
O Pavilhão de Portugal na Exposição Mundial de Osaka 2025 (Expo2025), que decorrerá de 13 de abril a 13 de outubro do próximo ano, foi desenhado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma e pelo seu atelier KKAA. Será a primeira vez que o país apresenta um pavilhão nacional numa exposição mundial com um edifício que não é desenhado por um arquiteto português, lamenta a Ordem dos Arquitetos (OA), criticando os “requisitos solicitados por Portugal no Concurso de Conceção Construção”.
“A OA (…) está profundamente desagradada com a forma como os arquitetos portugueses foram tratados. É lamentável que, considerando o prestígio e reconhecimento dos arquitetos nacionais no panorama internacional, Portugal se apresente com um edifício que não tenha a autoria ou, pelo menos, a coautoria portuguesa”, lê-se numa nota publicada no site da OA.
A entidade presidida por Avelino Oliveira, que numa entrevista recente ao idealista/news disse que “a situação remuneratória dos arquitetos devia envergonhar Portugal”, vai mais longe nas críticas, adiantando que as razões que levaram a que o arquiteto do Pavilhão de Portugal na Expo2025 seja japonês são fáceis de entender.
“(…) Portugal assim o desejou, realizando um concurso com parâmetros que induziram a que isso acontecesse. O problema reside nos requisitos solicitados por Portugal neste Concurso de Conceção Construção que coloca como coordenador e autor um arquiteto que tenha ‘mais de seis anos de experiência como responsável técnico pela conceção e construção de edifícios no Japão, de características similares, iniciada e concluída nos últimos 10 anos’. (…) E que essas obras possuam um valor de construção ‘superior a dois milhões de euros’. No restante, permite autores nacionais ou estrangeiros, mas apenas para desenvolver o projeto de execução”, explica a OA.

Como é nos outros países?
Segundo a mesma nota, Portugal, que é membro do Bureau desde 1932, dispôs “as regras de forma que a escolha recaísse num arquiteto japonês”.
"Analisando o processo desta proposta de representação nacional e a formulação do concurso elaborada pelo comissariado português, não podemos deixar de lamentar profundamente o desiderato e denunciar a forma como os arquitetos portugueses foram tratados pelo seu próprio Estado”
Ordem dos Arquitetos
E será que os pavilhões dos outros países que estarão presentes na Expo2025, nomeadamente os europeus, também são desenhados por arquitetos que não são representantes dos respetivos países? Os exemplos dados pela OA não confirmam essa ideia:
- O autor do Pavilhão de Espanha é Nestor Montenegro, de Madrid;
- O autor do Pavilhão de Itália é Mario Cucinela, de Palermo;
- Os coautores do Pavilhão de França são o estúdio CAAU - Coldefy & Associés, de Lille;
- Os autores do Pavilhão da Holanda são o estúdio RAU Architects, de Amesterdão;
- O autor do Pavilhão da Bélgica é Cyril Rousseaux, de Charleroi;
- O Pavilhão da Suíça é do grupo NUSSLI e da autoria de Manuel Herz, de Basileia;
- O Pavilhão dos EUA é do estúdio Trahan, de Nova Orleães;
- O Pavilhão da China é da autoria do estúdio CADG, de Beijing;
- O Pavilhão do Brasil é da autoria de Marcio Kogan, de São Paulo.
A OA ressalva, de resto, que as críticas em torno do processo de escolha do autor do Pavilhão de Portugal na Expo2025 não estão relacionadas com o próprio arquiteto japonês Kengo Kuma ou com o seu trabalho, pelo contrário. O problema é outro, conclui a instituição: “Analisando o processo desta proposta de representação nacional e a formulação do concurso elaborada pelo comissariado português, não podemos deixar de lamentar profundamente o desiderato e denunciar a forma como os arquitetos portugueses foram tratados pelo seu próprio Estado”.
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