A Casavo, plataforma italiana digital para o mercado residencial que adquire imóveis de forma rápida e simples, “aterrou” em Portugal no início do ano, sendo uma das iBuyers a operar no mercado nacional. “O balanço é muito positivo”, começa por dizer ao idealista/news Duarte Ferreira dos Santos, Vice President of Investments em Lisboa da Casavo. O responsável assegura, de resto, que “o setor imobiliário precisa de soluções inovadoras que tornem o processo de compra e venda de casa mais simples e cómodo e que aumentem a transparência do mercado”. Sobre a eventual subida dos preços das casas no atual contexto de inflação alta, bem como de custos de construção e taxas de juro elevados, considera que no caso dos imóveis usados “o agravamento não será tão significativo”.
A inflação tem vindo a subir nos últimos tempos em Portugal e no mundo, tendo sido agravada pela guerra na Ucrânia. Mas era algo que já era, de certa forma, previsível, considera o professor e economista Augusto Mateus, afirmando que “o ressurgimento da inflação já era visível e esperado” mesmo antes da pandemia, não tendo sito feito nada para contrariar essa tendência. Para dar resposta ao escalar da inflação, o Banco Central Europeu (BCE) já avisou que vai subir a taxa de juro diretora, que se encontra há vários anos nos 0%. “Aumentar 25 pontos base a taxa de juro de referência do BCE é a mesma coisa que nada fazer”, alertou.
Inflação a subir, taxas de juros a escalar e custos de construção a disparar. Tudo isto, entre outros fatores, a acontecer num inesperado contexto de guerra e após uma pandemia que teima em não dar tréguas. Luís Marques Mendes, membro do Conselho Consultivo da Abreu Advogados, considera, no entanto, que há indicadores positivos a ressalvar, nomeadamente direcionados para o setor imobiliário. Um deles é o facto de haver agora, com o eclodir do conflito armado entre Rússia e Ucrânia, (ainda) mais investidores e empresas a piscar o olho a Portugal. “Neste momento está a ocorrer um fenómeno de deslocalização de empresas para a Europa. Portugal pode ter aqui uma boa oportunidade”, adiantou.
O “fantasma” do aumento dos custos de construção paira no país, tendo a guerra na Ucrânia ajudado a contribuir para fazer disparar, por exemplo, o preço dos materiais. Uma tendência que já vinha da pandemia e que ganha agora novos contornos, com o país (e o mundo) a braços com uma inflação que teima em não parar de subir. Tudo isto se pode repercutir, em última instância, no preço final das casas, que também tem disparado nos últimos tempos. Para já, no entanto, os promotores imobiliários mostram sinais de resiliência e adiantam que os projetos continuam a sair do papel a tempo e horas. Já os bancos dizem estar atentos à conjuntura atual e reforçam a ideia de que estão disponíveis para financiar a construção de casas.
Nasceu um pouco antes da pandemia da Covid-19 ser declarada e apontou a mira à Margem Sul de Lisboa, mais concretamente ao Montijo. A Portugal Slow Living, uma promotora imobiliária nacional que “pensa no bem-estar e qualidade de vida” das pessoas, projetando “casas com escolhas criteriosas a nível da sustentabilidade e eficiência energética”, segundo se lê no site da empresa, vai lançar três projetos residenciais no Montijo, revela ao idealista/news Catarina Teixeira Lozano, uma das três sócias da empresa. “Há muitos projetos, muitos investimentos pensados para o Montijo [por vários players]. Viver no Montijo é uma paz, um sossego, por isso escolhemos o centro da cidade, porque há muitos terrenos à venda”, refere, justificando a aposta na cidade do distrito de Setúbal.
Aumentar a oferta de casas no mercado que possam ser compradas por famílias portuguesas. Este é um dos objetivos a que se propõem vários promotores imobiliários que operam em Portugal. Para o conseguirem fazer, a solução passa, muitas vezes, por investir nas zonas limítrofes das cidades. No caso da capital, falamos, por exemplo, da Alta de Lisboa, de Miraflores e de Loures. É precisamente em Loures que vai nascer o mais recente projeto residencial da SOLYD Property Developers (SOLYD), que terá, “numa primeira fase, cerca de 270 apartamentos”, revela ao idealista/news Sónia Santos, Marketing & Sales Manager da empresa. Outro dos projetos que está na calha e que a promotora pretende lançar este ano vai nascer em Setúbal. Serão cerca de 100 apartamentos.
Quatro dias de olhos postos no setor imobiliário e da construção. A FIL – Centro de Exposições e Congressos de Lisboa, no Parque das Nações, volta a receber as duas principais feiras do setor do país: o Salão Imobiliário de Portugal (SIL) e a Tektónica – Feira Internacional de Construção abrem portas esta quinta-feira e decorrem até domingo (15 de maio de 2022). Este ano, e ainda com o “fantasma” da pandemia a pairar, decorrem de novo em simultâneo, mas num inesperado cenário de guerra, de inflação alta e de elevados custos de construção, por exemplo. Sandra Bértolo Fragoso, gestora do SIL, diz ao idealista/news que “este novo contexto geopolítico tem efeitos na maioria dos setores da economia” e que o SIL não está “imune aos efeitos da guerra na Ucrânia”. Deixa, no entanto, um sinal de otimismo para o futuro: “Apesar de todos estes desafios, o setor continua resiliente e com uma procura superior à oferta”.
A proptech imobiliária espanhola Tiko aterrou em Portugal em novembro de 2021, em plena pandemia, prometendo agilizar e facilitar o processo de compra e venda de casas. Esta é uma das iBuyers a operar no país, empresas cujo modelo de negócio tem a tecnologia como aliada. Disso mesmo dá conta Ana Villanueva, CEO Ibéria e cofundadora da Tiko, em entrevista ao idealista/news: “Posicionamo-nos como verdadeira empresa tecnológica, uma vez que acreditamos que a tecnologia é a chave para eliminar constrangimentos do processo de compra e venda, e assim proporcionar uma grande experiência ao cliente”.
Muita coisa mudou na área da arquitetura e no setor imobiliário em geral, na última década. Mariana Morgado Pedroso trouxe para Portugal, em 2012, a marca/conceito Architect Your Home (AYH). O país estava, na altura, mergulhado numa crise e sob a ajuda da Troika. Mais recentemente, os profissionais do setor voltaram a ter de adaptar-se, de forma a dar respostas a uma inesperada pandemia que mudou os hábitos de consumo e de vivência das famílias. Pelo meio, há uma guerra a acontecer. Apesar de tudo, a fundadora e diretora geral do AYH considera, em entrevista ao idealista/news, que “a arquitetura em Portugal está a viver um momento rico em grandes projetos”, à boleia do “crescimento do setor imobiliário”. E garante que é possível o "acesso ao trabalho de arquitetos a todo o tipo de público".
Depois da pandemia, a guerra. O conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia abalou o mundo, tal como tinha acontecido antes com a Covid-19. E agora são vários os “fantasmas” que pairam na sociedade e que ameaçam deixar marcas, também, no setor imobiliário. Inflação a crescer, taxas de juro a subir, preços dos materiais a disparar, custos de construção a aumentar… Que impacto terão estes e outros fatores nos negócios imobiliários, nomeadamente na venda de casas em resorts? “A guerra na Ucrânia não provocou ainda diminuição no número de transações. Também não creio que venha a diminuir a procura. Pode, isso sim, vir a afetar a oferta num futuro mais ou menos próximo”, analisa Pedro Fontainhas, Diretor Executivo da APR – Associação Portuguesa do Turismo Residencial e Resorts, em entrevista ao idealista/news.
Recebe os nossos artigos mais recentes no seu endereço eletrónico Subscrever