Num momento em que as estratégias de localização e recrutamento do setor financeiro estão a ser redefinidas pela inteligência artificial (IA), pela digitalização e pela procura de competências tecnológicas, Lisboa está a ganhar espaço no mercado, surgindo entre os principais centros operacionais da Europa.
O estudo “Top Global Financial Services Markets 2026”, da Colliers, que analisa mais de 200 mercados internacionais no sentido de identificar os principais polos globais de talento para o setor dos serviços financeiros e analisa as atividades de recrutamento das 150 maiores organizações financeiras mundiais, coloca Nova Iorque na liderança do ranking mundial, surgindo logo de seguida Londres e Singapura. De acordo com esta análise, centros emergentes, como Lisboa, estão a ganhar peso neste setor, combinando acesso a talento qualificado, competitividade nos custos operacionais e forte dinamismo de inovação.
A capital portuguesa surge, assim, no ranking europeu como um 'Domestic and Operational Center', com uma crescente atratividade para centros de serviços partilhados, operações financeiras internacionais, 'fintechs' e funções de suporte especializado.
Segundo Rodrigo Canas, diretor Business Development Architecture & Building Consultancy, “este reconhecimento não é uma surpresa para quem acompanha o mercado imobiliário português”, uma vez que Lisboa “tem vindo a consolidar-se como destino natural para centros de serviços partilhados e operações financeiras, sustentada por um ecossistema tecnológico em expansão e por uma oferta de talento cada vez mais especializada”. O responsável frisa que “o desafio agora é garantir que a oferta de escritórios acompanha esta procura”.
Inteligência artificial: o principal motor de transformação
O “Top Global Financial Services Markets 2026” destaca a rápida transformação do setor financeiro devido à IA generativa, uma vez que esta tem impacto direto nos modelos operacionais, na procura por talento e nas necessidades imobiliárias das organizações, podendo aumentar os lucros operacionais da banca até 15% e criar aproximadamente 340 mil milhões de dólares (cerca de 298 mil milhões de euros).
“O setor financeiro está a atravessar uma transformação estrutural. As organizações já não escolhem localizações apenas pela sua reputação histórica, mas pela capacidade de atrair talento especializado, acelerar a inovação e responder aos novos desafios tecnológicos”, indica, em comunicado, Chris Zlocki, Global Head of Enterprise Client Strategy and Solutions da Colliers.
Mercados emergentes começam a ganhar relevância
Tal como Lisboa, outros mercados emergentes estão agora a ganhar importância ao conseguir combinar competitividade de custos, talento e escala, como são os casos de Dallas-Fort Worth, Manila, Bengaluru e Istambul.
Na Europa, além de Lisboa e Istambul, cidades como Bucareste e Birmingham também têm crescido enquanto polos de inovação e atração de investimento, embora o mercado europeu continue a ser liderado por Londres, Paris e Zurique.
Tendências que irão moldar o futuro dos serviços financeiros
A Colliers revela ainda, através do seu estudo, cinco tendências que estão a redefinir o setor financeiro:
- Integração crescente da IA e automação nos processos financeiros;
- Intensificação da concorrência pelo talento tecnológico;
- Evolução dos modelos de trabalho flexíveis e respetivo impacto na atração e retenção de profissionais;
- Diluição da tradicional divisão entre funções ‘front-office’ e ‘back-office’;
- Adoção crescente de análises avançadas de mercado de trabalho para suportar decisões estratégicas.
Digitalização impulsiona procura por talento tecnológico
A digitalização está a tornar os engenheiros de software, especialistas em dados, cibersegurança e inteligência artificial em alguns dos perfis mais procurados do mercado, com as organizações financeiras a reforçar a sua capacidade de competir com empresas tecnológicas na atração de profissionais altamente qualificados.
Essas organizações, de acordo com a análise da Colliers, podem encontrar esse talento tecnológico para serviços financeiros entre os maiores polos como Nova Iorque e Londres, mas agora também em cidades da Índia, como Bengaluru, Hyderabad e Pune.
Os líderes do setor financeiro têm recorrido, cada vez mais, a análises avançadas de mercado para fundamentar as decisões relacionadas com talento, localização e ocupação imobiliária. Atualmente, cerca de 59% dos executivos pretendem reforçar a utilização de ferramentas de análise laboral para apoiar estratégias futuras.
Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.
Fica a saber mais sobre o idealista/news.
Whatsapp idealista/news Portugal







Para poder comentar deves entrar na tua conta