Renda das casas em Macau vai estabilizar em 2026 após queda acentuada

Preços das casas em Macau sofreram grande queda em 2025. Medidas governamentais estão a ter efeito positivo no imobiliário.
Rendas de imóveis em Macau
Getty images
Lusa
Lusa

Uma previsão de mercado divulgada, recentemente, pela consultora imobiliária JLL aponta que as rendas de habitação e de espaços comerciais em Macau deverão estabilizar este ano, mesmo com o valor patrimonial ainda sob pressão.

Num relatório, a empresa afirmou que os preços residenciais, que caíram acentuadamente em 2025, deverão manter-se estáveis em 2026, após medidas governamentais para aliviar os encargos hipotecários, incluindo isenção de imposto de selo e flexibilização dos rácios de empréstimo sobre o valor da propriedade.

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Os bancos também reduziram as taxas de juro no final do ano passado, ajudando a sustentar a procura.

“Os promotores imobiliários reduziram preços para impulsionar vendas no ano passado e, com políticas de apoio agora em vigor, o mercado residencial deverá estabilizar a curto prazo”, disse o diretor sénior de Avaliação e Risco da JLL em Macau, Mark Wong.

“Mas a procura limitada a longo prazo e a ausência de grandes projetos de infraestruturas continuarão a pesar sobre o setor”, acrescentou, de acordo com o relatório.

Os dados mostram que o valor patrimonial da habitação caiu 16,5% em 2025, enquanto o dos imóveis de luxo recuaram 14,7%. As rendas das unidades convencionais desceram 10,3%, embora as rendas das residências de gama alta tenham subido 1,1%. A JLL prevê que tanto rendas como valores patrimoniais se mantenham estáveis em 2026.

Escritórios e retalho em Macau com quedas na atividade

O mercado de escritórios também enfrentou dificuldades no último ano, com rendas gerais a caírem 3,4% e valor patrimonial a recuar 7,9%. A taxa de desocupação subiu para 15,3%, refletindo a fraca procura.

A JLL - lê-se ainda no relatório - espera que as rendas estabilizem em 2026, embora o valor patrimonial possa cair até 5%.

O setor retalhista registou igualmente pressões, com as vendas totais a caírem 5,4% entre janeiro e setembro do ano passado. As rendas recuaram 0,9% em 2025. Embora as zonas turísticas comecem a atrair novamente investidores, as lojas de bairro continuam sob pressão devido às elevadas taxas de incumprimento de empréstimos.

A JLL prevê que os valores patrimoniais do retalho possam cair mais 5% este ano.

A economia de Macau mostrou sinais de resiliência em 2025, com o produto interno bruto (PIB) a crescer 4,7% para 415,32 mil milhões de patacas (47,6 mil milhões de euros) e as receitas do jogo a subirem 9,1% para 247,4 mil milhões de patacas (28,3 mil milhões de euros). Já as receitas do jogo do segmento VIP aumentaram 24,1% para 67,98 mil milhões de patacas (7,8 mil milhões de euros).

As chegadas de visitantes cresceram, no ano que passou, 14,7%, para 40 milhões, impulsionadas sobretudo por turistas da China continental.

Apesar da recuperação do turismo e do jogo, Wong alertou para desafios estruturais persistentes.

“O crescimento económico regressou aos níveis pré-pandemia, mas os motores concentram-se apenas em algumas indústrias”, afirmou.

“O sentimento no mercado comercial é fraco e o encerramento dos casinos satélite continuará a representar desafios”, disse.

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