Habitação em Portugal e Espanha: o problema já não é o mercado

O CEO da ComprarCasa na Ibéria defende que aumentar a oferta habitação é imprescindível para melhorar a acessibilidade, mas não é suficiente.
acesso à habitação
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Durante anos, analisámos o mercado imobiliário perguntando-nos se os preços iriam subir ou descer, se as transações aumentariam ou se as taxas de juro iriam impulsionar ou travar a procura. No entanto, em 2026, essas questões deixaram de ser as mais relevantes. Hoje, o verdadeiro debate é outro: como garantir o acesso à habitação em países onde a procura continua a crescer mais depressa do que a oferta? 

"Portugal e Espanha são dois dos mercados residenciais mais dinâmicos da Europa. A atividade continua elevada, a procura mantém-se sólida e o financiamento recuperou parte do dinamismo perdido durante o ciclo de subida das taxas de juro”, tal como explica Luis Mário Nunes, CEO da ComprarCasa na Ibéria, ao idealista/news.

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O responsável considera que é precisamente esta força que está a colocar em evidência a principal fragilidade do sistema. Ou seja, não faltam compradores, mas faltam casas. E, sobretudo, faltam casas em locais são realmente necessárias e a preços que permitam às famílias ter acesso a elas.

“O debate tende a centrar-se no número de casas necessárias. Mas além de números exatos, existe um consenso claro: a construção de habitação está muito abaixo do ritmo de criação de novos agregados familiares”, diz ainda. Para Luis Nunes, este desequilíbrio explica grande parte do que está a acontecer, isto é, “os preços continuam a subir porque a oferta é incapaz de absorver uma procura impulsionada pelo crescimento demográfico, pela criação de emprego e pela atratividade internacional dos países”.

Mas reduzir o problema a uma questão de oferta é simplificar demasiado aquilo que está a acontecer. “A palavra que melhor resume o desafio da habitação em Portugal e Espanha é acessibilidade. Acessibilidade para encontrar uma casa. Acessibilidade para conseguir pagá-la. E acessibilidade para obter o financiamento necessário sem que o esforço inicial se transforme numa barreira praticamente intransponível, sobretudo para os mais jovens. Por isso, aumentar a produção de habitação é imprescindível, mas não suficiente”, defende. 

Para o CEO da ComprarCasa na Ibéria é fundamental agilizar o licenciamento urbanístico, reduzir os prazos administrativos, criar um quadro regulatório estável que atraia investimento e promover soluções que permitam ampliar o acesso a financiamento responsável.

“Ao mesmo tempo, a reabilitação do parque habitacional e a melhoria da eficiência energética continuarão a assumir um papel cada vez mais relevante. Não apenas porque a Europa aponta o caminho para edifícios mais sustentáveis, mas também porque melhorar o parque existente é uma forma de aumentar o valor social da habitação e responder a novas necessidades de conforto, acessibilidade e adaptação às alterações climáticas”, acrescenta.

Luis Nunes não tem dúvidas de que a habitação se tornou um dos principais desafios económicos e sociais da Península Ibérica. A maior diferença face a alguns anos reside no facto de já não ser suficiente analisar o comportamento do mercado. “A verdadeira questão é saber se seremos capazes de construir um sistema que consiga disponibilizar habitação suficiente, acessível e sustentável para as próximas gerações”, explica. 

Para o mediador, o sucesso do mercado imobiliário não deveria ser medido apenas pelo número de transações ou pela evolução dos preços, mas sim por algo muito mais importante: quantas pessoas conseguem, efetivamente, ter acesso a uma habitação.

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