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Ajustar os preços das casas: lições a aprender com Manhattan para evitar uma bolha em Portugal

Photo by jonathan riley on Unsplash
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Autor: Redação

Um em cada quatro apartamentos de luxo em Manhattan, em Nova Iorque (EUA) está à venda, sem comprador. Segundo um estudo do portal Street Easy, num total de 16.200 apartamentos, distribuídos por 600 edifícios, 4.100 estão “às moscas”, sem conseguirem despertar o interesse dos compradores. O preço médio de uma casa nesta área é de 2,3 milhões de dólares.

Mas, afinal, o que é que aconteceu? De acordo com a notícia avançada pelo Expresso, este cenário negativo foi alimentado pelo facto de os projetos terem continuado a nascer em catadupa, mesmo em plena crise, que estalou em 2008. Rafael Ascenso, diretor-geral da Christie’s Portugal — Porta da Frente, dá ainda uma outra justificação, relacionada com o facto de os promotores imobiliários tomarem decisões e calcularem preços com muita antecedência, “normalmente de dois anos”, algo que está a afetar o escoar dos ativos.

“O que está a acontecer não é exclusivo de Manhattan, passa-se em vários países. Trata-se de acautelar o mercado. Neste momento, quem tem preços ajustados consegue vender. Aqueles que calcularam os seus preços com base numa projeção da realidade — neste caso de subida constante — estão a ter mais dificuldades”, refere o especialista ao mesmo jornal.

Esta dificuldade em vender vem mostrar que o mercado não poderia continuar a subir ad aeternum. “Não podemos ter essa expectativa. Crescer durante seis anos, a este ritmo, seria mau para o próprio mercado. O que não significa que não continue a funcionar, com compras e venda”, explica Rafael Ascenso, referindo que “estamos a chegar a um fim de ciclo a nível mundial”, pelo que se impõe “um ajustamento de preços”.