Casas licenciadas em máximos de 2011 - mas demoram a chegar ao mercado

Licenciamento de fogos acelera, mas as conclusão de casas demoram a chegar ao mercado, mostra INE.
construção de casas
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Portugal licenciou mais fogos em 2025 do que em qualquer ano desde 2011. Mas esta dinâmica esbarra numa realidade incontornável: a construção efetivamente concluída não acompanhou o ritmo do licenciamento. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram foram licenciadas 48.844 casas no ano passado (+14,6% face ao ano anterior), um número bem superior aos 30.425 fogos concluídos (+8,7%).

“Em 2025, foram licenciados 48.844 fogos em Portugal, mais 14,6% do que no ano anterior (42.612 fogos em 2024), correspondendo ao valor mais elevado desde 2011”, começa por dizer o INE. O crescimento foi particularmente expressivo na construção nova destinada à habitação familiar - dos quase 49 mil fogos licenciados, 42.066 correspondem a casas novas, um aumento anual de 18,9%, também o valor mais elevado desde 2011. 

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Estes números sugerem que os promotores e construtores continuam a tentar dar resposta à elevada procura, impulsionados pela persistente escassez de oferta e pela valorização dos preços da habitação. Apesar deste dinamismo, o reforço da oferta continua a chegar ao mercado de forma gradual.

“Em contraste com o aumento do licenciamento, o número de edifícios concluídos diminuiu em 2025, estimando-se que tenham sido concluídos 16.964 edifícios, menos 3,0% do que em 2024, interrompendo o crescimento observado no ano anterior”, aponta ainda o INE.  Apesar desta redução, as construções novas mantiveram-se predominantes, representando 82,0% do total de edifícios concluídos, uma proporção praticamente idêntica à registada em 2024 (82,1%). 

Do total de edifícios concluídos, 78,3% destinaram-se à habitação familiar e 65,6% corresponderam a construções novas para este destino. Em termos absolutos, foram concluídos 13.915 edifícios em construções novas, menos 3,1% do que no ano anterior, enquanto as obras de reabilitação totalizaram 3.049 edifícios, traduzindo uma diminuição de 2,6%.

licenciamentos
Foto de Milan Trninic no Unsplash

Apesar da redução do número de edifícios concluídos, "o número de fogos manteve uma evolução positiva". Estima-se que tenham sido concluídos 30.425 fogos em 2025, o que representa um acréscimo de 8,7% face ao ano anterior. 

Quer isto dizer que, embora o número de habitações concluídas também tenha aumentado, o ritmo continua significativamente abaixo do registado no licenciamento, evidenciando o intervalo temporal entre a aprovação dos projetos e a sua entrada efetiva no mercado.

Outra tendência que sobressai é o peso crescente da construção nova. Cerca de 80% das obras licenciadas corresponderam a novos edifícios, enquanto a reabilitação perdeu representatividade face aos últimos anos. 

“A repartição das obras concluídas entre construção nova e reabilitação evidenciou um aumento do peso da construção nova entre 2020 e 2025. Em 2025, as construções novas representaram 82,0% do total de edifícios concluídos, mais 4,0 p.p. do que em 2020, enquanto as obras de reabilitação reduziram a sua representatividade de 22,0% para 18,0%”, refere o INE.
 

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