A 1ª edição do estudo “Intermediários de Crédito em 2026 – O perfil da intermediação no crédito habitação” vem, tal como o nome indica, traçar o perfil desta atividade em Portugal, revelando que 57,2% das operações diz respeito a imóveis adquiridos por valores entre os 250.001 e os 500 mil euros e que o processo completo demora entre 31 e 60 dias em 55,3% das vezes.
Este estudo, realizado pela UCI com a SPIRITUC – Investigação Aplicada, inquiriu 733 profissionais vinculados inscritos no Banco de Portugal, demonstra que, para 38,1% dos profissionais, o processo desde o primeiro contacto até à escritura demora entre 61 a 90 dias. Quanto aos valores das casas, apesar de a maioria das operações dizer respeito a imóveis acima de 250 mil euros, 37,4% são para casas adquiridas por um valor inferior e apenas 5,5% supera os 500 mil euros.
Já nos valores de financiamento concedidos, 45,7% dos créditos situam-se entre os 150 mil e os 250 mil euros, enquanto 42,7% estão entre os 250.001 e os 500 mil euros.
Mas o estudo revela também os principais entraves a estes processos, que fazem com que muitos não cheguem à fase de escritura. De acordo com o “Intermediários de Crédito em 2026 – O perfil da intermediação no crédito habitação”, em 41,9% das vezes o obstáculo é a própria inviabilidade da operação e em outras 29,2% o problema está relacionado com o facto de o cliente não encontrar um imóvel.
Apesar da expressiva angariação mensal de novos clientes, com 66,7% dos profissionais inquiridos a conseguirem captar mais de 20 clientes todos os meses, cerca de metade dos inquiridos (48,8%) consegue realizar apenas menos de 10 escrituras mensais.
Mas o trabalho dos intermediários de crédito vai muito além da angariação de clientes e do reencaminhando do contacto para os bancos. Quase a totalidade dos profissionais (97,5%) recolhe toda a documentação e faz a pré-qualificação antes de enviar o processo para as entidades bancárias.
Destaque ainda para o facto de 23,5% dos intermediários considerarem que os clientes têm uma baixa literacia financeira em termos de crédito habitação e apenas 24,8% afirmarem que os clientes estão muito informados.
Esmagadora maioria dos profissionais tem espaço aberto
O estudo da UCI e da SPIRITUC revela também que 90% dos intermediários de crédito inquiridos optam por ter um estabelecimento aberto ao público e que 59,9% apostam numa marca própria, pesa o crescimento da digitalização. Cerca de 69,5% gere, ao mesmo tempo, mais de 25 clientes e 23,1% desses clientes são internacionais, enquanto 18% não residem em Portugal.
Embora a esmagadora maioria dos intermediários de crédito tenha um espaço aberto ao público, o processo de divulgação e angariação de clientes faz-se maioritariamente pela internet (80,5%) e apenas 72,6% é proveniente de recomendações.
Peso dos intermediários deverá aumentar a curto prazo
Cerca de 48,7% dos inquiridos mostra-se crente no facto de o peso destes intermediários aumentar nos próximos três anos. Apenas 39,2% acredita que o seu peso no mercado se manterá igual.
A notoriedade é, para 40,1% dos profissionais, o fator determinante na evolução e nos resultados futuros do setor, seguindo-se a aposta na robotização e Inteligência Artificial (19,9%).
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