Dois fortes sismos atingiram a Venezuela, esta quarta‑feira, dia 24 de junho de 2026, às 23h05 em Portugal (18h05 hora local), provocando o colapso e danos em centenas de edifícios e deixando um número ainda indeterminado de pessoas sem casa. O primeiro abalo, de magnitude 7,2, teve epicentro perto de San Felipe, a uma profundidade de 21,9 quilómetros e, menos de um minuto depois, um segundo sismo, de magnitude 7,5, foi registado perto de Yumare, a cerca de 10 quilómetros de profundidade, afetando duramente zonas como Caracas e La Guaira.
De acordo com o mais recente balanço divulgado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, cerca de 250 edifícios estão danificados na sequência dos dois sismos. Este número abrange tanto colapsos totais como danos estruturais graves que tornam as construções inabitáveis, obrigando à evacuação de moradores e ao corte de acessos por razões de segurança. Face ao cenário de destruição, o Governo local declarou o estado de emergência, sem apresentar ainda um levantamento completo de todas as estruturas afetadas.
Em cidades como Caracas e, sobretudo, em La Guaira, no norte do país, decretada zona de catástrofe, multiplicam‑se os prédios com fachadas desabadas, paredes rachadas e pisos instáveis. Em alguns casos, o segundo abalo, mais forte e muito próximo no tempo, acabou por comprometer edifícios que tinham resistido parcialmente ao primeiro tremor de terra, contribuindo para o colapso total ou para danos que obrigam ao seu esvaziamento imediato. O resultado é um rasto de escombros em zonas residenciais densamente povoadas, com carros esmagados, infraestruturas básicas interrompidas e famílias impedidas de regressar a casa.
O efeito direto desta destruição é o aumento rápido do número de pessoas desalojadas. Embora não existam, para já, dados oficiais consolidados sobre quantos perderam o teto, sabe‑se que muitas famílias encontram‑se agora em abrigos improvisados, enquanto as autoridades tentam encontrar os cerca de 50 mil desaparecidos.
Os dados oficiais até ao momento apontava para 70 mil pessoas afetadas pelo duplo sismo, 50 mil estão desaparecidos, existem 589 mortos, onde 9 são portugueses ou lusodescendentes e quase 5 mil feridos, sobretudo em La Guaira.
A destruição de prédios residenciais e comerciais está, assim, no centro das estatísticas mais recentes, e as equipas de socorro admitem que o número de vítimas possa continuar a subir à medida que são alcançadas zonas ainda inacessíveis.
Perante a dificuldade em obter informação oficial atualizada sobre desaparecidos, a sociedade civil organizou‑se para tentar localizar pessoas que viviam ou trabalhavam em edifícios agora destruídos ou gravemente danificados.
Duas plataformas online, “Desaparecidos Terremoto Venezuela” e “Venezuela te busca”, foram criadas para registar nomes, fotografias, último local conhecido e contactos de familiares. A primeira indica ter já localizado 7.882 pessoas, mantendo 49.716 ainda por rastrear e a segunda refere 5.416 pessoas localizadas e 23.154 por localizar. Estes números, ainda que não oficiais, dão uma ideia da escala do impacto da destruição provocada por sismos separados por 39 segundos.
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