Crise imobiliária na China continua apesar dos sinais positivos

Os preços das casas novas em 70 cidades chinesas caíram 0,18% em julho, mostrando que a recuperação ainda está longe de ser generalizada.
China
GTRES

A crise imobiliária na China continua a pesar sobre a economia do gigante asiático há cinco anos. Os sinais de recuperação têm-se limitado, em grande medida, às grandes cidades e a nichos de mercado, como apartamentos antigos em boas localizações. Ainda assim, os últimos dados confirmam quedas nos preços das casas novas e usadas, apesar da intervenção do Governo chinês para inverter a situação. As casas de análise continuam sem consenso quanto à possibilidade de uma estabilização rápida do mercado residencial chinês.

Os preços das casas novas na China caíram a um ritmo mais acelerado em julho, enfraquecendo o otimismo de que a longa crise imobiliária possa estar perto do fim. Os preços das casas novas em 70 cidades, excluindo habitação subsidiada pelo Estado, recuaram 0,18% face a junho, segundo dados do Gabinete Nacional de Estatísticas da China. Já o valor das casas usadas, sujeito a menor intervenção pública, caiu 0,29%, uma ligeira melhoria face à descida de 0,32% registada em junho.

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A crise imobiliária chinesa tem travado a economia do país durante cinco anos, dificultando os esforços das autoridades para estimular o consumo interno e reduzir a dependência das exportações. A este cenário prolongado junta-se o facto de as vendas a retalho terem crescido menos do que os economistas previam, enquanto a produção industrial avançou a um ritmo mais lento.

A recuperação do mercado imobiliário continua, por isso, confinada sobretudo às grandes cidades e a nichos de mercado, como apartamentos antigos bem localizados.

Embora analistas de entidades como o Citigroup e o Bank of America tenham começado a defender que o setor está finalmente a estabilizar, outros mantêm-se céticos. No final de junho, a Fitch Ratings reviu em baixa as suas previsões para as vendas de casas novas, sublinhando que a persistente fraqueza das cidades mais pequenas continua a anular a recuperação observada num pequeno número de mercados mais sólidos.

As autoridades chinesas não anunciaram novas medidas de estímulo na última reunião do Partido Comunista, no mês passado, depois de o crescimento económico ter abrandado inesperadamente no trimestre anterior, ficando abaixo do intervalo de 4,5% a 5% definido por Pequim.

“A declaração do Politburo suavizou o tom sobre a política imobiliária, o que sugere que não há urgência para um grande alívio das restrições à procura na maioria das cidades”, escreveu Griffin Chan, do Citigroup.

Ainda assim, os governos locais têm adotado algumas medidas para reforçar a confiança. No início deste mês, a cidade de Pequim flexibilizou ainda mais as regras de compra de casa para não residentes, juntando-se a Xangai no levantamento de restrições que vigoravam há uma década. A medida surge depois de um primeiro alívio das regras para compradores não residentes, aplicado há cerca de oito meses.

Novos projetos habitacionais fazem subir vendas em Singapura

As vendas de casas em Singapura recuperaram em julho, depois de terem atingido, em junho, o nível mais baixo em mais de dois anos. A retoma deveu-se ao lançamento de novos projetos e ao fim do período de férias escolares, que trouxe mais compradores ao mercado.

Segundo dados publicados pela Autoridade de Reabilitação Urbana, os promotores venderam 731 casas privadas novas no mês passado. O valor contrasta com as 156 unidades vendidas em junho e com as 940 vendidas no mesmo mês do ano anterior.

As vendas de casas novas dependem, em parte, do número de projetos que os promotores decidem lançar no mercado. Julho marcou, assim, uma retoma após um mês de junho praticamente parado.

O boom imobiliário de Singapura já dá, contudo, sinais de moderação. Os preços das casas privadas subiram 0,5% no segundo trimestre, abaixo dos 0,9% registados nos três meses anteriores.

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