No coração do Vale de Itria, na Puglia, o Trulli Ad Maiora é uma pequena aldeia (borgo), a curta distância de Alberobello, resultado de um cuidadoso trabalho de restauro de conservação.
Usando apenas os materiais já existentes no território e a mão de obra local, deu-se nova vida a esta villa de trulli, onde os hóspedes podem viver o luxo de uma experiência exclusiva numa das construções mais características da região.
O idealista/news visitou-a, guiado por Matteo Ferrari, proprietário do borgo e responsável pela Ad Maiora Experience, empresa dedicada a recuperar imóveis típicos da tradição arquitetónica italiana.
Como é composto o Trulli Ad Maiora?
O Trulli Ad Maiora é composto por três estruturas. A parte principal, a primeira a ser recuperada, é um conjunto de trulli de seis cones. Depois vieram uma lamia em pedra (construção rural tradicional de cobertura plana) e uma outra, em parte de pedra e em parte revestida no interior com vigas de madeira muito particulares.
Um projeto que arrancou em 2017
O projeto de restauro conservativo, iniciado no final de 2017, assenta em aproveitar ao máximo os materiais recuperados das antigas estruturas e recorrer a artesãos locais muito qualificados, que trabalham desde sempre estas pedras antigas e estes cones extraordinários, com uma técnica muito específica usada apenas no Vale de Itria. Segundo Matteo Ferrari, trata-se de um saber-fazer próprio dos "mestres construtores de trulli".
Quando o primeiro lote foi adquirido, o terreno onde se erguem os trulli estava praticamente vazio. Restavam apenas a velha aia (eira usada para debulhar o cereal) e os alicerces de antigos trulli demolidos, uns em ruínas, outros ainda íntegros mas totalmente por recuperar. Como não havia nada em redor, foi preciso criar tudo: ligações, serviços e até a circulação interna, pedonal e automóvel.
Custos: entre 3.000 e 5.000 euros por metro quadrado
Os custos de recuperação destes imóveis são muito elevados, não tanto pelo tipo de material, mas pelo tempo dedicado à recuperação do existente. É esse, aliás, o grande tema do restauro conservativo. Em números, falamos de obras que podem variar entre os 3.000 e os 5.000 euros por metro quadrado.
A escala de valores ajuda a perceber por que a reabilitação criteriosa é um investimento exigente também em Portugal, onde o restauro de património tradicional, das casas de xisto do interior aos edifícios pombalinos de Lisboa, costuma ficar bem acima do custo de uma construção nova, sobretudo quando envolve técnicas e ofícios especializados.
Como se arrenda e quanto custa?
É possível arrendar as três estruturas separadamente ou o borgo inteiro, com um máximo de 15 camas. Nada é partilhado com outros hóspedes. Os preços vão dos 250 euros por noite, na época baixa, na suite, até aos 1.000 euros por noite, na época alta, na Villa Trulli, com seis camas.
Há por isso muita flexibilidade, consoante o número de pessoas e a época. Cada estrutura tem piscina, jardim, cozinha exterior e espaços de lazer próprios, sem zonas comuns com outros hóspedes.
Que serviços oferecem?
Têm dois tipos de oferta. Uma assenta numa proposta padrão, que é essencialmente o arrendamento do imóvel, da residência, onde depois se pode cozinhar de forma autónoma dentro da estrutura, porque estão todas equipadas com cozinha.
Ou então há uma versão mais completa, mais luxury, na qual oferecem um conjunto de serviços adicionais com fornecedores externos, como chef ao domicílio, ioga, massagens e experiências personalizadas.
Porquê visitar o Vale de Itria?
A escolha do Vale de Itria, explica Matteo Ferrari, deve-se à tipicidade dos seus imóveis. Os trulli são algo único a nível mundial, num território muito ligado à agricultura e à natureza, com uma época turística longa. Vale a pena recordar que a zona de Alberobello e dos seus trulli está classificada como Património Mundial da UNESCO.
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