O mercado de arrendamento em Portugal mantém-se sob forte pressão, num arranque de ano marcado por nova subida dos preços. No primeiro trimestre de 2026, a renda mediana dos novos contratos fixou-se nos 9,46 euros por metro quadrado, um aumento de 9,1% face ao mesmo período de 2025. Trata-se de uma aceleração em relação ao trimestre anterior, quando a subida tinha sido de 7,9%, segundo dados divulgados esta sexta-feira, 26 de junho de 2026, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O número de novos contratos também aumentou, embora de forma ligeira: mais 0,7% do que no primeiro trimestre de 2025, para 39.395, sugerindo estabilidade na procura apesar do contexto de preços elevados.
Recorde-se que o instituto estatístico não revelava informação sobre este indicador há mais de um ano, em virtude da integração de novos fluxos de informação do Fisco, depois de alterações legislativas permitirem que inquilinos comuniquem contratos quando os senhorios não o fazem atempadamente. Estes resultados fazem parte, por isso, de uma série estatística nova, mais abrangente do que a anterior.
Recorde-se que o INE passou a ter acesso, por parte da Autoridade Tributária, a um conjunto alargado de informação sobre os contratos de arrendamento, que cobre agora todas as alterações efetuadas no mês de referência, independentemente de existir recibo de renda electrónica emitido nesse período, e inclui variáveis inéditas, como a identificação de senhorios. Na prática, o universo de contratos analisados cresceu cerca de 50% face à série anterior, o que torna os dados estruturalmente mais completos e fiáveis, sem alterar as tendências gerais observadas, segundo indica o gabinete estatístico.
De acordo com o mais recente relatório estatístico, a subida das rendas foi generalizada, com aumentos homólogos em todas as 26 sub-regiões do país, ainda que o mercado se continue a mostrar fortemente assimétrico. A Grande Lisboa continua a liderar de forma destacada, com uma renda mediana de 14,38 euros/m2, seguida da Região Autónoma da Madeira (11,97 euros/m2), da Península de Setúbal (11,35 euros/m2), do Algarve (10,71 euros/m2) e da Área Metropolitana do Porto (10,13 euros/m2). Estas cinco sub-regiões são as únicas onde os valores superam a mediana nacional.
Lisboa, por sua vez, continua a registar os valores mais elevados do país, com uma renda mediana de 17,42 euros/m2 entre os concelhos com mais de 100 mil habitantes. Ainda assim, a variação homóloga na capital (8,2%) ficou abaixo da média nacional, sugerindo uma ligeira desaceleração do ritmo de crescimento num mercado já muito pressionado, enquanto outras regiões continuam a ajustar preços a maior velocidade.
Preço do arrendamento dispara em Vila Nova de Famalicão
Entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes analisados, Vila Nova de Famalicão registou a maior subida homóloga, com um aumento de 15,1%, para 6,80 euros/m2. O município destacou-se também no número de novos contratos, com uma variação de 13,4%, a mais expressiva deste grupo.
“No 1.º trimestre de 2026, metade dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes apresentaram taxas de variação homóloga do número de novos contratos superiores à nacional (0,7%), destacando-se Vila Nova de Famalicão (13,4%) e Oeiras (10,5%), com as maiores variações. Por outro lado, o número de novos contratos diminuiu em 12 dos municípios em análise, com destaque para o Seixal (-9,0%) e Matosinhos (-8,5%)”, indica o INE.
Todos os municípios com mais de 100 mil habitantes da Grande Lisboa e da Península de Setúbal registaram rendas medianas superiores à nacional (9,46 euros/m2), embora apenas Almada (13,64 euros/m2 e 14,9%) e Vila Franca de Xira (10,93 euros/m2 e 10,5%) tenham apresentado aumentos homólogos do valor das rendas superiores ao do país (9,1%).
Na Área Metropolitana do Porto, todos os municípios registaram rendas medianas superiores à referência nacional, com exceção de Gondomar (8,71 euros/m2 e 8,7%) e de Santa Maria da Feira (6,58 eruos/m2 e 6,0%), e variações homólogas inferiores.
O INE revela ainda que, tomando como referência os 149.690 contratos de arrendamento celebrados nos últimos 12 meses terminados em março de 2026, a renda mediana em Portugal foi 9,50 euros/m2, tendo aumentado 2,3% relativamente ao ano acabado em dezembro de 2025 e 8,8% relativamente ao ano terminado em março de 2025. O preço mediano da habitação foi superior ao valor nacional nas sub-regiões da Grande Lisboa (14,43 euros/m2), Região Autónoma da Madeira (11,82 euros/m2), Península de Setúbal (11,34 euros/m2), Algarve (10,71 euros/m2) e Área Metropolitana do Porto (10,36 euros/m2).








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