º mais procurado, apresentando o custo de aquisição a rondar os 564 mil euros. O último do ranking da procura, o município do Porto, possui preços das casas a rondar os 474 mil euros.
Metodologia
Calculámos o ranking dos municípios mais procurados durante o quarto trimestre de 2025, entre os que apresentaram uma oferta superior a 500 anúncios de casas à venda no idealista (o marketplace imobiliário do sul da Europa). Depois, foram também analisados os preços medianos dos 50 municípios mais procurados para comprar casa em Portugal.
Utilizando os dados de comportamento dos utilizadores do idealista, recolhemos o indicador de pressão da procura relativa sobre a oferta. Este indicador baseia-se no número de ‘leads’ (contactos por email, apresentação de ofertas e imóveis guardados em favoritos) recebidos por anúncio no idealista. Por um lado, os ‘leads’ mostram a procura de habitação por parte dos utilizadores. Por outro, o número de anúncios mede a oferta habitacional disponível no portal. Desta forma, o indicador sintetiza a pressão da procura de casas à venda sobre a oferta em cada município de Portugal, servindo, assim, para medir situações de aquecimento ou arrefecimento do mercado quando a procura relativa é mais alta ou baixa, respetivamente.
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