A procura de casas para arrendar em Portugal continua a crescer, enquanto a oferta mantém-se em queda. Este cenário poderá mudar no médio prazo se a reforma do arrendamento do Governo - projetada para incentivar a colocação de mais casas para arrendar - for aprovada no Parlamento. Para já, este desequilíbrio voltou a sentir-se nas rendas. Depois de passarem seis meses a descer, os preços das casas para arrendar no país subiram 0,9% em julho face ao mesmo mês do ano anterior, revela o idealista.
Arrendar casa passou a ter o custo mediano de 17,7 euros por metro quadrado (euros/m2) no final do mês de julho, segundo o índice de preços do idealista. Este ligeiro aumento das rendas em julho acaba por inverter uma tendência de descida que durava há seis meses consecutivos, com quebras de 1,9% em janeiro, 1,4% em fevereiro, 1,2% em março, 2,7% em abril, 2,9% em maio e 2,4% em junho.
Maioria das grandes cidades sentem rendas a subir
O preço das casas para arrendar aumentou em 10 das 14 capitais de distrito ou de regiões autónomas analisadas e desceu nas restantes quatro neste período.
As maiores subidas anuais registaram-se em Viana do Castelo (28,7%), Aveiro (15,4%), Funchal (13,8%) e Santarém (12,2%). Também se registaram aumentos das rendas das casas em Braga (8,2%), Castelo Branco (5,5%), Setúbal (5%), Leiria (4,2%), Lisboa (2,8%) e Évora (2,7%).
Em sentido contrário, as maiores descidas anuais dos preços do arrendamento residencial observaram-se no Porto (-11,5%), Coimbra (-9,9%), Faro (-1,9%) e Viseu (-1,6%).
Lisboa continua a ser a cidade mais cara para arrendar casa, com um preço mediano de 23,5 euros/m2, seguida do Porto (18,1 euros/m2) e do Funchal (17,3 euros/m2). Logo depois surgem Faro (14,9 euros/m2), Setúbal (14,2 euros/m2), Coimbra (14 euros/m2) e Aveiro (13,6 euros/m2). Seguem-se Viana do Castelo (12,2 euros/m2), Évora (12 euros/m2) e Braga (10,8 euros/m2).
As capitais mais económicas para arrendar casa continuam a ser Castelo Branco (7,2 euros/m2), Viseu (8,1 euros/m2), Leiria (9,2 euros/m2) e Santarém (9,7 euros/m2).
Rendas sobem no distrito de Lisboa - mas descem no Porto
Nos últimos 12 meses, os preços das casas para arrendar subiram em 18 dos 21 distritos e ilhas analisadas e desceram nos restantes três territórios, nomeadamente em Vila Real (-13,8%), Porto (-10,8%) e Coimbra (-9,2%).
As maiores subidas anuais das rendas das casas observaram-se em Faro (34,3%), Viana do Castelo (19%), ilha de Porto Santo (12,3%), ilha da Madeira (12,3%), Guarda (11,1%) e Aveiro (9,8%). Registaram-se ainda aumentos em Bragança (8,4%), Leiria (7,1%), Braga (6,9%), Santarém (6,6%), Lisboa (3,2%), Évora (3%), Castelo Branco (2,5%), Portalegre (2,1%), Setúbal (2%) e Viseu (1,9%).
O distrito de Faro lidera o ranking dos distritos e ilhas mais caras para arrendar casa, com um preço mediano de 22,5 euros/m2, ultrapassando pela primeira vez o distrito de Lisboa (21,4 euros/m2). Logo depois surgem a ilha da Madeira (16,2 euros/m2), ilha de Porto Santo (16,1 euros/m2), Porto (15,7 euros/m2) e Setúbal (14,4 euros/m2).
Com rendas das casas iguais ou acima dos 10 euros/m2 encontram-se ainda Coimbra (12,6 euros/m2), Aveiro (11 euros/m2), Évora (10,7 euros/m2), Viana do Castelo (10,6 euros/m2), Leiria (10,3 euros/m2) e Braga (10,2 euros/m2).
No segmento intermédio de rendas surgem Santarém (8,9 euros/m2), Castelo Branco (8 euros/m2), Viseu (7,6 euros/m2), Vila Real (7,4 euros/m2) e Bragança (7,2 euros/m2). Os distritos mais económicos continuam a ser Guarda (6,2 euros/m2) e Portalegre (6,8 euros/m2).
Região Norte é a única a registar quedas nas rendas
No último ano terminado em julho, os preços das casas para arrendar subiram em seis das sete regiões portuguesas analisadas e desceram apenas no Norte (-11,3%), mostram os dados do idealista.
As maiores subidas anuais das rendas das casas registaram-se no Algarve (34,3%), seguido do Alentejo (15,4%), da Região Autónoma da Madeira (12,3%) e da Região Autónoma dos Açores (6,8%). Registaram-se ainda subidas na Área Metropolitana de Lisboa (2,9%) e no Centro (0,6%).
O Algarve, com uma renda mediana de 22,5 euros/m2, supera a Área Metropolitana de Lisboa (20,7 euros/m2), passando a ser a região mais cara do país para arrendar casa. Segue-se a Região Autónoma da Madeira (16,1 euros/m2) e o Norte (14,2 euros/m2). Logo depois surgem o Alentejo (12 euros/m2), a Região Autónoma dos Açores (10,8 euros/m2) e o Centro (10,6 euros/m2).
Índice de preços imobiliários do idealista
O idealista atualizou a metodologia do seu índice de preços da habitação para se adaptar às mudanças do mercado. Os novos filtros da plataforma permitem identificar e excluir do cálculo produtos como o arrendamento sazonal ou de férias, que não refletem o mercado residencial convencional. Além disso, foi reforçado o processo de deteção de valores anómalos com técnicas estatísticas mais robustas. A nova metodologia foi aplicada retroativamente a toda a série histórica, a fim de garantir a comparabilidade dos dados.
Para a realização do índice de preços imobiliários do idealista, são analisados os preços de oferta (com base nos metros quadrados construídos) publicados pelos anunciantes do idealista. São eliminados da estatística anúncios atípicos e com preços fora de mercado. Incluímos ainda a tipologia “moradias unifamiliares” e descartamos todos os anúncios que se encontram na nossa base de dados e que estão há algum tempo sem qualquer tipo de interação pelos utilizadores. O resultado final é obtido através da mediana de todos os anúncios válidos de cada mercado.
O relatório completo encontra-se em: https://www.idealista.pt/media/relatorios-preco-habitacao/arrendamento/
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