Escritórios: início do ano mostra ritmos distintos em Lisboa e Porto

Em janeiro e fevereiro, o mercado cresceu 55% na capital. Na Invicta, a ocupação de espaço manteve-se em linha com período homólogo.
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Cátia Colaço
Cátia Colaço (Colaborador do idealista news)

Os dois primeiros meses de 2026 evidenciaram dinâmicas diferentes nos mercados de escritórios de Lisboa e Porto. Enquanto na capital a atividade cresceu 55% face ao mesmo período de 2025, chegando aos 17.250 metros quadrados (m2) de ocupação, na cidade Invicta a área ocupada foi de 2.500 m2, mantendo-se em linha com período homólogo.

Esta é a principal conclusão do relatório Office Flashpoint de fevereiro, da consultora JLL. De acordo com Bernardo Vasconcelos, Head of Office Leasing da JLL, Lisboa beneficia de uma maior dimensão e liquidez, uma vez que, “apesar das restrições no ‘pipeline’, continua a existir na capital maior disponibilidade de espaços que respondem aos requisitos das empresas, permitindo manter uma dinâmica de crescimento”. 

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O responsável explica que no Porto, pelo contrário, “a escassez de produto é mais evidente num mercado menos líquido” e que “quando não existem espaços que correspondam às necessidades das empresas, as operações acabam por ficar em ‘stand-by’ e a absorção é afetada”.

Já no que respeita à procura, Bernardo Vasconcelos afirma não haver “sinais de abrandamento estrutural”, destacando como “indicador claro” o facto de “todas as operações registadas terem sido para ocupação imediata”. 

O responsável revela ainda que “as empresas continuam interessadas em novos escritórios, num contexto da consolidação dos modelos de trabalho e de perspetivas económicas relativamente positivas para Portugal”, salientando que “as previsões apontam também para um crescimento do 'take-up' em Lisboa e Porto nos próximos dois anos”. Contudo, “a instabilidade geopolítica internacional e respetivo impacto na economia global estão a aumentar a cautela das empresas nas decisões de investimento, incluindo as relacionadas com o imobiliário corporativo. Esse efeito começou já a sentir-se em fevereiro, mês que registou uma desaceleração mensal da absorção”, conclui o Head of Office Leasing da JLL.

Neste passado mês de fevereiro, Lisboa registou uma quebra mensal de 28%, com 7.200 m2 contratados. Entre as três operações em destaque, acima dos 1.000 m2, encontra-se a colocação da Servdebt em 1.450 m2 num edifício de referência na zona da Expo, uma operação que foi acompanhada pela JLL. A zona mais ativa de Lisboa em fevereiro foi o Parque das Nações, que concentrou 59% da ocupação. Em termos setoriais, foi o de TMT’s & Utilities a liderar, concentrando 39% da área contratada.

Já no Porto, a quebra mensal foi bem superior à de Lisboa, chegando aos 80%, com 400 m2 contratados. O setor de TMT’s & Utilities foi também o responsável pela totalidade da atividade de fevereiro nesta região, com a zona do CBD-Baixa a registar a única operação desse mês.

No entanto, o acumulado dos dois meses registou um total de 24 operações no mercado de escritórios em Lisboa (17.250 m2), representando um aumento de 55% em comparação com o período homólogo, com as Novas Zonas de Escritórios a concentrar 34% da área ocupada e o Parque das Nações a concentrar 33%. Os setores de Empresas de Serviços e o de TMT’s & Utilities concentraram, respetivamente, 28% e 34% do ‘take-up’.

Por sua vez, o mercado de escritórios do Porto contabilizou quatro operações (2.500 m2), em linha com os meses de janeiro e fevereiro de 2025, com a Zona Empresarial do Porto a concentrar 69% da área ocupada e com o setor TMT’s & Utilities a representar 85% da absorção.

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