Mobiliário e decoração: Capital do Móvel arranca em Lisboa já amanhã

57ª edição da Capital do Móvel, que se realiza pela segunda vez em Lisboa, decorre até dia 10 de julho no Pavilhão Carlos Lopes.
Feira de mobiliário e decoração Capital do Móvel em Lisboa
Foto de Karl Solano
Lusa
Lusa

Cerca de 40 empresas de mobiliário expõem, de quarta-feira até 10 de julho, em Lisboa, as novidades do mobiliário e decoração portugueses na 57ª edição da Capital do Móvel, que se realiza pela segunda vez na capital.

“A Capital do Móvel esteve a primeira vez em Lisboa no ano passado e, apesar da pandemia, recebemos milhares de visitantes. Por isso, queremos continuar a levar o evento à capital portuguesa e, dessa forma, divulgar o trabalho das nossas empresas”, explicou a diretora-geral executiva da Associação Empresarial de Paços de Ferreira (AEPF), que organiza o evento, em declarações à agência Lusa.

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Após os cerca de 5.000 visitantes recebidos na última edição, a expectativa este ano é superar este número e atrair ao Pavilhão Carlos Lopes, “pelo menos, entre 6.000 a 7.000” pessoas, avançou Filipa Belo.

Segundo a responsável, a aposta este ano passa por um programa diversificado e focado nas tendências do mercado, como é o caso da sustentabilidade: “O setor tem acompanhado as preocupações dos consumidores em relação ao meio ambiente e, por isso, consideramos importante discutir esta problemática”, disse.

Assim, além da exposição de mobiliário e decoração, os visitantes terão ainda a oportunidade de assistir, pelas 18:00 de quinta-feira, a uma ‘talk’ com a arquiteta Teresa Pires Gonçalves (do atelier Decôme Lisbon) sob o tema ‘Casa Saudável - Interiores Sustentáveis’.

Imobiliário deu boa resposta à pandemia

Em entrevista à Lusa, a diretora geral executiva da AEPF afirmou que o setor do mobiliário “surpreendeu bastante, pela positiva”, ao “não refletir assim de uma forma tão bruta” o impacto da pandemia.

“Ao contrário daquilo que seriam as expectativas, a pandemia acabou por não se refletir assim de uma forma tão bruta”, disse, avançando que os dados do primeiro trimestre de 2021 apontam já para uma subida de 4% das exportações face ao período homólogo de 2019, pré-pandémico, para perto de 500 milhões de euros.

Ainda assim, o impacto da pandemia fez-se sentir no setor, cujas vendas para o exterior recuaram de 2.500 milhões de euros em 2019 para 1.500 milhões de euros em 2020 e 1.700 milhões de euros em 2021.

Atualmente, Filipa Belo destaca “os constrangimentos ao nível das matérias-primas e dos transportes” como os fatores que mais estão a “influenciar negativamente” o setor, sobretudo desde o início da guerra na Ucrânia.

Capital do Móvel volta a realizar-se em Lisboa
Site do evento Capital do Móvel

O impacto da guerra na Ucrânia no setor

“Algumas matérias-primas vinham daquela zona, como a placa de madeira e alguma madeira específica, que vinha da Rússia, e algumas empresas que tinham contratos preestabelecidos estão com receio em avançar, porque não sabem até que ponto vão receber as matérias-primas”, explicou.

Por outro lado, disse, a forte e constante subida do preço das matérias-primas está a condicionar a realização de orçamentos: “Um orçamento feito hoje se calhar já não é o mesmo daqui a um ou dois meses”, notou.

Com cerca de 90% da produção destinada aos mercados externos, o mobiliário português manteve no primeiro trimestre deste ano um saldo da balança comercial positivo, nos 215 milhões de euros, com uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 180%.

França continua a ser o maior cliente do mobiliário fabricado em Portugal, absorvendo cerca de 35% das exportações, seguindo-se Espanha e os Estados Unidos da América (que respondem, juntos, por cerca de 30%), do Reino Unido (19%) e da Alemanha (10%).

O setor é constituído por cerca de 4.000 empresas que empregam mais de 34.000 trabalhadores, estando presente em 160 mercados internacionais.

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