Segundo o presidente da AICCOPN, Manuel Reis Campos, o setor ainda apresenta uma carência estimada de 80 a 90 mil trabalhadores.
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Setor da construção
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A “via verde para a imigração”, implementada em abril do ano passado para acelerar a contratação de trabalhadores estrangeiros, já permitiu submeter 160 processos de pedidos de visto, maioritariamente grupais, abrangendo 936 profissionais. A maioria dos trabalhadores já se encontra em Portugal ou em vias de iniciar funções, segundo o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), Manuel Reis Campos. Este mecanismo tem registado adesão crescente das empresas, refletindo-se no aumento consistente de pedidos.

Citado pelo Jornal de Negócios, Manuel Reis Campos revela, no entanto, que “a 'via verde', sendo um instrumento relevante, não resolve por si só o problema estrutural da falta de mão de obra”, que permanece como o principal constrangimento do setor. 

O líder associativo alerta que há uma carência estimada de 80 a 90 mil profissionais, com nove em cada 10 empresas a identificarem a escassez de trabalhadores como o principal entrave à atividade. Apesar da eficiência do mecanismo – a média de tempo entre submissão dos processos e atendimento presencial é de 11 dias, inferior ao prazo previsto de 10 dias úteis –, a solução é considerada insuficiente para suprir a procura.

O setor da construção terminou 2025 com um crescimento global estimado de 4,1% no Valor Bruto da Produção (VBP), mais que o dobro da média nacional de 1,9%, impulsionado pelo investimento público e execução de fundos europeus, especialmente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O segmento de engenharia civil destacou-se como motor do setor, com uma subida de 5,5%, enquanto Manuel Reis Campos projeta para 2026 um crescimento médio de 4,4% no VBP, prevendo desafios acrescidos para a conclusão atempada dos projetos do PRR.

Para responder à escassez de mão de obra, o presidente da AICCOPN defende uma “abordagem integrada que articule imigração regulada com políticas ativas de formação, reconversão e valorização da mão de obra nacional”, lê-se na publicação. Em termos globais, a associação estima que a produção do setor atinja cerca de 25.500 milhões de euros este ano, refletindo o contributo do investimento público e a consolidação da carteira de obras em execução, mas alerta que, sem mais trabalhadores qualificados, “o setor poderá ver limitada a capacidade de resposta ao elevado nível de investimento em curso”.

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